Os Filhos da Liberdade

Os Filhos da Liberdade conta a história de um grupo de adolescentes que fez parte de uma Brigada da Resistência durante a Segunda Guerra Mundial. O que unia estes jovens, de diferentes idades e nacionalidades, era a crença inabalável de que valia a pena lutar pela liberdade, e que um dia a primavera voltaria a despontar. Operando em Toulouse, este grupo conseguiu resistir às forças nazis, às milícias locais e aos colaboradores franceses. Rodeados por inimigos invisíveis e omnipresentes, estes jovens não se podiam sequer dar ao luxo de se apaixonarem – pois, caso fossem apanhados, esse amor podia ser usado contra eles… Vivendo em circunstâncias extremas, aprenderam em cada dia a desfrutar da vida ao máximo: a rir, mesmo rodeados de tragédia; a ser generosos, mesmo quando não tinham nada para dar; e a apaixonar-se, apesar de todos os riscos. Pois não se consegue matar o espírito humano enquanto a esperança estiver viva. Este romance emocionante e comovente é baseado numa história real: a 35.ª Brigada, composta por vários jovens imigrantes dispostos a combater por França e pela liberdade, existiu. Um dos seus membros era o pai de Marc Levy; o seu nome de código era «Jeannot».

ISBN: 9789722524407 – 11×17 (Bertrand) / 2012 – 353 páginas


França encontra-se quase engolida pela presença nazi nos seus territórios durante o período da Segunda Guerra Mundial.  Estes aterrorizam qualquer pessoa que eles considerem como sendo estrangeiro, sem qualquer piedade e muitos deles são torturados e enviados para os campos de concentração na nação alemã. O terror e o perigo estão em qualquer lado, amigos viram inimigos na ânsia da sobrevivência e as lealdades são testadas a todo o minuto. Mas em toda a França há pequenos núcleos que não se contentam apenas com a sobrevivência, eles preocupam-se com a vida e ainda mais com a liberdade. São os movimentos de Resistência que nunca deixam de ter esperança num futuro melhor e mais sorridente. Mas para os nazis, são terroristas que apenas pretendem perturbar a ordem pública. Estas brigadas resistentes vivem na clandestinidade, com a ajuda de mãos amigas aqui e acolá e que tentam dar esperança aos que não têm forças para lutar. Mas estas brigadas resistentes são muitas vezes constituídas por adolescentes, que mal tiveram tempo de crescer e que já lutam pelas suas existências e pelos seus futuros. Lutam pelos camaradas e lutam pelo país que os abrigou.

É necessária uma verdadeira tomada de consciência para percebermos que estamos vivos.

Este é já o terceiro livro de Marc Levy que leio e estando normalmente habituada ao seu tom leve e brincalhão, aos seus romances doces e esperançosos,  apercebi-me logo que este livro iria ter um tom muito diferente e muito mais sério do que aquilo que até então conhecia do autor francês. De facto, Os Filhos da Liberdade é uma obra com mais peso emocional e tem também o seu quê de trágico. Quando pensamos em adolescentes a lutarem pelo seu direito de viver em liberdade (sem receio de represálias pela sua religião ou tom de pele, etc.) é inevitável que esta imagem se contorne de sentimentos dramáticos. Por outro lado, a obra é escrita na primeira pessoa como um longo relato dirigido a um alguém futuro que irá ler estas palavras e que irá experienciar em primeira mão todos os acontecimentos deste jovem que se intitula Jeannot, membro pertencente da Brigada de Resistência. É patente a proximidade que se estabelece entre leitor e o escritor desse relato. E isso torna o dito relato incrivelmente mais pessoal.

A história que Jeannot nos conta é emocional, pesada, com alguns momentos de desesperança. Em tempos de guerra e em tempos de terror, o desespero encontra-se sempre na esquina mais próxima. É difícil ver os nossos amigos caírem ao nosso lado, serem executados com pouca honra a não ser aquela que eles carregam consigo pelos seus actos. É difícil arranjar a coragem para lutar mais um dia quando não vemos a luz ao fundo do túnel. Embora o relato de Jeannot nos mostre todas essas imagens negras, também nos mostra uma paisagem de esperança e de persistência. Mostra-nos uma paisagem de resistência que se pauta pelos consecutivos actos de coragem e pelos pequenos arco-irís que vão aparecendo ao longo do caminho e também pela constante lembrança dos companheiros que caíram antes deles em prol de um futuro melhor, mostrando que a sua coragem não será esquecida.

Os nomes são importantes. É desse modo que nos lembramos das pessoas; mesmo quando elas estão mortas, continuamos por vezes a chamá-las pelo nomes; se não conhecemos o seu nome, não o podemos fazer.

O relato de Jeannot é um relato histórico que tem muito para nos oferecer. Deixa-nos tristes, com um sabor amargo na boca amaldiçoando esta humanidade que consegue ser tão cruel, mas de igual forma nos deixa com os corações a rebentar de amor pelas boas pessoas e pelos seus actos de bondade. A nossa fé na humanidade é restaurada, nem que seja por uns momento apenas. Depois de vemos o mundo da pior forma, acabamos o dia sempre a acreditar num amanhã melhor e no que podemos fazer para o tornar mais esperançoso que hoje. Como diz o autor, todos somos um estrangeiro para alguém e o segredo está em aceitar tudo isso em comunidade.

…E fecharíamos juntos as páginas do passado para escrever a dois os dias futuros.

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O Processo

Um belo dia a existência pacata de Joseph K., um bem-sucedido gerente bancário, vê-se abalada quando três homens entram no quarto da pensão onde reside para o prenderem. Não sabe quem o mandou prender nem muito menos do que o acusam — sabe apenas que está envolvido num processo obscuro e absurdo que o leva a percorrer as secretarias labirínticas nas quais decorre a instrução, conduzida por juízes menores cuja única incumbência é inquiri-lo.

Todos aqueles com quem Joseph K. se cruza parecem saber mais do seu processo do que ele, e quanto mais K. se esforça por se livrar do estranho processo, mais se vê envolvido nele.

Escrito em 1914, O Processo acabaria por ser editado apenas depois da morte de Franz Kafka, em 1925. A presente edição é a tradução direta efetuada a partir dos manuscritos em alemão, anulando as alterações efetuadas por Max Brod, o amigo e testamenteiro de Kafka responsável pela publicação desta e de outras obras após a morte do autor.

ISBN: 9789722525077 – 11×17 (Bertrand Editora) / 2012 – 312 páginas


O Processo é um dos clássicos da literatura internacional do século XX e uma das quais ansiava muito ler pois é daquelas obras que não podemos morrer sem ter lido pelo menos uma vez. Contudo, também tinha algum receio em aproximar-me deste livro, pois já sabia mais ou menos sobre o que tratava e além disso, sabia que talvez não fosse uma obra que me deixasse de cara à banda. Embora nunca antes tenha lido nada do autor Franz Kafka, é impossível não reconhecer o seu nome e o legado literário que nos deixou (é pena que não nos tenha deixado ainda mais). O autor era deveras nihilista quanto ao seu próprio trabalho. Aquando a sua morte, deixou em testamento que os seus diários e todos os seus apontamentos e obras inacabadas fossem queimadas na íntegra, o que não deixa de me entristecer. Sabe-se lá quantas obras primas se perderam ao longo dos tempos por causa desta perspectiva por demais crítica das próprias criações.
Falando sobre a obra em si, o leitor entra neste livro como de pára-quedas. Não há uma entrada suave neste mundo, mal abrimos a porta somos deparados pela mudança fulcral que se dá na vida de Josef K., que descobre que um processo foi instaurado sobre a sua pessoa e tem de lidar com as consequências de tal choque. Esta narrativa, ainda que me tenha deixado a pensar e a reflectir, não foi altamente cativante em todos os seus momentos. Esta não é uma leitura compulsiva, com uma escrita que nos deixa de olhos colados às páginas. É sim, uma leitura reflexiva e melancólica até. É uma leitura que nos obriga a lidar com questões que são eternas e que irão sempre suscitar muitas interrogações ao longo dos tempos. Questões como a verdade, como o senso de justiça, como a culpa, a consciência são universos latos que dão profundidade moral a esta obra e é aí que, para mim, reside o grande poder das palavras que constituem este clássico.
É sempre positivo quando um livro nos faz parar para pensar, que nos obriga a interrogar grandes paradigmas da nossa sociedade e da nossa educação. É isso que faz desta obra um pilar da Literatura.

Contudo, a narrativa peculiar de Kafka não é das minhas preferidas. Como antes disse, não é um livro que nos puxe muito para ler, o relato parece um pouco desligado, desprendido de sentimento. Josef K. é a encarnação máxima desse desprendimento. Vê-se frente a frente com mudanças fulcrais na sua vida, com possíveis consequências de grande envergadura e ainda assim, passa pelo seu processo (na maior parte do tempo) com um desprendimento emocional surpreendente. Este protagonista, com esta visão desligada dos acontecimentos da sua própria existência, também me fizeram sentir – como leitora – desligada deste relato. Não criei uma ligação emocional com esta narrativa, porque não senti que o protagonista fizesse um esforço para se sentir interessado com os seus próprios problemas. Poderíamos afirmar que isso seria uma defesa do próprio K. para conseguir lidar com a nova realidade de poder vir a ser condenado por algo que não consegue realmente compreender, mas ainda assim, foi um protagonista que não me conseguiu convencer.

Em última instância, foi um livro que me deixou com sentimentos contraditórios. O livro, que o autor não considerava estar completo, é na realidade impossível de completar. Embora exista o ponto final que marca o desfecho da narrativa, não há nenhuma resposta verdadeira dentro das linhas deste livro e talvez também por isso, este livro me deixe com tantas sensações contrárias. As respostas que esperamos encontrar dentro do universo literário, temos que as encontrar cá fora, sem a garantia de alguma vez as encontrarmos, pois estas grandes questões que o livro levanta também não são de fácil resposta na nossa realidade.

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Messias

Londres, Maio de 1998. Uma onda de calor sufoca a cidade: dias abafados, estranhas noites de nevoeiro e os passos furtivos de um assassino pelas ruas. Três pessoas aparecem misteriosamente assassinadas sem que qualquer pista indique uma relação entre os crimes: nada as une nem as liga… a não ser o facto de os seus cadáveres aparecerem com uma colher de prata no lugar onde anteriormente tinham a língua… No encalço deste carniceiro está o superintendente Red Metcalfe, um investigador de reconhecidos méritos, capaz de se colar à pele e entrar na mente dos assassinos que persegue.

Messias é o triller mais empolgante dos últimos anos e assombrará garantidamente os seus sonhos!

ISBN: 9789722518208 – 11 x17 (Bertrand) – 637 páginas


Boris Starling em Messias apresenta-nos um dos mais crípticos serial-killers desde Jack The Ripper. Os cadáveres são descobertos nas suas casas, mutilados de diversas formas, sem línguas e com colheres de prata na boca. O superintendente Metcalfe, que é normalmente elogiado pela proeza de conseguir entender como ninguém os assassinos que persegue, sente-se perdido com este caso. Por mais que tente descobrir a lógica por detrás destes assassínios horrendos, não consegue entrar na cabeça do seu assassino. Ele tenta perseguir o assassino, mas ao mesmo tempo, o seu passado obscuro também o persegue.

Este é o primeiro livro que leio do autor e fiquei muito impressionada. A sua narrativa é completamente viciante e o autor conseguiu construir um enredo com início, meio e fim sem nunca perder a qualidade nestas mais de 600 páginas. Não só os crimes nos deixam curiosos e deixam em alerta os nossos instintos de detectives, mas também não conseguimos deixar de nos surpreender com a profunda relação que se se estabelece entre leitor e protagonista. Red fez-me pensar nos erros que todos nós cometemos nesta vida e quantos desses erros tentamos esquecer à espera que não nos assombrem o futuro. E que mesmo assim, alguns deles têm o poder de nunca nos deixaram esquecer de más decisões do passado e turvam outras decisões que possamos tomar em tempos futuros.

É preciso dizer que não só o autor escreve bem, mantendo sempre presente que o leitor precisa de ser cativado e o autor consegue fazer isso sem esforço algum. Conforme avançamos na narrativa, vamos tendo oportunidade de conhecer os intervenientes da história em vários momentos e igualmente em vários tempos. O autor faz alguns saltos temporais que são essenciais na compreensão da psique do protagonista mas também da do assassino. Gostei da forma como o autor vai ligando todos os pontos e ele conseguiu certamente enganar-me com as voltas e reviravoltas. Um policial que nos consegue enganar é sempre um policial muito bom! Boris Starling vai-nos dando pistas cruciais para a resolução do caso, mas paralelamente e enganadoramente deixa-nos acreditar que conseguimos resolver o caso antes do protagonista, sem ser esse o final da história. É preciso talento para isso.

Só lamento que a revisão desta edição de bolso seja a coisa mais pobre que já vi. As gralhas são imensas, existe a ocasional troca de nomes e erros como há/à que são inadmissíveis para quem é da área de Letras e faz isto para ganhar a vida. É muito triste comprar livros que não são produzidos em condições.

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Duas Meninas Vestidas de Azul

Depois de terem festejado o 3º aniversário das gémeas Kelly e Kathy, Margaret e Steve Frawley saem para ir a uma festa, deixando as meninas ao cuidado da babysitter. Ao regressarem a casa, deparam com a polícia, que lhes dá a mais terrível das notícias: as crianças foram raptadas e os criminosos exigem oito milhões de dólares para as devolver à família.
Em pânico, o casal decide pagar o resgate, na esperança de terem as filhas de volta. Porém, ao chegarem ao local marcado, encontram apenas Kelly, num carro abandonado com um cadáver no lugar do condutor e um bilhete a revelar que Kathy, a outra menina, fora morta acidentalmente e o corpo largado no oceano.
Contudo, durante a missa em memória de Kathy, Kelly aproxima-se da mãe e diz-lhe ao ouvido: «Mãe, a Kathy está cheia de medo daquela senhora velha. Ela quer voltar para casa.» Os incidentes vão-se sucedendo e Margaret começa realmente a acreditar que a filha está viva e que as meninas estarão a comunicar telepaticamente uma com a outra, e que Kelly poderá ajudar a descobrir o paradeiro da irmã.

ISBN: 9789722521727 – 11×17 (Bertrand Editora) / 2010 – 413 páginas

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Duas Meninas Vestidas de Azul conta-nos a história do rapto de duas gémeas verdadeiras, Kathy e Kelly, que foram retiradas do seu quarto enquanto uma ama tomava conta delas. Os pais, quando chegam a casa e recebem as notícias, ficam em desespero. Pouco depois de celebrarem o terceiro ano de vida das suas meninas a tragédia acontece. Ninguém esperava. O resgate que os raptores pedem é impeditivo para estes pais que compraram recentemente a casa naquele bairro e esgotaram assim todas as suas poupanças. A exigência é de oito milhões de dólares, uma quantia verdadeiramente astronómica e que só consegue ser paga com a ajuda preciosa da empresa onde o pai das crianças trabalha, que se voluntariou para pagar o resgate das meninas raptadas. 
Contudo, no momento da troca do dinheiro pelas crianças algo corre de forma inesperada e apenas uma das crianças, Kelly, é devolvida em segurança aos pais. A outra é dada como morta, mas sendo gémeas verdadeiras, Kelly e Kathy têm uma ligação especial entre as duas. Uma linguagem própria que só elas conhecem e há um fio invisível que as une mesmo quando quilómetros de distância física as separam. E Kelly continua a contactar com a sua irmã. Desta forma, as forças policiais e os pais da gémeas unem-se num esforço para resgatar a outra gémea, que se encontra gravemente doente e nas mãos de criminosos. 

Esta leitura foi a minha estreia com o grande nome de suspense, Mary Higgins Clark. Este livro encontrava-se na minha prateleira já há vários anos e finalmente decidi dar-lhe uma oportunidade e não o deixar esquecido na estante por mais (sabe-se lá quantos) anos. Confesso que apesar de já ter ouvido falar muito bem deste nome da literatura, não reservava muitas expectativas para esta leitura. Sabia que estaria dentro de um dos meus géneros favoritos, o policial/suspense, e por isso não reservei nenhuma expectativa especial para este livro. Assim sendo, comecei a ler com a ideia de que ia ler sobre o rapto de duas meninas e que esta história pudesse talvez ser um relato mais real, mais perto da realidade que se conhece do que pura ficção. Ou seja, o que quero dizer com isto é que o que esperava desta história é que pudesse ter um final mais triste (como tantas crianças que nunca vemos serem restituídas à sua família) ao invés de ter o típico final conto-de-fadas. E viveram juntos, felizes para sempre

A autora decerto criou um relato com o qual os leitores se podem relacionar. O mediatismo à volta do rapto das crianças e todo o desespero dos pais e consequente investigação é um procedimento que todos conhecemos. Conforme lemos, parece que estamos a ver um daqueles filmes, com o cunho inegavelmente Americano, onde os polícias fazem os possíveis e os impossíveis para que a investigação corra pelo melhor. Sentimos a adrenalina e entramos na viagem. A autora tem decididamente um discurso muito imagético. Por essa qualidade, é um livro que se embrenha no leitor e que se lê de uma forma muito agradável, sem cansar. Foi o que mais gostei na leitura. 

Em termos de enredo, posso dizer que foi uma leitura agradável mas senti que não fiquei 100% investida na mesma. Foi um bom entretenimento, uma companhia óptima para a tarde chuvosa de férias mas não foi mais que isso. Posso dizer que fiquei curiosa com outros livros da autora, mas não irei ler os livros dela a correr. 

Pássaros Feridos

Liberdade – A Coragem de Ser Genuíno

Ao longo desta obra, Osho reflete, com o seu estilo provocante e sempre bem-humorado, acerca do verdadeiro significado da liberdade. Partindo da distinção entre liberdade física, psicológica e espiritual, conclui que mesmo nos nossos dias, em que acreditamos ter alcançado a liberdade a todos os níveis, muitos de nós ainda vivem numa certa forma de escravatura psicológica ou espiritual. Desafiando preconceitos e opiniões convencionais, Osho convida o leitor a desenvolver a sua consciência e a aceitar o desafio de lutar pela sua própria liberdade.

ISBN: 9789722523509 – 11×17 (Bertrand Editora) / 2011 – 207 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

O Osho tem-se revelado uma espécie de mestre/referência para mim, nos últimos tempos, pelos mais variados motivos. Quando comecei a ler as obras dele, ainda mais. Isto porque apesar dos seus livros serem compilações de palestras e conferências que ele deu ao longo da sua vida, não perdem nenhum valor por isso e não deixam de ser pequenos grandes tesouros.
Na verdade, há que ser dito que estes livros não são mais que a insistência em alguns conceitos-chave. Conceitos que nós tendemos a pôr de lado como paraísos para além-morte ou simplesmente conceitos que rotulamos de desnecessários, porque somos mais evoluídos, vivemos com outros propósitos, etc.

Osho lembra-nos que estes conceitos é que devem ser a nossa preocupação principal e lembra-nos também que no meio da azáfama da nossa dita evolução, nos esquecemos de celebrar a nossa individualidade. Esquecemo-nos de cultivar a nossa identidade e o nosso ser. Vivemos para outros – para a nossa família, para o nosso parceiro, para o nosso chefe, para o nosso Estado. Mas poucos param e vivem por eles mesmos. Osho fá-lo com argumentos muito convincentes. O seu discurso não só é divertido, mas é tentador e motivador. É impossível não me sentir inundada com a sua espiritualidade e com o seu positivismo e retiro sempre muito destas obras. Retiro muito para o meu desenvolvimento pessoal. Posso não concordar com tudo o que ele diz e com tudo aquilo que ele acha que é correcto para o mundo/sociedade, mas muito do que ele diz é uma aprendizagem. Uma viagem que me ajuda a questionar certas atitudes que tenho perante a vida e obriga-me a reclassificar essas atitudes.

Osho tem-me ensinado primeiro que tudo a olhar para a vida com outros olhos e tem-me ensinado que quando achamos que a vida nos corre mal, devemos procurar outros ângulos pelos quais analisar os eventos do nosso dia-a-dia. Ele não defende nenhuma doutrina, religião e é isso que mais aprecio nele, nos seus ensinamentos e nos seus livros. O que ele defende é a espiritualidade, a evolução e crescimento do ser-humano como um ser espirituoso que deve cultivar o amor e a liberdade interior. Porque é do interior que as mudanças se originam e é a partir do interior que podemos começar a mudar algo que não gostamos.

O nosso interior, os nossos pensamentos, as nossas energias e as nossas emoções determinam, quase sempre, a forma como nos posicionamos no exterior. E por vezes a mensagem que passamos é a de que não queremos acreditar que as coisas podem mudar. A “magia do acreditar” como lhe chama Osho é um milagre verdadeiro e pode influenciar muitas coisas no nosso quotidiano. Pode influenciar a forma como olhamos o mundo e todos os que nos rodeiam.

Com todo o entusiasmo que sinto ao falar sobre Osho, não sei se passei a mensagem que queria. A de que estes são livros muito enriquecedores, que embora tenham o seu quê de utopistas (especialmente no que toca à visão da sociedade) nos podem fazer parar para olhar a vida sob outro prisma. O que tenho retirado destas leituras é as potencialidades do desenvolvimento pessoal e um olhar mais positivo em tudo o que me toca e sobretudo, o cultivo da magia de acreditar.

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O Homem de Sampetersburgo

A História pode estar prestes a mudar…

1914: a Alemanha prepara-se para a guerra e os aliados constroem as suas defesas. Ambos os lados precisam da Rússia, que se debate com problemas internos graves e vive na iminência de uma Revolução. Em Inglaterra, o duque de Walden e Winston Churchill planeiam, em total segredo, uma aliança com a Rússia. Contudo, um homem disposto a tudo e sem nada a perder infiltra-se no país com a intenção de travar a todo o custo o acordo entre russos e britânicos. Conseguirá O Homem de Sampetersburgo deixar o país a seus pés e inverter o curso da História?

ISBN: 9789722521185 – 11×17 (Betrand Editora) / 2010 – 464 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Ken Follett é um dos grandes nomes do thriller e do romance histórico. Em qualquer destes dois géneros literários, o autor dá cartas com os seus livros cheios de acção e com informação histórica precisa e em abundância. A forma como ele mistura o facto com a ficção é também um dos seus grandes talentos. Pegando nos relatos históricos e naquilo que é conhecido, o autor pega em personagens fictícios e insere-os no universo histórico sem qualquer dificuldade, ao ponto de o leitor chegar a pensar “esta pessoa pode realmente ter existido ao lado dos grandes nomes da Humanidade”. Neste livro, O Homem de Sampetersburgo, somos transportados para Londres e para as grandes maquinações políticas entre Rússia e Inglaterra que tentam firmar um tratado que permita à Inglaterra o apoio russo caso os primeiros entrem na guerra. Em troca, Inglaterra promete dar aos russos os territórios dos Balcãs. Os radicais russos que não vêm nesta guerra grande interesse, querem é que a Rússia entre numa das maiores revoluções que a História já viu. E para isso, algo trágico tem que acontecer. Como um assassínio ao diplomata russo que se encontra em Londres em negociações com os ingleses.

Durante a leitura deste livro apenas pensava que estas páginas descreveriam a calma antes da tempestade da primeira Guerra Mundial. De calma é que este livro não teve nada. Está recheado de momentos bem intensos e o nível de acção está sempre no máximo.
Gostei de várias coisas neste livro. O contexto histórico onde está inserido (gosto tanto de política quanto a Charlotte), as personagens e a escrita do autor – que já é bastante conhecida por estes lados. Como disse antes, a forma como o autor equilibra facto/ficção é verdadeiramente interessante. Manipulando os acontecimentos verídicos, o autor constrói um enredo fictício que nos deixa sempre ansiosos para ler mais. A sua escrita ajuda em muito a que isto aconteça, claro. Um bom enredo sem uma boa escrita não resulta bem.

Contudo, confesso que o livro me surpreendeu mais por se ter revelado algo que eu não estava à espera. Quando comecei a ler o livro, esperava encontrar um thriller histórico, com muita política à mistura. E sim, encontrei tudo isso, mas também encontrei umas personagens com uma história de vida muito interessante e que deram uma graça diferente a este livro. De facto, o livro todo ele gira em torno deste homem de Sampetersburgo, que vem tentar assassinar o diplomata russo e assim despoletar uma revolução russa. Um homem que à partida parece um animal, sendo que a única coisa que gere a sua vida são os seus instintos de sobrevivência. Acabei por encontrar e conhecer um homem que, como qualquer outro humano, tem sentimentos e acaba por hesitar na sua missão, trazendo assim consequências graves ao curso da História. E no entanto, este homem tem ligações inegáveis a outras personagens que trazem cor a este relato político de 1914. É um livro rico na dimensão humana e na verdade, quem faz este livro, são os personagens que o povoam. Foi o que mais apreciei neste livro.

No entanto, não posso deixar de referir uma coisa que me entristeceu e que embora tenha sido um erro pontual, não deixa de me chatear. Na página 406 encontrei a seguinte frase: ” Faça o melhor que poder (…).” Até doí ver este tipo de erros.

Uma leitura muito agradável e que não desaponta.

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A Virgem Cigana

Mischa conhece bem a sensação de abandono. O seu pai alemão desapareceu no final da guerra, deixando-o a ele e sua à mãe entregues ao ódio e ao desprezo dos outros habitantes da vila francesa.
Um dia o vento traz-lhe Coyote, um americano, e a sua vida muda radicalmente. Deixando a França para trás, Mischa reencontra a felicidade ao lado da mãe e de Coyote numa pequena cidade americana. No entanto, e tal como aconteceu com o seu pai, o padrasto também desaparece de repente sem uma palavra.
Já adulto, Mischa vive atormentado por estas cicatrizes. Quando a sua mãe, ao morrer, entrega a um museu A Virgem Cigana, um célebre quadro de Ticiano cuja existência Mischa desconhecia por completo, este decide então regressar a França para fazer as pazes com o seu passado e descobrir a verdade sobre a origem do quadro, por mais dolorosa que esta possa ser.

ISBN: 9789722524599 – 11×17 (Bertrand Editora) / 2012 – 464 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Este é o segundo romance da autora Santa Montefiore que leio, sendo que o primeiro foi A Árvore dos Segredos. As expectativas estavam elevadas, devido à estreia fabulosa que tive com ela e por isso estava bastante entusiasmada com este A Virgem Cigana. Este romance conta-nos a história de Mischa e da sua mãe, Anouk que vivem num chateaux em França, ostracizados pela população local, pois Mischa é filho de um alemão. Mischa e a mãe são tratados como traidores pelos habitantes da comunidade e têm uma existência muito complicada e bem exigente. Até que Coyote, um americano, chega à aldeia e muda a vida tanto de Mischa como de Anouk. A música e o amor entra nos seus corações e Coyote é o motor de mudança toda, apesar de todo o mistério e desconfiança que o segue como uma sombra. Há algo de Coyote que ninguém consegue alcançar, nem aqueles que ele diz amar. E essa sombra torna-se notória quando este deixa Mischa e Anouk sem qualquer espécie de aviso.
Mischa, que idolatrava Coyote, acaba por crescer com a ideia que foi abandonado sem razão aparente e a raiva entra no seu espírito para dominar toda a sua vida. Quando a mãe morre, deixa para trás uma série de perguntas às quais Mischa vai tentar responder com uma visita emotiva aos fantasmas do passado.

A escrita de Santa Montefiore foi algo que me agradou muito no livro anterior e este A Virgem Cigana não foi nenhuma excepção. A forma como ela descreve os cenários é muito apelativa e é impossível não nos deixarmos encantar pelas imagens que ela traz à nossa imaginação.  As suas histórias puxam sempre um pouco pelo lado mais emotivo do leitor e isso também ajuda a criar uma ligação especial às jornadas destes personagens fictícios. Este livro passa por vários países – França, Estados Unidos da América e Chile. Para mim, que gosto de ler sobre sítios onde nunca estive, foi um achado. Adorei tentar colocar-me no lugar dos personagens e tentar imaginar as paisagens que a autora pintou para mim.
A infância de Mischa foi a parte do livro que mais me emocionou, por razões óbvias. A crueldade está bem presente e é algo muito forte ver como é que os outros habitantes tratam esta criança inocente. Por isso mesmo, senti um orgulho imenso quando Mischa conseguiu ultrapassar os seus traumas.

A parte contemporânea, apesar de me ter cativado por causa do mistério que envolveu a vida de Coyote, não teve o mesmo impacto em mim. Tenho que confessar, contudo, que existiram certos pormenores mais para o final desta leitura que me surpreenderam e que foram os responsáveis por manter o meu interesse até ao final. Fiquei apenas um pouco desiludida com a parte romântica. Se não fosse isso, esta leitura tinha-se revelado ser uma bastante interessante em vários aspectos. No entanto, esta escolha da autora em termos românticos foi uma que não me convenceu na totalidade e soube-me a pouco, tendo em conta o resto do livro.

Concluindo, foi uma leitura que teve óptimos momentos e outros que ficaram aquém das expectativas. Gostava de ter visto mais desenvolvimento no romance propriamente dito e creio que isso não permitiu no final recordar-me deste livro de uma forma mais intensa ou mais querida. Quero, apesar isso, ler mais livros da autora.

Lições de Sedução

O Suspeito

Joseph O’Loughlin aparenta ter a vida perfeita: uma mulher bonita, uma filha adorável e uma bem sucedida carreira como psicólogo clínico. Porém, até mesmo a existência mais irrepreensível pode cair por terra num abrir e fechar de olhos. Para tal basta uma rapariga assassinada, um jovem perturbado e a maior mentira da sua vida. A polícia pede ajuda a Joseph para tentar determinar se a morte da rapariga foi suicídio ou não. O psicólogo reconhece a vítima como sendo uma antiga colega, e quando um dos seus pacientes alega estar envolvido no crime, O’Loughlin acabar por se envolver numa complexa teia de enganos….

ISBN: 9789722519762 – 11×17 (Bertrand Editora)/ 2009 – 512 páginas

A Papisa Joana

Uma rapariga é encontrada morta perto de um cemitério de Londres. O seu corpo encontra-se cheio de cortes feitos por uma navalha que parecem um indício de auto-mutilação. Contudo, tudo o resto aponta para que esta mulher tenha sido vítima de um crime horrendo. Foi deixada ao esquecimento numa vala até que a polícia a encontra e começa assim uma roda viva de confusões, mentiras e ilusões que parece não ter fim.
Joseph O’Loughlin é um psicólogo clínico que acabou de descobrir que sofre de uma condição médica degenerativa. Até receber este anúncio, a sua vida tinha sido o que se pode classificar de perfeita. Tem uma mulher e uma filha lindas, que o amam. Sempre estudou nas grandes escolas e é um dos sócios do consultório onde trabalha. Tem uma casa discreta e confortável, com uma renda monstruosa. Mas é feliz. Contudo, desde que recebeu o anúncio de que sofre de uma doença que vai limitar alguma da sua mobilidade, Joseph entra numa espiral perigosa. E a situação agrava-se quando se envolve numa investigação de homicídio em que nada parece real. A rapariga que foi encontrada morta foi uma ex-paciente sua que acabou por o colocar em vários problemas e agora a polícia pensa que o psicólogo pode estar envolvido nesta embrulhada. A sua vida perfeita agora é tudo menos isso.

Nunca tinha lido nada deste autor. Na verdade, nem antes tinha ouvido falar dele, até que me ofereceram o livro que marca o início de uma série, protagonizando este psicólogo clínico – Joseph O’Loughlin. Contudo, tinha esperanças de gostar deste livro, visto que não só sou uma fã inveterada de policiais mas adoro ainda mais thrillers psicológicos. Sabendo eu que este livro estava inserido nas duas categorias, estava entusiasmada para ler esta obra (mesmo que ela tenha estado mais de um ano na estante :(.  Mais vale tarde do que nunca.)
A leitura fez-se num instante. A escrita de Michael Robotham é viciante. É muito gratificante sentir algo que puxa por nós, que nos obriga a mergulhar dentro de uma história e foi assim que me senti com a escrita do autor. Entrei neste mundo com uma facilidade enorme e como acontece sempre em livros deste género, comecei logo as minhas conjecturas, tentando fazer a minha própria investigação. A narrativa é a expectável para um thriller. A forma como o autor dá as voltas ao leitor é que pode não ser tão expectável. Para mim de facto, não foi de maneira nenhuma. À medida que fui acompanhando a história, formei as minhas próprias teorias, convencida de que ia chegar ao final e ia descobrir que afinal as minhas teorias estavam todas correctas. Claro que não foi nada assim. Estive perto em algumas situações mas confesso que o autor me deu a volta e cheguei ao final a pensar “ahhh, afinal foi isto que aconteceu, muito bem, não estava à espera“. E agora digam-me, há alguma coisa melhor que chegar ao final de um policial e ser surpreendido desta maneira? Creio que não. Embora claro seja bom acertar algumas vezes – o nosso ego afinal precisa de ser incentivado – também é bom chegar ao final destas viagens e ser surpreendido, porque o autor foi mais inteligente que nós e conseguiu construir um bom mistério.

Em termos de personagens, confesso que ainda estou um pouco indecisa na minha opinião. Não existiu nenhum personagem com o qual eu sentisse uma ligação especial, sem ser talvez a filha de Joseph – Charlie. Senti uma ternura especial no que toca a esta personagem. Contudo, todos os restantes personagens me desiludiram por alguma razão. O Joseph desiludiu-me pela maneira com que lidou com algumas situações. Esperava muito mais dele, embora por vezes tenha sentido pena por ele e tenha chegado a sentir algo parecido a compreensão. Da mulher de Joseph, Julianne, também esperava mais. Se ela não sentisse a necessidade de controlar o dia-a-dia do casal, talvez a relação deles fosse mais natural. Ela acabou por se fazer de vítima quando também não conseguiu aperceber-se de que também tinha culpa no cartório. De Jock, o melhor-amigo de Joseph, é melhor nem falar. Desde o início que não gostei dele. É um ser-humano desprezível. Acho que a melhor personagem acaba por ser o Ruíz, que apesar de ser desagradável, acaba por ser o que melhor se comporta no meio disto tudo.

Dito isto, posso dizer que foi uma estreia com o autor muito boa, tendo em conta todos os elementos que contribuíram para esta leitura. Fiquei agradavelmente surpreendida com a escrita do autor e só lamento que as editoras portuguesas não tenham continuado a publicar a série. Vou considerar continuar esta série em inglês e confesso que após este final, fiquei curiosa para saber mais. Para os leitores que apreciam um bom mistério com psicologia à mistura, têm aqui uma combinação muito boa.
Um autor a considerar para leituras futuras.

3-5

Made in America

Em Made in America, Bill Bryson desmistifica o seu país natal — explicando, por exemplo, como é que uma aldeola desértica e poeirenta se tornou Hollywood ou como é que os Americanos já consumiam comida de plástico muito antes de a expressão ter sido inventada — e expõe a verdadeira origem das tangas, do pedido SOS, e porque é que os cornflakes do Dr. Kellogg se tornaram tão famosos.

Seguindo à letra o mote diz-me como falas, dir-te-ei quem és, Bryson apresenta-nos aquilo que veio a chamar-se a «história informal dos Estados Unidos», numa obra atrevida e hilariante que irá levar os leitores às lágrimas… mas de riso.

ISBN: 9789722518772 – 11×17 (Bertrand Editora) / 2009 – 704 páginas

O Hobbit

Sempre quis saber como é que o inglês americano se formou? Sempre quis saber quais foram as influências deste dialecto de inglês? Para conhecermos a evolução do inglês americano, também precisamos de conhecer a história deste país – os Estados Unidos da América, nem sempre foram como hoje os conhecemos. Antes de serem a potência económica que são, foram colónias. E a formação deste país nem sempre foi pacata, organizada ou amigável. Há muita história por detrás da construção deste gigante. E a par com a formação deste novo país, está o desenvolvimento e adaptação da língua inglesa. Novos termos linguísticos foram inventados conforme os colonos se instalam nestes territórios novos. Os índios americanos foram uma influência muito grande para o inglês americano, mas tantas outras línguas deixaram a sua marca. O alemão, o espanhol e tantas outras deram forma a este dialecto do inglês. Ao mesmo tempo que o leitor se cultiva sobre a evolução do inglês americano, também acaba por cultivar o conhecimento que tem da história dos Estados Unidos da América através de histórias divertidas e algumas, algo insólitas.

Este autor já si tinha revelado ser o meu favorito no campo da não-ficção desde que o primeiro livro que li dele. A minha estreia revelou-se ser maravilhosa e foi logo aí que o autor me conquistou com a escrita dele e com a sua maneira de ir buscar factos interessantes, divertidos e pouco comuns. Com a ajuda da pesquisa que apoia qualquer livro dele, transforma a sua narrativa num discurso quase cómico além de ser muito didacta. O leitor acaba por aprender muitas coisas de uma forma natural, divertida e muito fluída. Não são todos os autores de não-ficção que conseguem fazer isto e é esta faceta única que eu aprecio nos livros de Bill Bryson. De facto, um autor que me consegue pôr a ler sobre ciência e a gostar, é algo especial [falo sobre o livro dele intitulado Breve História de Quase Tudo].
Este livro, Made in America, tinha um interesse especial para mim, por razões estritamente académicas. Sendo que o meu curso universitário se foca bastante em cultura, história e literatura norte-americana, é mais que normal que este livro me interessasse por razões mais egoístas. Por um lado queria confrontar o que Bill Bryson desenterrou da história dos EUA com o conhecimento que tenho adquirido nas cadeiras norte-americanas que já fiz e estou a fazer. E por outro lado, queria muito ler sobre a história norte-americana na perspectiva de um americano. Confesso que ao ler este livro me senti muito familiarizada com tudo o que autor escreveu sobre a realidade deste país ao longos dos séculos. Senti que estava numa das minhas aulas. Tanto que me senti rodeada por todos os lados de “América”. Já falo todos os dias sobre este país, portanto a América está sempre ao virar da esquina, por assim dizer.

Como digo, apesar de todos os dias falar sobre este país e de já saber várias coisas que o autor refere no seu livro, foi tão didacta quanto divertido ler a perspectiva de Bill Bryson sobre o seu próprio país. Ele levanta paradoxos e algumas realidades interessantes e problemas desta nação e diversas vezes me ri como se estivesse a apreciar uma “inside joke”.  O autor pegou em várias áreas da história do país, como a evolução da tecnologia, da publicidade, do aparecimento do automóvel e explica que papel estes acontecimentos tiveram para o desenvolvimento da língua. Um dos factos que achei mais interessantes foi aprender que Hollywood foi fundado por homens de diversas nacionalidades. O que é interessante nesta história é que nenhum deles era de facto americano, o que não deixa de ser irónico, visto que Hollywood é um dos símbolos mais importante deste país. E isto é só um exemplo. Como o autor já nos habituou apresenta-nos uma série de factos de forma muito divertida e também consegue desenterrar histórias que até os próprios americanos já esqueceram sobre o seu país. Só tenho pena que este livro tenha sido originalmente publicado em 1996 e portanto não se pode concentrar nestes últimos 20 anos. Teria sido interessante ver a perspectiva do autor sobre a história norte-americana das últimas décadas.

Para quem se interessa pela história e evolução do inglês americano ou pela história deste país, é uma leitura que não só diverte mas que ensina ao mesmo tempo que nos faz rir. Para quem tem um interesse académico por este país como eu, certamente vai gostar de ler sobre esta temática do ponto de vista de um nativo. E para aqueles que procuram cultivar o seu conhecimento geral, podem encontrar aqui uma obra de não-ficção muita rica em factos interessantes e certamente, divertidos.
Como já perceberam, diversão e aprendizagem são as palavras de ordem deste autor e deste livro. Uma viagem guiada à América do século XVII até à América do século XX.

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Comer, Orar, Amar

Quando fez 30 anos, Elizabeth Gilbert tinha tudo o que uma mulher americana formada e ambiciosa podia querer: um marido, uma casa, uma carreira de sucesso. Mas em vez de estar feliz e realizada, sentia-se confusa e assustada. Depois de um divórcio infernal e de uma história de amor fulminante acabada em desgraça, Gilbert tomou uma decisão: abdicar de tudo, despedir-se do emprego e passar um ano a viajar sozinha. “Comer na Itália, Orar na Índia e Amar na Indonésia” é uma micro-autobiografia desse ano.
O projecto de Elizabeth Gilbert era visitar três lugares onde pudesse desenvolver um aspecto particular da sua natureza no contexto de uma cultura que tradicionalmente se destacasse por fazê-lo bem. Em Roma, estudou a arte do prazer, aprendeu a falar Italiano e engordou os 23 quilos mais felizes da sua existência. Reservou a Índia para praticar a arte da devoção. Com a ajuda de um guru nativo e de um cowboy do Texas surpreendentemente sábio, Elizabeth empenhou-se em quatro meses de exploração espiritual ininterrupta. Em Bali, aprendeu a equilibrar o prazer sensual e a transcendência divina. Tornou-se aluna de um feiticeiro nonagenário e apaixonou-se da melhor maneira possível – inesperadamente.

ISBN: 9789722518932 – 11×17 (Bertrand Editora) / 2010 – 512 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Elizabeth encontra-se num dos piores momentos da sua vida. O seu casamento já não parece fazer sentido mas como é que se pode acabar algo que definiu grande parte da nossa vida? A depressão assola o espírito de Elizabeth, até que numa noite de desespero, no chão da sua casa-de-banho, algo acontece. Não, não é um milagre. Mas algo muda. E depois dessa noite, Elizabeth decidi tomar as rédeas da sua vida e tentar encontrar-se a si mesma. Alguém que se perdeu durante alguns anos e que andou perdida durante um tempo, mas alguém que se encontra igualmente disposta a reencontrar-se e a ser responsável pelas decisões que toma. Por isso mesmo, decide tirar um ano para isto – para se encontrar a si mesma, ao mesmo tempo que tenta procurar Deus, com yoga e meditação. Em Roma, vai encontrar o prazer da comida, do vinho e da vida. Na Índia, aprende a acalmar a mente e aprende que a meditação não é tão fácil quanto parece, que é também uma luta interna. É lá que se encontra, em termos religiosos. E na Indonésia, aprende a arte de viver em equilíbrio. E é durante esta jornada que Elizabeth é surpreendida pelo destino, pois o amor acaba por a encontrar. Exactamente quando ela menos esperava.

Não fui eu que encontrei este livro, foi ele que me encontrou a mim. A sensação que este livro se atravessou no meu caminho – na altura em que o fez – de forma propositada é muito forte. Vou contar-vos porquê. Já tinha conhecia este livro, claro. E já sabia que o iria ler, mesmo que isso significasse que apenas o fizesse quando já estivesse cheia de rugas e velha. E com isso, pus o livro de lado na minha mente, para a pilha interminável de livros a ler até ao dia em que eu morrer. Ou melhor dizendo, até ao dia em que entro na biblioteca, como se fosse um dia normal e o primeiro sítio onde os meus olhos param é na lombada deste livro. Poderiam dizer que esta acção em si não tem nada de extraordinário, mas para mim, foi uma experiência diferente. Simplesmente porque parece que o livro tinha sido colocado naquele sítio para eu o poder ver mal entrasse na biblioteca. Apenas porque era a altura ideal para eu o ler. Assim, fui de encontro ao livro e depois de alguma indecisão – a pensar na lista de leituras que tinha de fazer para a faculdade – trouxe o livro para casa. E é por isso que digo que este livro me encontrou a mim ao invés de eu o ter encontrado a ele. Porque não poderia haver melhor altura para ler este livro. Se o tivesse lido há dois anos atrás, este livro não teria resultado para mim. Porquê? Não sei. Ou melhor sei. O eu de há dois anos atrás não estava preparado para encontrar este livro. O eu de hoje estava mais que preparado para ler e aprender com este livro.

Não sei muito bem quanto tempo demorei a ler este livro, mas se perguntarem se o li por prazer, vou dizer que não. Para mim, esta leitura não foi lúdica, no sentido em que o li a pensar que iria encontrar nestas páginas um romance chick-lit. De facto no início não sabia o que encontrar e por isso esta leitura acabou também por ser uma jornada para mim. Descobri o livro conforme ia avançando pelas suas páginas, tal como a autora se descobriu a si mesma durante a jornada que fez. Tenho perfeita noção de que este livro não resulta para todas as pessoas. Para mim, nesta altura particular, resultou. Fez-me sentir que eu própria entrei numa jornada para me descobrir a mim mesma enquanto estava a ler o livro. Há muitas palavras sábias dentro destas páginas. Muitas lições de vida. Enquanto Elizabeth, em Roma, reavaliava a sua vida, eu punha-me no lugar dela. E tentava aprender com os erros dela. Quis gritar-lhe, não estás sozinha. Há aqui alguém que está do teu lado, a torcer por ti, porque tu mereces ser feliz. Porque todos nós gostamos de saber que não estamos sozinhos quando estamos a sofrer.

Poderia copiar todas as quotes deste livro e mesmo assim não conseguiria explicar o que senti enquanto estava a ler este livro. Acho que é uma experiência tão pessoal e tão única para cada pessoa que lê que é impossível encontrar palavras para descrever a sensação. Creio que este livro de memórias foi um presente para mim. Não estou a falar do livro, do objecto físico. O presente deste livro é mais intangível. São as palavras, a sabedoria, os momentos. A consciência que tomei ao ler as palavras da experiência de Elizabeth. Ofereceu-me algum conhecimento e algum consolo, para eu própria levar uma vida mais equilibrada.  Já para não referir a vontade que me deixou de viajar. O meu coração já estava inquieto para conhecer este mundo, mas a cada dia que passa e a cada livro que lê, esta ânsia é cada vez mais forte.

Destiny, I feel, is also a relationship – a play between divine grace and willful self-effort. Half of it you have no control over; half of it is absolutely in your hands, and your actions will show measurable conquesence.

in  Comer, Orar, Amar

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