A Rainha Branca

A história do primeiro volume de uma nova trilogia notável desenrola-se em plena Guerra das Rosas, agitada por tumultos e intrigas. A Rainha Branca é a história de uma plebeia que ascende à realeza servindo-se da sua beleza, uma mulher que revela estar à altura das exigências da sua posição social e que luta tenazmente pelo sucesso da sua família, uma mulher cujos dois filhos estarão no centro de um mistério que há séculos intriga os historiadores: o desaparecimento dos dois príncipes, filhos de Eduardo IV, na Torre.

ISBN: 9789722630122 – Civilização Editora / 2010 – 448 páginas


A Guerra das Rosas foi um conjunto de batalhas que se estenderam entre os anos de 1455 e 1487 entre primos da mesma família real, cada um a lutar pelo seu ramo da família. As casas que se defrontaram foram a de Lancaster e a York, cujos emblemas eram uma rosa vermelha e uma rosa branca respectivamente. Edward IV, futuro Rei de Inglaterra acaba por conseguir levar os York ao trono, defendendo o estandarte da rosa branca e, a sua mulher Elizabeth Woodville, antes do casamento uma mera plebeia, ascende ao trono e vê-se repentinamente obrigada a lidar com as conspirações e os muitos perigos que a corte inglesa e o conflito contínuo entre primos representam.
A Rainha Branca foi a minha estreia com a autora de romances históricos Philippa Gregory. Apesar de já ter ouvido falar neste nome e alguns dos seus livros me terem chamado a atenção, nunca antes tinha tido oportunidade de pegar num livro dela.  Decidi pegar nesta série intitulada The Cousins’ War por me interessar por este período da História de Inglaterra. Aliás, interesso-me pela História desta nação de forma geral, mas A Guerra das Rosas – sendo um dos mais importantes eventos históricos do país, interessou-me particularmente.
O livro é escrito na perspectiva da Rainha, uma voz que nos mostra um lado diferente da corte, da vida que a família real leva e de todos os desafios que os governantes do país têm de enfrentar. Para além do enredo principal que nos conta a ascensão de Elizabeth e Edward ao trono de Inglaterra e como estes lidam com as rebeliões que se vão levantando ao longos dos tempos tentando tirá-los do poder, a autora explorou também o mistério do desaparecimento dos filhos de Elizabeth enquanto estavam a ser mantidos em clausura na Torre de Londres. Um mistério que, na vida real, nunca encontrou nenhuma resposta ou qualquer satisfação é trazido de novo à vida no universo ficcional de uma forma muito inteligente e que encaixa perfeitamente na cronologia dos acontecimentos narrativos.
Confesso que o que mais gostei neste livro foi mesmo o trabalho de pesquisa que existiu por trás da construção deste romance e adorei o pormenor da autora apresentar bibliografia no final, pois é muitas vezes o que falta noutros romances históricos para os mais curiosos e interessados : uma fonte não ficcional na qual podem ir buscar mais conhecimento que foi suscitado pelo livro. A escrita da autora é bastante fluída e convida a uma leitura activa e interessada. Não posso deixar de fazer notar, igualmente, a forma como a autora conjugou factos históricos com ficção e como manipulou todos esses elementos. Dando informação, conseguiu também enriquecer o enredo onde a História nos deixa com algumas brancas e lacunas sem explicação. A ficção, neste livro, é um complemento enriquecedor para os factos reais.
Por outro lado, tenho que deixar o apontamento: a tradutora do livro achou por bem traduzir tudo o que era nomes e com isso não consigo concordar e fez-me uma confusão enorme. Sei que costuma ser norma em Portugal, traduzir nomes de Reis e casas reais, mas a minha posição quanto à tradução de nomes mantém-se inalterável – não se devem traduzir nomes, não faz sentido.
Foi uma leitura agradável que me deixou com enorme vontade de continuar a série. Segue-se portanto, num futuro próximo, o segundo volume desta série promissora.

Lições de Sedução

Advertisements

One thought on “A Rainha Branca

  1. Apesar de não ter lido este livro em específico, nos livros que li dela (Catarina de Aragão e Duas irmãs um rei) sei que houve controvérsia sobre o relato de Ana Bolena a nível histórico. Não sei se terá havido também nesta série. Porém, concordo com o que dizes, como leitura romanceada, os seus livros são muito cativantes. Pessoalmente, desde que não haja erros crassos na parte histórica, o preenchimento das lacunas com ficção agrada-me 🙂

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s