Os Filhos da Liberdade

Os Filhos da Liberdade conta a história de um grupo de adolescentes que fez parte de uma Brigada da Resistência durante a Segunda Guerra Mundial. O que unia estes jovens, de diferentes idades e nacionalidades, era a crença inabalável de que valia a pena lutar pela liberdade, e que um dia a primavera voltaria a despontar. Operando em Toulouse, este grupo conseguiu resistir às forças nazis, às milícias locais e aos colaboradores franceses. Rodeados por inimigos invisíveis e omnipresentes, estes jovens não se podiam sequer dar ao luxo de se apaixonarem – pois, caso fossem apanhados, esse amor podia ser usado contra eles… Vivendo em circunstâncias extremas, aprenderam em cada dia a desfrutar da vida ao máximo: a rir, mesmo rodeados de tragédia; a ser generosos, mesmo quando não tinham nada para dar; e a apaixonar-se, apesar de todos os riscos. Pois não se consegue matar o espírito humano enquanto a esperança estiver viva. Este romance emocionante e comovente é baseado numa história real: a 35.ª Brigada, composta por vários jovens imigrantes dispostos a combater por França e pela liberdade, existiu. Um dos seus membros era o pai de Marc Levy; o seu nome de código era «Jeannot».

ISBN: 9789722524407 – 11×17 (Bertrand) / 2012 – 353 páginas


França encontra-se quase engolida pela presença nazi nos seus territórios durante o período da Segunda Guerra Mundial.  Estes aterrorizam qualquer pessoa que eles considerem como sendo estrangeiro, sem qualquer piedade e muitos deles são torturados e enviados para os campos de concentração na nação alemã. O terror e o perigo estão em qualquer lado, amigos viram inimigos na ânsia da sobrevivência e as lealdades são testadas a todo o minuto. Mas em toda a França há pequenos núcleos que não se contentam apenas com a sobrevivência, eles preocupam-se com a vida e ainda mais com a liberdade. São os movimentos de Resistência que nunca deixam de ter esperança num futuro melhor e mais sorridente. Mas para os nazis, são terroristas que apenas pretendem perturbar a ordem pública. Estas brigadas resistentes vivem na clandestinidade, com a ajuda de mãos amigas aqui e acolá e que tentam dar esperança aos que não têm forças para lutar. Mas estas brigadas resistentes são muitas vezes constituídas por adolescentes, que mal tiveram tempo de crescer e que já lutam pelas suas existências e pelos seus futuros. Lutam pelos camaradas e lutam pelo país que os abrigou.

É necessária uma verdadeira tomada de consciência para percebermos que estamos vivos.

Este é já o terceiro livro de Marc Levy que leio e estando normalmente habituada ao seu tom leve e brincalhão, aos seus romances doces e esperançosos,  apercebi-me logo que este livro iria ter um tom muito diferente e muito mais sério do que aquilo que até então conhecia do autor francês. De facto, Os Filhos da Liberdade é uma obra com mais peso emocional e tem também o seu quê de trágico. Quando pensamos em adolescentes a lutarem pelo seu direito de viver em liberdade (sem receio de represálias pela sua religião ou tom de pele, etc.) é inevitável que esta imagem se contorne de sentimentos dramáticos. Por outro lado, a obra é escrita na primeira pessoa como um longo relato dirigido a um alguém futuro que irá ler estas palavras e que irá experienciar em primeira mão todos os acontecimentos deste jovem que se intitula Jeannot, membro pertencente da Brigada de Resistência. É patente a proximidade que se estabelece entre leitor e o escritor desse relato. E isso torna o dito relato incrivelmente mais pessoal.

A história que Jeannot nos conta é emocional, pesada, com alguns momentos de desesperança. Em tempos de guerra e em tempos de terror, o desespero encontra-se sempre na esquina mais próxima. É difícil ver os nossos amigos caírem ao nosso lado, serem executados com pouca honra a não ser aquela que eles carregam consigo pelos seus actos. É difícil arranjar a coragem para lutar mais um dia quando não vemos a luz ao fundo do túnel. Embora o relato de Jeannot nos mostre todas essas imagens negras, também nos mostra uma paisagem de esperança e de persistência. Mostra-nos uma paisagem de resistência que se pauta pelos consecutivos actos de coragem e pelos pequenos arco-irís que vão aparecendo ao longo do caminho e também pela constante lembrança dos companheiros que caíram antes deles em prol de um futuro melhor, mostrando que a sua coragem não será esquecida.

Os nomes são importantes. É desse modo que nos lembramos das pessoas; mesmo quando elas estão mortas, continuamos por vezes a chamá-las pelo nomes; se não conhecemos o seu nome, não o podemos fazer.

O relato de Jeannot é um relato histórico que tem muito para nos oferecer. Deixa-nos tristes, com um sabor amargo na boca amaldiçoando esta humanidade que consegue ser tão cruel, mas de igual forma nos deixa com os corações a rebentar de amor pelas boas pessoas e pelos seus actos de bondade. A nossa fé na humanidade é restaurada, nem que seja por uns momento apenas. Depois de vemos o mundo da pior forma, acabamos o dia sempre a acreditar num amanhã melhor e no que podemos fazer para o tornar mais esperançoso que hoje. Como diz o autor, todos somos um estrangeiro para alguém e o segredo está em aceitar tudo isso em comunidade.

…E fecharíamos juntos as páginas do passado para escrever a dois os dias futuros.

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