Opinião – O Terror

Editora: Saída de Emergência / 2009
ISBN: 9789896371586
Formato: Capa mole
Dimensões: 16 x 23
Núm. páginas: 176
PVP: 18,02€
Sinopse:
  
Um clássico incontornável.

Arthur Machen foi um dos grandes e incontornáveis escritores do início de século xx. A sua obra é imprescindível à compreensão de autores como H.P. Lovecraft, Stephen King, Bram Stoker, Sir. Conan Doyle, Oscar Wilde, ou mesmo Alfred Hitchcock. Foi apontado por Luís Borges como a grande influência do realismo mágico.
O Terror é um dos três contos reunidos nesta obra. Neste conto, ambientado numa região isolada a Oeste de Gales, relatam-se acontecimentos bizarros e inexplicáveis, onde a natureza parece ganhar vontade própria e revoltar-se contra a humanidade. O poder contagioso de forças obscuras cria um clima de tensão e leva à violência.
Numa época em que todas as atenções estavam viradas para a Primeira Guerra Mundial, este conto é susceptível de diversas interpretações ou analogismos que o autor terá escondido na sua trama enigmática. Trata-se de uma obra literária muito estudada, e que merece um lugar de destaque em qualquer biblioteca.
Arthur Machen consegue uma perfeita simbiose entre fantasia, realidade e lenda.


Opinião:
Devem estar a pensar  que o autor deste post não deveria ser eu, mas sim o meu colega fã de fantástico e muitas das que são as obras literárias literárias que compõem a Colecção Bang! da editora Saída de Emergência. 
Pois é, mas sou mesmo eu! 
Decidi agitar um pouco as águas e sair do meu habitat natural. Para isso, decidi agarrar neste pequeno livro constituído por 3 contos que focam a literatura fantástica mas também o horror. 
Mas não pensem que sou corajosa por experimentar uma coisa que não conheço. Não, nada disso. Este foi um risco altamente calculado. A verdade é que eu já tenho, desde algum tempo, imensa curiosidade em ler alguns trabalhos deste autor, especialmente porque também gosto muito de Alfred Hichcock e de Sir. Conan Doyle e os trabalhos destes estão de certa forma, interligados e são referência no mundo do horror e do fantástico.
Assim sendo, é com esta colectânea de 3 contos que me aventuro num género que não é o meu eleito, mas que me veio a surpreender.
O Terror:
Um pequeno conto com pouco mais de 100 páginas que nos leva para uma região remota de Gales, em que são relatados acontecimentos de índole misteriosa.
Aqui conhecemos o Dr. Lewis que nos leva ao desfecho de tanto mistério em que a natureza parece ter um papel principal e que influencia tudo o resto.
Gostei do conto, embora não possa dizer que tenha ficado surpreendida. O enredo foi algo óbvio e que não deu margem para imaginação.
No entanto, sei o porquê da minha afirmação. Por ser uma narrativa condensada, não me encheu as medidas, no sentido em que gostaria de ter visto esta história mais desenvolvida, com mais suspense, mais tensão, mais terror, como o próprio título enganadoramente, indica.
Assim, foi um conto que apesar de giro, me soube a pouco.
A Mão Vermelha:
Neste conto, ainda mais pequeno que o anterior, os amigos Sr. Phillipps e o Sr. Dyson vêem-se testemunhas de um assassínio algo macabro e envolvido em algum mistério. Assim, o Sr. Dyson, sente-se impelido a desvendar alguns detalhes que não são resolvidos pela polícia e arrasta o seu companheiro na descoberta do que verdadeiramente aconteceu.
Apesar de ser novamente um conto muito condensado, gostei mais deste conto do que o anterior. Aqui nota-se mais sentimento na escrita e até mais intensidade nos acontecimentos relatados ao leitor. Mais uma vez tenho pena que seja apenas um conto, que na minha opinião pecam sempre por não expandirem bem alguns aspectos da história e ficarem sempre com aspecto inacabado.
O Grande Retorno:
Este conto foi o segundo que mais gostei (o preferido acabou por ser o ” A Mão Vermelha”) , embora tenha sido o que achei mais fora da temática do género de horror. Gostei especialmente das últimas páginas, em que o autor deixa uma série de interrogações que nos fazem pensar e é uma característica que aprecio nos livros. A capacidade que um autor tem para nos interrogarmos mesmo quando já acabámos o livro, é uma das características que mais ficam marcadas, quando mais tarde, vou olhar para a prateleira e penso nos livros que me marcaram de determinada maneira. 
Embora todos os 3 contos tenham como base comum a época conturbada da Primeira Guerra Mundial, considero que este tenha sido onde esse assunto ficou mais subtilmente retratado.


De facto a única coisa que fica a faltar neste livro é um melhor desenvolvimento de todos estes enredos distintos. Acabei por achar que “sabia a pouco”, porque quando entrei na história, já ela estava perto de acabar. Creio, no entanto, que seja mal meu e não do livro em si. Sempre tive este problema com livros de contos, e é por isso que não costumo apreciar estes livros.
Acho sempre os contos são histórias que pecam por ser exageradamente pequenas e que ficam, de certa forma, inacabados. Existem pormenores que poderiam sempre ter mais algum desenvolvimento.

Como nota final, basta acrescentar que estou contente por ter finalmente saído de “território” conhecido e que foi uma experiência que se revelou positiva. Quem sabe não poderei encontrar outras obras dentro deste género que me encham as medidas!
Já experimentei e já sei, basta agora encontrar mais obras que me possam proporcionar mais e melhores momentos de leitura. 

Classificação: 3,5 – 5