As Dez Figuras Negras

Em Fevereiro de 1972, Agatha Christie escreveu uma carta ao seu editor. Nessa missiva, incluída nesta edição especial, a Rainha do Crime elegeu os dez livros de sua autoria de que mais gostava. As Dez Figuras Negras foi considerado pela autora como um “desafio que lhe trouxe muita satisfação”. Publicado na Grã-Bretanha, em 1939, e nos Estados Unidos, em 1940, seria também adaptado para teatro e cinema. 

Dez desconhecidos que aparentemente nada têm em comum são atraídos pelo enigmático U. N. Owen a uma mansão situada numa ilha da costa de Devon. Durante o jantar, a voz do anfitrião invisível acusa cada um dos convidados de esconder um segredo. Nessa mesma noite um deles é assassinado. A tensão aumenta à medida que os sobreviventes se apercebem de que não só o assassino se encontra entre eles como se prepara para atacar uma e outra vez…


ISBN: 9789892316154 – Edições Asa / 2011



Agatha Christie é a minha autora favorita de todos os tempos. Já li e voltei a ler inúmeros livros dela. Até já os perdi a conta. Existem vários que provavelmente já não conseguiria contar a história em todos os pormenores. As Dez Figuras Negras é um desses casos e a razão pela qual decidi voltar a ler esta obra. 
Pouco me lembrava do livro, a não ser contornos gerais. E portanto, deu-se a oportunidade – rara – de reler a obra. 
Felizmente, a experiência não me desiludiu (nem poderia, pois para mim Agatha Christie foi uma escritora maravilhosa que ninguém poderá igualar). E foi com enorme prazer que voltei a pegar nesta autora, que há alguns anos que não lia nada dela.

Dez meninos negros foram jantar;
Um engasgou-se e sobraram nove.
Nove meninos negros deitaram-se muito tarde;
Um dormiu e sobraram oito.
Oito meninos negros foram viajar por Devon;
Um disse que por lá ficava e sobraram sete.
Sete meninos negros foram cortar lenha;
Um cortou-se em dois e sobraram seis.
Seis meninos negros brincaram com uma colmeia;
Um abelhão ferrou um e sobraram cinco.
Cinco meninos negros seguiram a advocacia;
Um foi para o Supremo Tribunal e sobraram quatro.
Quatro meninos negros foram para o mar;
Um caiu no anzol e sobraram três.
Três meninos negros andavam pelo jardim zoológico;
Um levou um chi-coração de um urso enorme e sobraram dois.
Dois meninos negros sentaram-se ao sol;
Um deles ficou assado e sobrou um.
Um menino negro ficou completamente só:
Foi e enforcou-se e não sobrou nenhum.

– Agatha Christie em “As Dez Figuras Negras”

Em vez de fazer um resumo, decidi colocar este poema para vos aguçar o apetite para lerem este livro. 
É um livro que nos deixa completamente cativados e boquiabertos a cada capítulo que se acaba. Podemos ir conhecendo cada personagem que nos é apresentada e vamos construindo as nossas suspeitas, até ao momento em que as mesmas são desfeitas e temos de recomeçar do zero.
Agatha Christie provou-me mais uma vez porque é que é considerada a mestre do crime e mais, mostrou-me porque é que é a minha autora favorita de todos os tempos. 
Um livro incrível que por mais vezes que leia, me deixará sempre sem palavras. A escrita da autora é hipnotizante e leva o leitor a agarrar-se ao livro como se não existisse um amanhã.
Creio que mesmo uma pessoa que não aprecie policiais irá adorar este livro. É impossível esta obra não conquistar as massas.



Uma leitura obrigatória!





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