A Quinta dos Animais

Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original contrariamente às edições anteriores que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e – o mais conhecido – O Triunfo dos Porcos. À primeira vista este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores Orwell escreveu uma fábula uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos se servia para censurar a sociedade servia igualmente para nos tranquilizar pois ficavam colocados à distância «no tempo em que os animais falavam» os vícios de todos nós e as suas funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época − a nossa época − em que são os homens e as mulheres a comportar-se como animais.

ISBN: 9789726081975 – Antígona / 2008 – 156 páginas

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Animal Farm ou A Quinta dos Animais conta-nos uma fábula onde os animais de uma quinta tradicional se revoltam contra os humanos que são seus proprietários e decidem instaurar um regime onde os animais se governam a si próprios e declaram todos os seres-humanos como seus inimigos. Expondo ao ridículos vários dos hábitos muito próprios dos seres-humanos, esta Quinta começa por ser um universo perfeito e muito idealizado onde finalmente os animais podem viver descansados, sem serem trabalhados até ao máximo das suas capacidades pelos humanos, que lhes dão pouca comida e lhes roubam a sua própria produção alimentar.

A Revolução que se iniciou com princípios e valores muito dignos (todos os animais são iguais, tudo o que andar sobre duas pernas é inimigo, etc), começa a cair quando dois dos maiores líderes entram em conflito ideológico. O que um quer para a Quinta, o outro não quer e assim começa a luta pelo poder. Aquela que antes era a união dos animais contra os humanos, passou a ser uma cerrada guerra entre os iguais animais. Napoleão, o porco que se vem a tornar líder, acaba por instaurar um regime ainda mais exigente que aquele que se conhecia aquando os humanos controlavam a Quinta.
Estamos perante uma alegoria política e social que é ao mesmo tempo divertida e cómica mas igualmente sóbria e que nos mostra uma realidade que tão bem conhecemos e que já é um conceito muito antigo. A ambição pelo poder, a corrupção que este poder exerce sobre qualquer indivíduo, esta vontade de controlar uma massa populacional e de ter poder absoluto sob a vida e os destinos destes seres.

Este é um pequeno conto fantástico e eternamente actual, realidade do dia-a-dia da política e do regime político de qualquer país, seja ele uma ditadura ou uma república, ainda que claro este conto tenha sido escrito com um objectivo claro à vista e esse era no âmbito político. Na verdade, isto acaba por extravasar a política. Acaba por nos dar uma visão geral da natureza do Homem, da ideia da “evolução”, de que o forte controla o mais fraco. Todo o conto está maravilhosamente bem construído e a escrita de George Orwell é deliciosa, como já tinha antes mostrado na obra 1984. O final é soberbo.

É uma leitura que recomendo a todos. Além de ser uma leitura muitíssimo prazerosa (a sério, pensem no que seria se os porcos – literalmente – controlassem o mundo) é um abre-olhos: para que pensemos como é viver sob o jugo dos triunfantes que vivem no luxo desfrutando dos frutos do trabalho dos outros animais.

Todos os animais são iguais. Mas alguns são mais iguais que outros. 

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Opinião – 1984


Editor: Antígona / 2007
ISBN:  9789726081890
Formato: Capa Mole
Dimensões: 130 x 211 x 27 mm
 Núm. páginas: 314
PVP: 16,00€

Sinopse:

Curioso percurso, o desta alegoria inventada para criticar o estalinismo e invocada ao longo de décadas pelos ideólogos democráticos, e que oferece agora uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas.
A electrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. Como se não bastasse, a electrónica permite, e também sem precedentes, que instrumentos destinados ao trabalho e à vigilância sejam igualmente usados nos ócios. É graças à unificação de todos os aspectos da vida numa tecnologia integrada que a democracia capitalista pode realizar na prática as suas virtualidades totalitárias. O Big Brother já não é uma figura de estilo – converteu-se numa vulgaridade quotidiana.
Opinião:
Este é daqueles livros que invariavelmente, mais cedo ou mais tarde, toda a gente acaba por ouvir falar.
Eu não fui excepção e foi em tom de desafio que decidi adquirir o livro para tentar aferir então porque é que o livro é tão falado, tão admirado e tão conhecido por esse mundo fora. Certamente, já muita gente ouviu falar deste autor, que escreveu sob o pseudónimo George Orwell obras que são largamente conhecidas por todos os cantos do mundo.
O romance 1984 é a minha estreia e devo primeiro que tudo fazer notar que a experiência foi largamente positiva.
Há quem se refira ao livro como uma alegoria, há também quem se refira ao mesmo como uma sátira aos tempos capitalistas que se viviam na altura em que George Orwell começou a construção da obra, mas este livro demonstra principalmente um retrato cru dos tempos que se viviam, logo após o período conturbado da segunda Guerra Mundial.
 É o personagem principal Winston Smith que nos relata com uma imensa exactidão, a realidade chocante, se bem que ficcionada, de uma época em que se vivia governado por sentimentos como o medo, a represália e o terror de algum dia poderem desaparecer e sem deixar qualquer rasto da pessoa que até aí sempre foram.
Winston tentar passar aos seus leitores o que é viver sem qualquer tipo de liberdade, o que é viver numa sociedade em que todos os seus movimentos são controlados e estudados, em que não há possibilidade de dar um passo em falso, sem receio que com isso, existam consequências severas.
É nesta obra que George Orwell nos dá a conhecer uma entidade que é responsável por todo esse controlo opressivo. Uma entidade, actualmente famosa, é nesta obra um elemento indispensável e que é na minha opinião uma criação fantástica do autor: Big Brother.  É esta entidade assustadora, terrível que controla e rege a vida da população no território da Oceania.
O Big Brother é a figura máxima de uma organização que rege todas as nuances da vida individual e colectiva dos seus cidadãos. Esta organização intitula-se a si mesmo de “ Partido”. É o Partido que molda a vida, os pensamentos, as acções de os indivíduos, com o recurso à tecnologia, que denotava ser de dia para dia, cada vez mais importante. É a ele que todos têm de prestar contas.
George Orwell conseguiu, no entanto, evidenciar a importância do pensamento. É incrível como o autor conseguiu criar uma realidade em que o pensamento é a força de tudo e isto é aquilo que o Partido quer, ultimamente, controlar. Porque quem controlar o pensamento, controla tudo.  
A luta entre o que está certo e o que está errado, é o que as personagens deste livro tentam descobrir, sem nunca saberem com absoluta certeza quem ganha nesta força de vontades.  
O autor deixa uma pergunta no ar, que me marcou durante a parte final do livro: quem é que determina que 2 + 2 é igual a 4 ?
Uma leitura rica em muitos aspectos. 
Classificação: 5 -5 
 A edição que eu adquiri é uma edição comemorativa. 


Editor: Signet Classics / 1991
ISBN:  9780451524935
Formato: Paperback
Dimensões: 108 x 178 x 25 mm
Núm. páginas: 326