A Mulher do Viajante no Tempo

Audrey Niffenegger estreia-se na ficção com um primeiro romance prodigioso. Revelando uma concepção inovadora do fenómeno da viagem temporal, cria um enredo arrebatador, que alia a riqueza emocional a um apurado sentido do suspense. Este livro é, antes de mais, uma celebração do poder do amor sobre a tirania inflexível do tempo, que para Henry assume contornos estranhamente inusitados – Cronos preparou-lhe uma armadilha caprichosa que o faz viajar a seu bel-prazer para uma data e um local inesperados. Uma obra inesquecível, que retrata a luta pela sobrevivência do amor no oceano alteroso do tempo.

ISBN: 9789722332743 – Editorial Presença / 2004 – 484 páginas

O Hobbit

Henry DeTamble é um viajante do tempo, condição que se manifesta no seu código genético.  Viajar no tempo pode ser um conceito interessante e com certeza todos nós já pensámos em viajar para trás ou para a frente no tempo. Contudo, isto já não parece tão divertido a Henry. Isto porque o viajar no tempo para Henry vem com algumas condições, grande parte delas, nada agradáveis. Ele nunca sabe quando é que vai viajar e nunca sabe por quanto tempo é que viaja. Além disso, sempre que ele chega a um novo lugar, chega sem nada. Com ele, não tem roupas, nem qualquer objecto pessoal. Para sobreviver, Henry tem de roubar, mentir, assaltar, fugir. Mas sobretudo tem de correr. Correr pela sua sobrevivência. Pela sua vida. Apesar de passar a vida no médico, nunca nenhum deles conseguiu descobrir o que é que causa estas impulsos involuntários de viajar no tempo. Apenas se sabe que é uma condição que se desenvolve a partir do seu ADN.
Mas, é devido a estas viagens no tempo que Henry conhece o amor da sua vida, Clare. Clare viu pela primeira Henry quando tinha 6 anos. Na altura, acreditou que Henry era realmente um viajante do tempo e a partir desse momento, a vida de Clare é recheada de momentos com Henry. Momentos intermitentes, efémeros, mas foi assim que Clare se foi apaixonando por Henry. No presente, Henry só irá conhecer Clare mais tarde, mas quando a conhece, tudo parece encaixar. Na verdade, uma vida com um viajante do tempo não é nada fácil. Ser aquele que é constantemente deixado para trás pode ser um peso.

A Mulher do Viajante no Tempo foi a estreia da autora Audrey Niffenegger no mundo da ficção e foi com este romance que me estreei na escrita da autora. Este livro foi um grande sucesso no universo literário. Ganhou diversos prémios e a crítica diz maravilhas sobre este romance. Teve, inclusive, direito a uma adaptação cinematográfica com os actores Rachel McAdams e Eric Bana. Confesso que estava curiosa para ler este livro, mas inexplicavelmente nunca senti grande vontade de o ler. Passaram-se anos e anos até que finalmente decidi pegar neste livro e ver se realmente o livro merecia tantos louvores.
O início foi um pouco atribulado.  Sendo um romance que tem como temática central viagens no tempo,  a linha da narrativa pode tornar-se um pouco confusa, por vezes. Especialmente quando o leitor ainda se está adaptar a todo este novo universo. Durante as primeiras 50 páginas, senti-me por vezes confusa e um pouco perdida.
Contudo, acabei por entrar dentro da estrutura do livro rapidamente depois disso. E quando passei a fase da confusão, comecei a apreciar verdadeiramente o testemunho tanto da Clare como do Henry.

A escrita da autora é daquelas que ou se gosta ou não. Para mim, não existiu um meio-termo. A forma como ela comunica com os seus leitores é muito directa – talvez por escrever na primeira pessoa – e por isso mesmo, sofri com os personagens. Certas passagens do livro angustiaram-me verdadeiramente, por serem tão intensas, tão cheias de emoção. Este romance é mais que uma história de amor sem consequências. É um relato de sobrevivência, da parte do Henry. E é um relato de coragem pela parte da Clare, que continua presente mesmo na ausência. Não deixa de ser um romance lindo, com sacrifícios, onde tanto Henry como Clare oferecem ao outro partes de si. Quando estão juntos, eles são um. E quando não estão, têm sempre alguma parte do outro consigo. É uma história que tem momentos tocantes. Angustiantes. E também tem a sua dose de irritação. Sim. A Clare testou a minha paciência algumas vezes. Mas chegada à meta, ao final desta viagem, posso dizer que me encontro muito satisfeita.

É um livro que vale a pena ler se se procura um romance com bastante imaginação e com uma história de amor algo sofredora. Que nos mostra que os obstáculos que encontramos na nossa existência podem ser ultrapassados se assim estivermos dispostos. Mas também nos mostra que outros estão fora das nossas mãos. Um livro bastante emocionante.

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