O Último Homem Americano

Neste impressionante estudo acerca da identidade do homem americano contemporâneo, a prestigiada autora e jornalista Elizabeth Gilbert explora a fascinante história verídica de Eustace Conway. Em 1977, com dezassete anos, Conway trocou a confortável casa da sua familia pelos Apalaches. É lá que vive há mais de vinte anos: faz lume com paus, usa as peles dos animais que apanha e tenta persuadir os Americanos a deixarem o sue estilo de vida materialista e a regressar à natureza. O carácter místico de Conway representa um desafio a todos os nossos preconceitos acerca do americano moderno, bem como tudo aquilo que sentimos que os nossos homens devem ser, mas raramente são.

ISBN: 9789722522212 – Bertrand Editora / 2010 – 309 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

A literatura norte-americana sempre me interessou, não apenas por questões académicas mas também porque é impossível um mercado literário tão grande passar despercebido. Mesmo em pequena, era mais vulgar eu ler livros de autores estrangeiros (na sua maioria, norte-americanos) que os da minha própria nacionalidade. E hoje em dia, grande parte dos nomes que destaco como referência na literatura são de nacionalidade americana. O que pode certamente explicar o fenómeno é o que já disse antes, o facto de ser um mercado tão grande e por isso estar mais acessível ao público em geral, com mais tiragens de livros e mais publicidade.
Quando comecei a estudar a literatura desta nação, várias noções interessantes foram levantadas que suscitaram ainda mais o meu interesse e na sequência desse mesmo interesse descobri esta obra de não-ficção de uma autora que já tinha conhecido através do livro Comer, Orar e Amar – que foi uma experiência brilhante e uma das melhores do ano de 2013.
Fiquei absolutamente inquieta até ter este livro nas minhas mãos e ainda demorou algum tempo a chegar a ele, mas agora que o li posso dizer que correspondeu às expectativas não só aquelas que tinha para a escrita da autora como o que esperava encontrar sobre questões míticas dos Estados Unidos da América, tais como a questão da fronteira, do que é ser Americano e do que significa ser um pioneiro neste país.
Tudo aquilo que queria que a autora explorasse neste seu ensaio sobre o verdadeiro Homem Americano, ela explorou e ainda foi mais além, explorando a dimensão da espiritualidade que acaba por ser tão característico da autora, na minha opinião.

Gostei da intimidade que este livro de não-ficção apresenta. Da forma como a autora nos fala sobre a vida de um homem que decidiu tomar as rédeas da sua vida e decidiu viver de uma forma diferente, por vezes assustadora, desafiante mas ainda assim gratificante. Gostei da forma como a autora nos permite deliciarmo-nos com a sua narrativa, como se estivéssemos a ler um livro de aventuras no Wild West. Gostei igualmente da forma como  a autora não se limitou a explorar a vida deste homem invulgar apenas no sentido de mostrar aos seus leitores que este encarna muitos dos valores com que a nação dos Estados Unidos foi construída, mas também para nos sensibilizar que até este homem é como todos os outros. Não é apenas um modelo para os mais novos, não é apenas uma idealização de homem perfeito. Ele encarna os seus próprios valores e defende os seus princípios com garra e personalidade. Mas mostra-nos também que este é um Homem como qualquer outro, com defeitos, com necessidades e com frustrações. Com desejos e mágoas e arrependimentos. Que erra e que se tenta consertar. Que é ambicioso, mas é perfeccionista.

Mais do que conhecer a vida deste homem, deste pioneiro, deste Homem Americano, adorei a forma como a autora explorou o tema do ser-humano, daquilo que ele espera encontrar nesta vida, dos sonhos por alcançar, do determinismo. E adorei a forma como ela encaixou as experiências deste homem nas realidades de uma nação que se construiu a si própria. É um livro que me mostra que esta é uma autora versátil mas que tem um verdadeiro dom para falar sobre vidas reais, pessoas reais, experiências reais.

Uma óptima leitura para abrir um novo ano. Gostei mesmo muito.

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Em Parte Incerta

Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…
Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo – mas será mesmo um assassino?
Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?
Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.

ISBN: 9789722525572 – Bertrand Editora / 2013 – 520 páginas

O Hobbit

Em Parte Incerta é um livro que tem dado que falar no mundo literário, especialmente há alguns meses atrás. Ganhou um prémio na plataforma Goodreads e vai inclusive ser alvo de uma adaptação cinematográfica. Posso dizer que já andava de olho neste livro, não só por ter ouvido falar realmente bem dele, mas por ser um policial – que é dos meus géneros favoritos. Embora nunca tenha lido nada da autora, esta era uma obra que me suscitava bastante curiosidade (ao ponto de oferecer o livro a uma amiga que não é muito fã de policiais, para ela poder ler e me dizer se era bom ou não). De qualquer das maneiras, este livro acabou por ser escolhido para o meu terceiro desafio de leitores e isso ajudou a que eu lesse este livro em tempo útil e não o deixasse a “apodrecer” na minha lista infindável de livros a ler.

O livro fala sobre um casal que está junto há cinco anos, data simbólica em que a mulher desaparece deixando um rasto atrás de si de pistas deixadas exclusivamente para o marido, como comemoração do quinto aniversário de casamento. A investigação da polícia local rapidamente assume que o marido é o principal e único suspeito e a investigação acaba por se desenvolver à volta dos actos suspeitos do marido que a comunidade acredita ser um criminoso. Mas aquilo que à partida parece preto no branco, rapidamente se mostra ser tons de cinzento de várias tonalidades e aqui todas as aparências iludem, nada é o que parece ser.

Eu não estava à espera de encontrar um policial como o que acabei por encontrar. Foi um livro muito surpreendente, do início ao fim. A autora, Gillian Flynn tem uma forma de apresentar a história muito tentadora e muito cativante. Os cliffhangers que ela construiu no final de cada divisória do livro são perfeitos para agarrar o leitor à história. Deparando-me com tais reviravoltas, foi-me impossível deixar de ler o livro ou de ficar completamente boquiaberta ou ainda com a cabeça a nadar com as mil conjecturas.
Mas não foi apenas a construção do enredo e do livro que me deixou fascinada. Claro que a forma como a autora estruturou a obra, tem muito que se lhe diga e um dos principais factores que confere qualidade à história, mas não só. Na verdade, apesar de achar que este é um livro construído de uma forma muito, muito inteligente, foi a capacidade da autora de construir personagens que mais me cativou nesta obra.

Verdade seja dita que não esperava um policial com um conhecimento tão profundo da natureza humana, do bom e do mau e de todas as dimensões que se encontram pelo meio. Os tais tons de cinzento, aquelas atitudes que não conseguimos automaticamente considerar como boas ou más. E isso sim, deixou-me completamente siderada e maravilhada. A autora mostrou uma destreza muito confortável em construir o tipo de personagem que dá prazer ler, porque é desafiante. É incrivelmente complexa, com mil e uma naturezas dentro de um só corpo. Os protagonistas são duas personagens que cativam o interesse do leitor (a mim, neste caso) que é difícil transpor por palavras a quem ainda não leu o livro. Porque não os conseguimos odiar, mas algo nos impede de os idolatrarmos.

De algum modo senti que esta não é apenas uma história sobre um crime ou uma história de suspense. É um livro que nos mostra o espectro de emoções e reacções humanas e o espectro de comportamentos humanos que no fundo reflectem o que é ser humano, o que é estar numa relação – com alguns extremos é certo, mas foi um livro que me encantou por ter uma dimensão humana tão clara e tão importante. Recomendo a quem gosta de policiais e não só. Foi uma leitura muito boa.

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A Rapariga de Papel

Há apenas alguns meses, Tom Boyd era um escritor famoso em Los Angeles, apaixonado por uma célebre pianista. Mas na sequência de uma separação demasiado pública, fechou-se em casa, sofrendo de bloqueio artístico e tendo como única companhia o álcool e as drogas. Certa noite, uma desconhecida aparece em sua casa, uma mulher linda e completamente nua. Diz ser Billie, uma personagem dos romances dele, que veio parar ao mundo real devido a um erro de impressão do seu livro mais recente.
A história é uma loucura, mas Tom acaba por acreditar que aquela deve ser de facto a verdadeira Billie. E ela quer fazer um acordo com ele: se ele escrever o seu próximo romance, ela poderá regressar ao mundo da ficção. Em troca, ele ajuda-a a reconquistar a sua amada Aurore. O que tem ele a perder?

ISBN: 9789722526388 – Bertrand Editora / 2013 – 356 páginas

A Papisa Joana

Eu sou uma fã confessa do autor contemporâneo francês, Guillaume Musso. Desde o primeiro livro que li dele, já há alguns aninhos atrás, que ele me conquistou com as palavras mágicas com que ele constrói os seus romances. Os livros dele têm sempre algo diferente que os distingue de outros que andam por aí. Seja o supernatural, a forma como o autor constrói enredos e vidas inteiras à volta do Destino e do acaso, desde o primeiro livro que li que sinto esta diferença, este algo especial nas suas obras. Por isso mesmo é que este autor se encontra  na lista dos meus favoritos e tenho lido os livros dele à medida que saem cá em Portugal (infelizmente ainda não consigo ler francês fluentemente).

A história deste livro não foge à norma das outras obras do autor. O enredo começa com uma situação que desencadeia pequenos acontecimentos que à partida parecem não ter ligação mas estão todos interligados. O destino, o acaso estão sempre presentes nas vidas destes personagens e é sempre fantástico o leitor aperceber-se que um simples acto, como deitar um livro no lixo, pode modificar de forma brutal a nossa vida. É o tal efeito borboleta, que o autor sempre soube ilustrar magnificamente nos seus livros.
Neste livro, o escritor Tom Boyd encontra-se num estado depressivo devido a problemas amorosos e isso fá-lo entrar numa espiral de auto-destruição, o que leva a que não consiga escrever mais. Os amigos dele, que sempre o acompanharam desde a adolescência difícil, tentam ajudá-lo mas Tom simplesmente recusa-se a ser ajudado. E no entanto, Billie (uma personagem fictícia que ele próprio criou) entra na sua vida. A Rapariga de Papel, como acaba por ser conhecida, vem mudar a vida do escritor e obriga-o a encarar os seus problemas. E assim nasce uma história de amor, com contornos muito belos. A linha entre a ficção e a realidade esbate-se e unem-se.

Uma história belíssima e curiosamente original, este foi um livro que me agarrou logo aos primeiros capítulos. Muitas vezes digo, a brincar, que gostaria de casar com a imaginação de Guillaume Musso e a verdade é que, a cada livro novo que leio dele, fico maravilhada com dita imaginação. Este autor é muitíssimo original e as suas histórias são sempre mágicas, mas ao mesmo tempo bem reais. Têm uma dimensão humana forte, parte que aprecio muito também.

A escrita dele, está mais que provado (a mim pelo menos) que é maravilhosa e deliciosa. Sei que quando pego num livro deste autor, é praticamente impossível que me venha a desiludir. É como voltar a casa.

Este livro revelou-se fantástico também por ser um livro sobre livros. Adoro ler livros sobre livros, dá-me a sensação que estou a ter um momento de Inception. E a forma como o autor construiu esta história apaixonou-me. Chegando às últimas páginas, o autor arriscou com o final. Posso dizer que este pode ser considerado o final mais “seguro”, pelo que poderá não agradar a todos os leitores. Contudo, a mim satisfez-me pela simples razão de que é mais real e é possível ligar-me mais a este final. Senti que isto podia provavelmente acontecer noutra realidade, mas no mundo real mesmo assim. E é um final que permite que o leitor faça deste livro, mais seu. Foi o que eu fiz, pois este foi um livro que me deixou uma marca feliz na memória.

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O Herdeiro de Sevenwaters

Os chefes de clã de Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta, um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em que Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se transforma.
Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar as fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão o novo herdeiro de Sevenwaters, Clodagh é incumbida de cuidar da criança durante a convalescença da mãe.
A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso príncipe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes…

ISBN: 9789722518970 – Bertrand Editora / 2009 – 477 páginas

O Hobbit

Aisling, mulher de Lorde Sean, senhor de Sevenwaters, sempre desejou dar um filho ao seu marido. Contudo, sempre deu à luz meninas. Apesar de o casal estar orgulhoso de todas as suas belas filhas, para Aisling sempre foi um peso no seu coração saber que Sevenwaters iria ser herdada pelo seu sobrinho Jonhy, filho de Liadan e do temível Homem Pintado. Assim, quando recebe a notícia de que está grávida, Aisling tem a certeza que desta vez irá presentear Lorde Sean de Sevenwaters com o seu herdeiro. O seu primeiro filho. A gravidez é uma de risco e por isso, as oferendas às Criaturas Encantadas e aos deuses são muitas para que estes mantenham o futuro herdeiro em segurança. Mas sendo que as mudanças em Sevenwaters nos últimos tempos têm sido muitas, seria de imaginar que isso se reflectisse no universo das Criaturas Encantadas, pois muito também mudou no reino destas criaturas. O equilíbrio entre o Bem e o Mal já não é tão claro e as Criaturas Encantadas sempre gostaram de interferir com as vidas humanas. Assim, depois do herdeiro de Sevenwaters nascer, Clodagh que estava a cuidar do seu irmão, repara que o pequeno foi trocado por um duplo. Um duplo estranho, feito de troncos, folhas e retalhos da floresta. As suspeitas recaem sobre a própria Clodagh e sobre um guerreiro de Johny, Cathal, que desde que chegou a Sevenwaters mostrou ser uma pessoa única e muito fechada. Clodagh, decide então viajar para o reino das Criaturas Encantadas para ir buscar o seu irmãozinho e com ela tem Cathal para a ajudar, que parece ter um conhecimento instintivo sobre este reino encantado. Embora Clodagh rapidamente se aperceba que Cathal é mais para ela do que um simples guia, os segredos separam-nos irremediavelmente…

Sevenwaters foi primeiro uma trilogia, que contava com os títulos A Filha da Floresta, O Filho das Sombras e por fim, A Filha da Profecia. Contudo, a autora decidiu alargar o número de livros que falam sobre este universo e para esse efeito escreveu mais três livros, respectivamente intitulados: O Herdeiro de Sevenwaters, A Vidente de Sevenwaters e A Chama de Sevenwaters (estes dois últimos, publicados pela editora Planeta). Ainda que o último só saia a 26 de Junho, é bom saber que as editoras não desistiram de publicar esta autora.
Desde que tive o prazer de conhecer esta autora que não quero mais nada. Tenho seguido a saga de Sevenwaters com sofreguidão e com muitas emoções à mistura. O primeiro livro não me mostrou de maneira nenhuma todo o potencial desta saga. De facto, foi pelo segundo livro que me apaixonei, pois considero que tem, na medida certa, todos os ingredientes que fazem de um livro, um bom livro: acção, romance, mistério e fantasia. Por essa razão, as minhas expectativas, sempre que pego num novo livro da autora, são muito elevadas. Até agora, não me posso queixar. A autora ainda não me desiludiu e assim espero que continue.

A começar pela sua escrita, que é uma narrativa belíssima, construída de maneira a que os leitores se consigam envolver na totalidade. Adoro a forma como a autora conta histórias. A maneira como introduz o fantástico dentro dos seus universos. Os seus personagens também são contadores de histórias e é fantástico todas aquelas pequenas narrativas que, fazendo parte do enredo principal, acabam por embelezar ainda mais o retrato geral. Sempre que leio um livro de Juliet sinto-me parte integrante daquele universo, envolvo-me sempre na totalidade na vida das personagens e na narração da autora. Sinto que é uma leitura que me transporta completamente para a floresta, para aquele mundo encantado que está à distância de uma página.
Ao começar esta leitura encontrava-me um pouco receosa que a autora estivesse a esgotar o tempo útil deste universo, por assim dizer. Sendo que os planos originais eram que este universo fosse explorado numa trilogia, tive receio que estes livros seguintes poderiam ser piores que aqueles que constituíram a trilogia original.
Não posso dizer que este livro me tocou tanto como o fez o segundo, O Filho das Sombras, mas também não posso dizer que este livro é pior que a trilogia. De facto, é exactamente o contrário. Fico contente que a autora tenha conseguido continuar a explorar o universo de Sevenwaters sem arruinar a magia da primeira trilogia.

Clodagh, que no livro anterior não foi muito mencionada, mostrou ser uma protagonista à altura. Uma heroína que se revelou à altura da sua missão e que tornou a história muito mais interessante. Cathal, não foge à regra no que toca aos personagens masculinos de Juliet. A autora cria sempre heróis fabulosos. O romance dos dois foi, como sempre, uma belíssima história de amor como a autora também já nos habituou.  Por outro lado, o Sean, que sempre foi um personagem que apreciava pela sua força e integridade, desiludiu-me um pouco. Ainda que possa perceber o que está por detrás das suas acções, não esperava que a sua força de carácter e a confiança que tem nos filhos fosse abalada com tanta facilidade.

Como sempre, foi um livro que misturou na perfeição vários elementos chave – o romance, a acção/fantasia, o mistério e intriga. Juliet Marillier continua a dar cartas no universo fantástico e eu, continuo a ficar maravilhada com os seus livros e com o universo de Sevenwaters. Como não podia deixar de ser, fico muito contente por ainda ter dois livros para ler e confesso que me sinto muito curiosa com o que as duas próximas obras podem trazer. A Vidente de Sevenwaters já se encontra em lista de espera e será um dos próximos livros que lerei. Até lá, esperarei com ansiedade entrar novamente nos livros de Juliet.

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A Filha da Profecia

Fainne foi criada numa enseada isolada na costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre as artes mágicas. Esta existência pacífica será ameaçada em breve, e a vida de Fainne jamais será a mesma, quando a avó, a temida feiticeira Lady Oonagh, se impõe na sua vida. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira conta a Fainne que tem um legado terrível: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros e foras-da-lei, incutindo nela um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, a execução de uma tarefa que deixa a jovem aterrorizada. Enviada para Sevenwaters, com objectivo de destruí-la, vai usar todos os seus poderes mágicos, para impedir o cumprimento de uma profecia.

ISBN: 9789722512718 – Bertrand Editora/ 2002 – 476 páginas

O Hobbit

Depois dos acontecimentos do livro O Filho das Sombras, várias perguntas são deixadas sem resposta. Uma profecia é deixada em aberto, com muitas possibilidades para a sua realização. Este terceiro volume da saga Sevenwaters vem precisamente responder a isso tudo e é de certa forma, um fechar de um ciclo neste universo. Fainne foi criada nas enseadas de Kerry, com apenas o seu pai e os nómadas que passam por ali, como companhia. A sua educação nas artes da magia foi exigente, pois a sua herança é pesada. A sua avó, a temida e muito conhecida Lady Oonagh, tem planos para Fainne. De facto, Lady Oonagh pretende que Fainne impeça que a profecia se realize, na batalha pela conquista das Ilhas, o último lugar sagrado e um espaço essencial para a fé dos que chamam Sevenwaters, casa. Para que isto aconteça, Fainne é enviada para Sevenwaters para conhecer a sua família e assim insinuar-se naqueles círculos. Uma tarefa essencial para a sua missão ser bem-sucedida. Contudo, o que Fainne não estava era que os habitantes de Sevenwaters se insinuassem, eles próprios, no seu coração.  E mais cedo do que esperava, será obrigada a fazer uma escolha que irá determinar o resto da sua vida.

Foi a partir da minha rubrica Desafio aos Leitores que comecei a ler esta autora, mais cedo do que mais tarde (obrigada leitores, são fantásticos). Como é perceptível, fiquei rendida a esta saga e a este mundo de Sevenwaters, pelo que não tenho feito mais nada se não ler os livros que constituem esta saga. Este é o terceiro volume e o quarto já se encontra em lista de espera, para ser lido muito brevemente. Fiquei especialmente rendida ao segundo volume, Filho das Sombras. O livro tocou-me de maneira especial. Já dizia o povo, no meio é que está a virtude e de facto, consigo perceber porquê. Certo é que depois daquele volume perfeito, as minhas expectativas estavam quase impossivelmente altas e sabia que seria muito difícil este livro suplantar o livro de Liadan e Bran.
Conforme esperava, a leitura não se revelou tão boa quanto esperava, mas ainda assim, posso dizer que o mundo de Sevenwaters não me deixa ter descanso. Estou completamente viciada nas tramas deste universo. E fã da autora, que promete fazer-me sentir muito mais coisas com as suas restantes obras.

Em termos narrativos, não há nada de novo a acrescentar ao que já tenha dito antes. Juliet Marillier é uma exímia contadora de histórias e a sua narrativa é incrivelmente cativante. Tem momentos de ternura, de aflição, de tensão e de muita acção. Mas sem dúvida, é uma escrita muito emocional que não deixa nenhum leitor indiferente. Isso é notável para mim, pois como leitora, dou muita importância ao facto de conseguir relacionar-me com a história e com os personagens que a constituem. Sentir o que eles sentem, sofrer com eles e amar com eles. É o que, invariavelmente, tem acontecido nesta experiência com a autora. Este A Filha da Profecia não foi nenhuma excepção nesse prisma. A escrita está ao mesmo nível que os anteriores e confesso que estava ansiosa para saber o que este livro viria trazer para Sevenwaters e para a família que guarda este domínio. Estava igualmente ansiosa para rever os meus queridos personagens Liadan e Bran. Este livro tinha particular interesse para mim porque se foca mais na herança de magia que Lady Oonagh deixa aos seus descendentes. Sendo que não foi um prisma explorado noutros livros, estava particularmente interessada em conhecer o mundo da feitiçaria.

Este foi um livro que se destacou dos outros por várias razões, uma das quais, exactamente a que mencionei acima. A outra é a heroína, Fainne, que se destaca das outras heroínas que já conhecemos. E confesso que me sinto dividida quanto a Fainne. Por um lado gostei do facto de ela ser diferente. Trouxe várias coisas novas e para mim representou um desafio, pois durante a leitura nunca tive a garantia – a não ser a alguns capítulos do final – de que ela ia fazer as escolhas correctas (embora lá no fundo saiba que a autora não faria tal coisa, por outro lado, a minha leitura emocional revelou ser muito mais irracional no que concerne a esse aspecto). Por essa perspectiva, foi uma heroína que trouxe vivacidade ao enredo e fez com que a leitura fosse feita de uma forma mais intensa, sempre na expectativa. Contudo, apesar de tudo isso, não posso dizer que me senti tão ligada a esta personagem como aconteceu com Liadan ou até com Sorcha. Talvez porque a própria personagem se mantivesse à parte do restante núcleo de personagens. Talvez porque as minhas expectativas eram incrivelmente altas. Poderia apresentar uma lista grande de “talvezes“, mas não foi uma heroína que me dissesse tanto e isso acabou por se revelar no final da leitura.

Esta leitura também se revelou menos frutífera que a anterior pela falta de interacção entre os protagonistas românticos deste volume. Embora não conteste isto, porque a história acabou por encaixar na perfeição, creio que esperava uma atitude diferente da parte da autora. E no final, soube-me a pouco. Esperava mais da história entre Darragh e Fainne. E confesso que, chegando ao final, por tanto sacrifício que Darragh fez, Fainne teve a sua vida facilitada apesar das tantas recusas que ela proferiu. Por todos esses factores, não posso dizer que este terceiro volume tenha ganha um lugar cimeiro nas minhas escolhas favoritas. Por outro lado, também não posso dizer que tenha ficado indiferente a este livro. E decerto não posso dizer que não quero mais deste mundo, muito pelo contrário. O Herdeiro de Sevenwaters já está na lista de espera, pelo que será dos próximos que lerei.

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O Filho das Sombras

As florestas de Sevenwaters lançaram o seu feitiço sobre Liadan, a filha de Sorcha, que herdou os talentos da mãe para curar e penetrar no mundo espiritual. Os espíritos da floresta avisam-na de que, para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões, Liadan deverá permanecer em Sevenwaters.
A Irlanda está agora em guerra, e as suas costas são assoladas por atacantes. Entre os inimigos há um que se destaca: o Homem Pintado, que granjeou uma reputação terrível de mercenário feroz e astuto, e que espalha o terror por onde quer que passe.
Ao regressar a casa, Liadan é capturada pelo Homem Pintado. Porém, este acaba por se revelar bem diferente da lenda, e apesar da antiga profecia que a obrigava a permanecer em Sevenwaters, a jovem sente-se atraída por ele. Mas poderá ela viver o seu amor sem que a maldição recaia sobre Sevenwaters?

ISBN: 9789722520362 – Bertrand Editora / 2009 – 462 páginas

A Papisa Joana

Depois de quebrar o feitiço que foi lançado a si e aos seus irmãos, Sorcha pensou que a tempestade tinha passado de vez e que a sua família e as florestas do domínio de Sevenwaters estariam para sempre seguras. Mas algo está para vir, como muito bem sabem os espíritos que residem nas florestas que rodeiam Sevenwaters. Liadan sente o mesmo e mesmo à frente dos seus olhos, vê a sua família desintegrar-se, afundados em segredos, meias-verdades e histórias mal explicadas. Novas alianças são criadas e novos planos para reconquistas as Ilhas são estudados. Vivem-se tempos complicados e instáveis. É na sua jornada de regresso a casa, após ter acompanhado a sua irmã Niamh ao seu novo rumo,  que Liadan é raptada por vários homens que lhe exigem que cure um dos seus companheiros que ficou ferido com bastante gravidade. É nestas circunstâncias que Liadan (que promete fazer o possível pelo ferido) conhece o temido Homem Pintado, conhecido em toda a Irlanda e arredores por ser um mercenário, sem qualquer tipo de bom-senso ou julgamento. Todos o temem. Liadan contudo, rapidamente se apercebe que talvez este homem é injustamente julgado. E quando realmente começa a conhecer o homem que se encontra por detrás das suas tatuagens, apercebe-se que algo a liga a este homem. Algo mais profundo do que amor. É uma ligação antiga, de tal modo, que Liadan sabe nas profundezas do seu coração que pertence a este homem. Mas, a vida que o Homem Pintado leva, não permite afectos duradouros e assim Liadan acaba por ter em mãos uma escolha impossível – ficar com o homem que ama mas sofrer com isso, ou voltar a casa, onde sabe que pode levar uma vida feliz mas incompleta?

Este é o segundo volume da trilogia/série Sevenwaters (ou aquilo que originalmente era uma trilogia, mas que entretanto se transformou numa série). A minha primeira experiência com esta autora fez-se com o livro A Filha da Floresta, precisamente o primeiro volume da saga que gira toda ela, à volta do domínio de Sevenwaters. A protagonista do primeiro é a Sorcha e a protagonista deste segundo é a sua filha, Liadan. Tendo adorado a primeira experiência em Sevenwaters, encontrava-me ansiosa para voltar a este mundo de fantasia rico e detalhado.
Comecei a leitura com altas expectativas e com receio que este volume pudesse revelar-se não ser tão bom quanto o primeiro. E acabei por apaixonar-me por este livro. De tal modo que se tornou um dos meus novos favoritos, uma lista que este ano tem crescido com alguma rapidez. Este livro tem tudo o que eu procuro numa leitura perfeita. Um enredo cativante, um imaginário muito bem estruturado, descrições lindíssimas, ricas e detalhadas, contexto cultural, misticismo e ouro sobre azul – uma belíssima história de amor com personagens fortes e vulneráveis ao mesmo tempo.
A escrita de Juliet Marillier já me tinha surpreendido no livro anterior, por ser uma narrativa complexa, que desenvolve com vagar. Mas é uma escrita que nos envolve sem igual. Entrar num livro de Juliet faz-me lembrar a hesitação em entrar na água do mar, quando esta está fria. Começamos por molhar os pés e aos poucos entramos na água, tentando fazer com que o corpo se habitue à temperatura. Quando damos por nós, já mergulhámos e a água estão tão boa que não queremos sair mais.
É assim que me sinto quando abro um livro da autora. Envolvida, sem vontade de sair deste mundo.

Em termos narrativos, não podia estar mais satisfeita. A autora mostra dedicação a criar um universo tão rico e creio que poderia viver em Sevenwaters, para sempre felicíssima da vida (mesmo que isso implique algumas confrontações com as criaturas encantadas). Contudo, este segundo volume foi mais especial para mim do que o anterior. Achei que a história foi mais intensa, mais emocional e todo o livro demonstra uma tensão, um equilíbrio muito delicado entre aquilo que é e o que de um momento para o outro, pode vir a ser. É impossível não começar a roer as unhas ao pensar nas várias possibilidades. E a autora lida muito bem com isso. Vai, durante todo o livro criando expectativa e deixa o leitor num estado de ansiedade tal, à procura de respostas, quase até ao final do livro.
O casal que protagoniza este livro, Liadan e Bran, é algo indescritível. Vivi as emoções deles a cada capítulo, a cada palavra.
Angustiei com Liadan e sofri com ela. Quando um livro nos faz sentir tanto em tão poucas páginas, é porque é realmente algo especial.

Fiquei deliciosamente viciada nos livros desta autora e ao acabar este segundo volume, só conseguia pensar que tinha de ler o terceiro, porque é impossível aguentar sem saber o que virá a seguir. Sinceramente, nunca esperei vir a gostar tanto dos livros desta autora, mas creio que provavelmente fiquei a conhecer as suas obras na altura certa. Além da escrita e do ambiente em que estas obras nos envolvem, gosto particularmente da possibilidade de acompanhar a família de Sevenwaters por diversas gerações.  Como leitora, não resisto a sentir que estou a crescer com esta família, a acompanhar cada nova geração a cada novo desafio. É um bom sentimento e apenas um dos factores que mais me faz adorar estes livros. Um livro para reler, sem qualquer dúvida. Muitas e muitas e muitas vezes.

Adorei cada página deste livro. E claro, já passei para o terceiro, como é óbvio.

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Extremamente Alto e Incrivelmente Perto




Oskar Schell tem nove anos e é inventor, francófilo, tocador de tamborim, ator shakesperiano, joalheiro, pacifista. Além disso, está a empreender uma busca urgente e secreta através das cinco zonas de Nova Iorque a fim de encontrar a fechadura onde entra uma chave misteriosa que pertencera ao pai, morto no atentado contra o World Trade Center. Oskar, uma inspirada criação do autor, é encantador, exasperante e inesquecível.
 


ISBN: 9789722524230 – Bertrand Editora / 2012 – 456 páginas
 
Thomas Schell tinha uma reunião num dos edifícios do World Trade Center. No dia 11 de Setembro de 2001, encontrava-se no pior sítio à hora errada. A sua mulher e o seu filho acabam por ter um funeral sem corpo. Contudo, Oskar de nove anos, não consegue lidar com a perda abrupta do seu pai, o seu melhor-amigo, a pessoa mais inteligente do planeta. Na tentativa de compreender o desaparecimento do pai, Oskar vai andar numa jornada por toda a cidade de Nova Iorque onde conhece múltiplas personalidades interessantes. Se é o suficiente para manter o seu pai vivo na sua memória e no seu coração, só o tempo o determinará. Mas por enquanto, a dor de Oskar é tão viva que quase se pode sentir e o menino de nove anos tenta, desesperadamente, agarrar-se àquilo que o seu pai deixou para trás. 
 
Esta foi a minha estreia com o autor Jonathan Safran Foer, apesar de ter outro livro da sua autoria na minha lista de livros para ler. Já tinha ouvido falar maravilhas desta obra e também da sua adaptação cinematográfica. Este livro foi-me recomendado por uma amiga, que sabe tão bem quanto eu o tipo de livros que eu gosto e quais são as melhores alturas para eu os ler e portanto foi com algum sentimento de segurança que comecei esta leitura. Segurança porque sabia que ia gostar deste livro. Tinha algumas expectativas, mas nem nunca ponderei não gostar deste livro. 
Contudo, aquilo que não esperava era encontrar um livro assim. 
Este livro devia vir com um aviso na capa. Este livro vai agarrar o seu coração, rasgá-lo ao meio, abaná-lo mil e uma vezes até o deixar tonto e vai tocar em cada emoção do seu corpo e espírito até o deixar desgastado, a respirar pesadamente. Vai desejar mil e uma vezes parar a leitura, simplesmente porque acha que o seu coração não consegue aguentar tanta emoção ao mesmo tempo. Vai querer chorar e vai querer fazer o seu luto com o pequeno Oskar. 
 
Este livro para mim foi uma montanha-russa de emoções. Algo que me deixou completamente arrasada quando cheguei ao final do livro. As palavras que escrevo na minha opinião parecem-me de certa forma insuficientes para descrever o que senti ao ler este livro. A experiência de ler este livro é algo pesada e algo que me traz memórias tristes à cabeça e ao coração. A escrita do autor é daquelas que são inegavelmente emocionais e onde em cada palavra se sente o peso do mundo. O livro concentra-se em três pontos de vista diferentes. O do Oskar, o de um homem que perdeu as suas palavras e que agora tem o silêncio como seu companheiro. Comunica através da escrita e de gestos. E o último ponto de vista é através da avó de Oskar que é uma mulher não só corajosa, mas persistente. É um poço de força, mesmo que não pareça. É o pilar desta família. 
 
A edição é muito interactiva. O autor comunica com os seus leitores através das suas palavras e da sua narrativa, mas conta a sua história também através de imagens, o que torna este livro, este relato muito mais real. Muito mais assustador. Muito mais intenso. Não é um livro alegre, é um livro repleto de dor. Mas também cheio de sorrisos. Cheio de riqueza sentimental. Repleto de amor. E de incompreensão. E de lealdade. Na minha modesta opinião, creio firmemente que é impossível ficarmos indiferentes a esta obra. 
Contudo, se somos ou não conquistados por este relato é outra história. Eu fui conquistada logo às primeiras páginas e não creio que consiga explicar exactamente porquê. Mas ao chegar ao fim da viagem, senti-me compreendida por Oskar. Senti que há por aí alguém que consegue compreender esta coisa de perdemos alguém abruptamente, sem explicação. 
Não vou mentir, provavelmente estarei um pouco influenciada no que toca à forma como vi este livro. A verdade é que é foi um livro que me tocou profundamente em todos os sentidos.
 
A temática do ataque ao World Trade Center é outra à qual é impossível ficar indiferente. Ainda era nova quando o ataque terrorista se deu, mas lembro-me perfeitamente, como se fosse ontem de ver as reportagens na televisão e o choque que foi. Confundida, perguntava aos meus pais como é que era possível, como é que alguém era capaz de fazer aquilo. Percebia, até certo ponto o que se passava, mas não conseguia na verdade acreditar na total dimensão da tragédia. Ler sobre o após tragédia neste livro, foi algo que me fez abrir os olhos, de alguma forma. E sofrer, por outra. Não me consigo imaginar estar no lugar das famílias das vítimas e não me consigo imaginar no lugar das próprias vítimas. Lembro-me das imagens de pessoas a atirarem-se das janelas e ainda hoje me arrepio quando penso nisso. São imagens fortíssimas que serão aterradoramente eternas. 
 
Um livro sem igual. 

A Filha da Floresta

Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis irmãos.
 
O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e mantêm as armas afiadas. O maior perigo para este idílio vem de dentro: Lady Oonagh, uma feiticeira, que casou com o pai de Sorcha, senhor de Sevenwaters. Frustrada por conseguir encantar todos menos a enteada, Oonagh lança um poderoso feitiço sobre os irmãos da rapariga, que só Sorcha poderá conseguir quebrar. Porém, a meio da pesada tarefa de libertar os irmãos, Sorcha é raptada por um grupo de salteadores, e ver-se-á dividida entre o dever de salvar a vida dos irmãos e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou.
ISBN: 9789722511971 – Bertrand Editora / 2001 – 448 páginas
 
Sevenwaters é uma região que faz parte de Erin, antiga Irlanda. É uma região algo misteriosa, com os seus costumes encantadores, tradições seculares e lendas maravilhosas. Quem governa este domínio é Lord Colum, que vive aqui com os seus sete filhos. Seis rapazes e uma menina, Sorcha. A sua mulher morreu já há alguns anos, deixando a Lord Colum e aos filhos o trabalho de proteger a única filha dos males deste mundo. Lord Colum, sempre ocupado em campanhas militares, na guerra contra os Bretões, pouca atenção dá à filha, visto que esta lhe faz lembrar a sua amada mulher. E os filhos representam uma ajuda preciosa nas suas batalhas. 
Os sete irmãos estão assim destinados a tomar conta de si mesmos, sem direcção do seu pai a não ser as visitas ocasionais, como senhor da casa. Contudo, algo de mau está para acontecer e estes sete irmãos vão ter que passar por uma jornada muito difícil. Sevenwaters corre o risco de desaparecer e com ele o legado da família de Sorcha. 
Os piores receios desta família tornam-se realidade quando Lord Colum anuncia que irá desposar Lady Oonagh, uma mulher aparentemente encantadora, mas com um interior completamente vazio e maldoso. Esta acaba por lançar um feitiço aos habitantes de Sevenwaters, mas os seis irmãos acabam por ser transformados em cisnes, animais selvagens sem qualquer consciência humana e assim o domínio de Sevenwaters cai em mãos alheias. Sorcha é a única que poderá desfazer este feitiço e libertar os seus irmãos. Mas a jornada que se prepara para a pequena Sorcha é uma que se revela longa e complicada e as Criaturas Encantadas, que povoam as florestas de Sevenwaters, nem sempre são um aliado na sua demanda. 
 
Juliet Marillier é uma autora conhecida e reconhecida em todo o mundo. É tida como uma das melhores de fantasia de todos os tempos. A sua capacidade mais prezada é a de conseguir pegar em contos e lendas e trabalhar com este material mantendo o núcleo praticamente inalterado, mas trabalhando os outros elementos a seu favor, moldando os seus personagens e os seus enredos, até criar lendas vivas com a sua marca única. A sua habilidade narrativa, responsável pela criação de tantos e tão belos mundos e realidades, continua a tocar várias gerações. Adolescentes, adultos – toda a gente lê esta autora e poucos são os que dizem que os seus livros não os marcaram de alguma forma especial. 
Eu aparentemente, era a excepção até este livro ter sido um dos mais votados no meu Desafio aos Leitores
A minha ignorância sobre esta autora não era total. De facto, já muitas vezes tinha ouvido falar bem das suas obras, mas sendo que fantasia nunca fez parte dos meus géneros literários favoritos, nunca tive oportunidade de dar atenção a esta autora. Contudo, nos últimos 2/3 anos tenho tentado explorar outros géneros e abrir o meu leque de leituras. Como anteriormente outros livros já me provaram, posso estar a perder muita coisa boa. 
E a verdade é que hoje em dia, leio um pouco de tudo e as surpresas nunca acabam. Este A Filha da Floresta, naquele que marca o início de uma trilogia sobre o domínio de Sevenwaters, foi outra desta surpresas não só dentro do mundo da fantasia, mas dentro do mundo da literatura. 
 
Entrei para esta aventura sem qualquer tipo de expectativa. Sem saber muito bem o que podia encontrar, foi com algum vagar que entrei deste mundo maravilhoso de Sevenwaters. A escrita da autora é daquelas únicas. Não posso dizer que seja uma escrita leve, de absorção rápida e indolor. Não. Na verdade, achei a escrita e a narrativa desta autora muito densas, mas igualmente ricas. É uma leitura que se faz com vagar, de modo a absorver todo e qualquer pormenor. Não achei uma leitura fácil, mas achei uma leitura mais proveitosa que outras por causa disso mesmo. As descrições e a construção do enredo foi algo muito trabalhado e isso nota-se conforme se avança na leitura. A imaginação é o melhor companheiro para esta leitura. Com as descrições das paisagens, este livro tem uma componente visual muito grande, como qualquer outro dentro do mundo da fantasia, na verdade. 
Ajuda a que esta construção seja feita de modo algo gradual, no entanto. Conforme o leitor se embrenha neste mundo, a autora vai enriquecendo o enredo com mais descrições e mais pormenores. A dimensão fantástica deste livro foi aquilo que mais me entusiasmou, paradoxalmente àquilo que achava/acho sobre este género literário. Adorei a forma como ela manipulou as lendas antigas e a forma como trabalhou este universo do imaginário. 
 
No que toca às personagens, os elogios também são muitos. Há uma dimensão muito real em todos os intervenientes desta história e deste mundo. É impossível não nos sentirmos ligados a estas personalidades, nem que seja empatia ou pena pelo sofrimento de Sorcha ou ódio pelos vilões. Contudo, a verdade é que sentimos algo por estes personagens. Os protagonistas são aqueles a que provavelmente nos sentimos mais ligados, por razões óbvias. Contudo, o potencial e o talento que Juliet tem para criar personagens complexas e completas encontra-se neste primeiro volume em grande ênfase. A minha personagem favorita neste volume foi Red. Adorei a consistência dele, a boa natureza deste homem, o exemplo que ele dá à sua comunidade. A sua persistência e a sua paixão em tudo o que faz foi estonteante. O seu irmão, Simon, deixou-me igualmente curiosa e é uma personagem que espero ver num futuro próximo. 
 
Dito isto, o balanço que faço deste livro é um muito positivo. Na verdade, a única coisa com a qual fiquei insatisfeita foi com os vilões e o fim destes intervenientes, por assim dizer. O leitor passa grande parte do livro a sofrer com os infortúnios dos personagens mais ‘virtuosos’, mas de certa forma, os vilões acabaram por não ser explorados da mesma forma que outras personagens foram. Não me pareceu que existisse um verdadeiro equilíbrio entre a construção das personagens e a construção dos vilões. Não fosse isso, provavelmente diria que este livro era material 5 estrelas, pois tem de tudo: acção, mistério, muita riqueza narrativa e uma belíssima história de amor.
Apesar de tudo – uma estreia em grande, diria eu.
 
 
 
 
 
 

A Colónia do Diabo

Ao fundo das Montanhas Rochosas, a terrível descoberta de centenas de corpos mumificados desperta a atenção internacional e provoca uma acesa controvérsia. Apesar das dúvidas quanto à origem desses corpos, a comissão local da Herança Nativa Americana reivindica os restos mortais pré-históricos, assim como os estranhos artefactos encontrados na mesma gruta: placas de ouro gravadas com uma escrita desconhecida. No decorrer de uma manifestação no local da escavação, uma antropóloga tem uma morte horrível e é reduzida a cinzas numa violenta explosão à vista das câmaras de televisão. 
Todas as provas apontam para um grupo radical de nativos americanos, do qual faz parte uma jovem militante que consegue escapar com algumas dessas valiosas placas. Perseguida, ela pede ajuda à única pessoa que poderá ajudá-la: o seu tio, Painter Crowe, diretor da Força Sigma. Para ajudar a sobrinha e descobrir a verdade, Painter dá início a uma guerra entre as mais poderosas agências de espionagem do país. Surge contudo uma ameaça ainda maior quando uma assustadora reação em cadeia nas Montanhas Rochosas provoca uma catástrofe geológica que põe em perigo a metade ocidental dos E.U.A. 
Painter Crowe une forças com o comandante Gray Pierce para desvendar os segredos de uma sombria cabala que manipula a história americana desde a fundação das treze colónias. Mas conseguirá Painter descobrir a verdade – e causar a queda de governos – antes que tudo o que lhe é caro seja destruído?

ISBN: 9789722524834 – Bertrand Editora / 2012 – 496 páginas

Dois amigos decidem fazer uma exploração a uma gruta que está envolta em inúmeros mitos e superstições, herança cultural dos índios nativos dos Estados Unidos da América. O mito que envolve esta gruta nas Montanhas Rochosas diz que quem tentar sair da mesma, acabará por provocar a tragédia pelo mundo fora. Talvez até o fim do mesmo. Da existência como a conhecemos. Estes jovens acabam por encontrar uma realidade assustadora dentro desta gruta: estava cheia de restos humanos. Um dos jovens acaba por sair e depois da gruta ser estudada por especialistas acabam por verificar que os restos humanos que ali se encontram não são propriamente nativo americanos. A confusão instala-se e o mistério tem de ser resolvido o quanto antes, antes de os meios de comunicação social se apercebam do que aquela gruta encerra. 
Contudo, as coisas complicam-se porque esta gruta tinha ouro e um artefacto valioso. No entanto, esse artefacto provocou uma explosão que matou um dos estudiosos e a Sigma acaba por entrar em acção, para tentar perceber o que é que despoletou a explosão e também perceber porque é que os restos que foram encontrados naquela gruta não são nativo americanos, como deveriam ser. 
Cientistas no outro lado do mundo acabam por perceber que os responsáveis por aquela explosão são nanopartículas que foram perturbadas quando o artefacto da gruta foi retirado do seu local de repouso. 
Agora, no meio da confusão, a Sigma vê o seu inimigo de sempre, que nunca está muito longe entrar no meio deste mistério e tentar roubar-lhes o ouro. 
É uma viagem ao passado dos Estados Unidos da América, até ao tempo das colónias que não nos deixa um minuto para respirar.

James Rollins é um autor conhecido pelo seu espírito de aventura. Todos os seus livros são romances dignos de filmes como Indiana Jones ou O Tesouro. Na verdade, James Rollins escreveu um livro baseado no filme Indiana Jones e  Reino da Caveira de Cristal. Portanto estão a ver o que se pode esperar dos livros dele. Muita pesquisa histórica, mestria em misturar facto e ficção e muitos tiros, muitas fugas e corridas estonteantes no meio das páginas destes livros. 
O autor tem uma série, do qual este livro faz parte, que se intitula Força Sigma. Este A Colónia do Diabo é já o sétimo livro desta série. A colecção era editada pela Difel, editora que entretanto entrou em processo de falência. A Bertrand pegou neste autor e continuou a publicar os seus livros.
Para que saibam, eu já li todos os livros desta série e sou fã, por isso é com imenso agrado que vejo que a Bertrand investiu neste autor. Eu recomendo sempre que os livros sejam lidos por ordem, porque cronologicamente faz mais sentido. Mas na verdade, não existe qualquer impedimento para que os livros sejam lidos individualmente. 

Há bastante tempo que não lia nada do autor. Desde o último livro da série até à leitura deste ano, creio que passou mais de um ano e por isso posso dizer que sentia algumas saudades da escrita do autor. O que mais gosto nos seus livros é a forma como ele mistura factos com ficção, de forma a que o leitor quase que fica convencido que aquilo que é ficção pode realmente ser verdadeiro. O autor também faz um ponto de honra em todos os seus livros, que é destrinçar aquilo que é facto e aquilo que ele escreve como ficção. É fantástico para os leitores perceberem o que é inventado e onde está a base verdadeira. 
A escrita do autor é cheia de ritmo e dinâmica. Há poucos momentos parados neste livro e a verdade é que em todos os momentos se sente muita adrenalina, de maneira que quem está deste lado, parece que mergulha nas páginas e vai fazer companhia aos protagonistas do livro.
Tendo em conta que já li todos os livros anteriores desta série, posso dizer que foi um prazer voltar a encontrar personagens que já conheço há algum tempo. Apesar do meu hiato ter sido comprido, rapidamente me vieram à memória pormenores que pensei estarem esquecidos. 

Gostei particularmente do caso que a força Sigma deste livro está a tentar desvendar. A história americana é muito rica em mitos, mistérios e superstições e por isso foi muito interessante ler sobre os Founding Fathers da América, sobre as origens dos nativos americanos e sobre a cultura – riquíssima – deles. E mais ainda, gostei de aprender algumas coisas sobre a nanotecnologia, que cada vez mais, é algo importante e fundamental para a evolução da nossa ciência. 

Este livro deixa no ar uma pergunta muitíssimo importante, que vai marcar a mudança de rumo desta série. Estou ansiosíssima para ler o oitavo livro desta série e estou a cruzar os dedos para que a Bertrand continue a publicar esta série. 

Para quem gosta de mistérios, aventura, níveis elevados de adrenalina, esta é uma boa aposta. 

O Que Seria Eu Sem Ti?

Gabrielle tem dois homens na sua vida. Um é o pai, o outro, o seu primeiro amor. Um é um grande polícia, o outro um célebre ladrão. Desapareceram os dois há muito, deixando-lhe um vazio imenso no coração. No mesmo dia, à mesma hora, ressurgem para lhe inquietarem a vida. Conhecem-se, detestam-se, defrontam-se num desafio mortal. Gabrielle recusa-se a escolher entre os dois, gostaria de os manter na sua vida, de os aproximar, de os amar a ambos. Mas existem duelos em que a morte é o desfecho inevitável. A não ser que… 


Dos telhados de Paris ao sol de São Francisco. Um primeiro amor que ilumina toda uma vida. Uma história envolvente, repleta de amor e fantasia.



ISBN: 9789722522304 – Bertrand Editora / 2011

A mais recente obra de Guillaume Musso publicada em Portugal conta-nos a história de Gabrielle e das duas pessoas que realmente importam na sua vida. 
Um é o pai, que é um célebre ladrão de obras de arte. No entanto, os roubos de Archibald têm uma motivação complexa por trás de tudo e a pessoa que se encontra altamente capacitada para desvendar todos estes motivos é Martin, polícia especializado em roubos culturais, onde se inserem os objectos de arte mundial que Archibald rouba e junta ao seu espólio. 

No entanto, Martin não é um polícia qualquer. De momento, é um homem com um passado algo complicado e com assuntos inacabados. Isto tudo porque há uns anos atrás, a estudar em São Francisco conheceu o amor da vida dele – Gabrielle.
Contudo, sendo tão jovens quanto eram na altura, o romance acabou  prematuramente e sem explicação e Martin viveu o resto dos anos com a mágoa de ter perdido aquela que amava acima de todas as outras coisas. Separados por milhares de quilómetros de distância, os anos rapidamente passaram sem qualquer contacto entre os dois…mas na mente e no coração de cada um, o outro ainda persiste. E o sentimento que os uniu, tal como a dor que os separou ainda se mantêm firmes no espírito de cada um.

Archibald, elemento comum entre os dois, vai acabar por revolucionar a vida de cada um deles e vai também revolucionar o futuro dos dois. Se é destino ou não, a verdade é que Martin e Gabrielle voltam, anos depois, a reencontrar-se na cidade de São Francisco onde os velhos sentimentos e ressentimentos voltam a insurgir-se na superfície e embora ambos queiram retomar a relação no ponto onde a deixaram, há velhos assuntos  que têm de ser esclarecidos para que ambos consigam seguir o seu próprio caminho sem o fantasma do passado sempre na sombra…      
Não é segredo nenhum que Guillaume Musso é um dos meus autores favoritos de sempre. Já li todos os livros dele (menos o último que ele publicou intitulado The Girl on Paper, que ainda não saiu em terras lusas) e não consigo enjoar das narrativas dele. Os seus livros têm sempre um elemento que os torna especiais e que me faz apreciá-los da maneira como os aprecio. Não só a escrita do autor é inigualável, mas a forma como ele constrói os seus enredos e lhe dá um sabor fora do normal, é completamente fora de série. Apesar de todos os seus livros terem um pequeno elemento sobrenatural, o autor introduz esse elemento de forma a que o leitor acabe por acreditar plenamente que aquelas circunstâncias e situações poderiam de facto acontecer na vida real. E é isso que a meu ver torna estes livros tão diferentes e por isso, tão especiais. 
Nos 6 (se não estou em erro) livros que já li, não existiu nenhum que me desiludisse ou que não me envolvesse por completo e Guillaume Musso continua assim, a ser um autor de referência para mim. 

Em relação ao O Que Seria Eu Sem Ti?, posso dizer que mais uma vez, o enredo flui de uma maneira extraordinária e a criatividade e originalidade, que são a meu ver as imagens de marca do autor continuam bem presentes nesta obra. 
As personagens estão igualmente bem construídas e gostei especialmente do protagonista Martin que me emocionou com a sua personalidade e a forma como vê a vida. Gostei bastante do paralelismo entre polícia e ladrão que existe nesta história e foi muito engraçado ver a Gabrielle a lidar com estas duas personalidades fortes e determinadas. 

Mais uma vez, o final surpreende e o livro deixou novamente em mim uma sensação muito agridoce. Isto porque fiquei triste por o livro ter chegado ao fim e eu ter que me despedir, mas também fiquei contente por saber que é mais um livro que fica marcado no meu coração de uma forma especial e por saber que mais uma vez o autor mantém-se firme à sua imagem de marca e não desilude os seus leitores.

Recomendo para quem gosta de romances leves, com histórias originais e uma pitada de aventura. 
Adorei!