A Idade da Inocência

Newland Archer tem tudo. É um advogado prometedor, pertence a uma família endinheirada da burguesia de Nova Iorque e está prestes a casar-se com uma bonita rapariga…

A chegada de Madame Olenska, a prima da sua prometida, rodeada pelo escândalo, fará tremer todos os princípios de Newland e obrigá-lo a reconsiderar se quer continuar a viver entre caprichos, na inocente classe alta de Nova Iorque.

Com a dissecação das famílias endinheiradas de Nova Iorque com que Edith Wharton compôs A Idade da Inocência , esta autora conseguiu converter-se na primeira mulher a obter o Prémio Pulitzer e ser considerada numa das melhores escritoras norte-americanas de todos os tempos.

ISBN: 9788415101482 – Bibliok / 2011 – 254 páginas


Este romance de Edith Wharton foi escrito na década 20 do século XX e tem sido aclamado como um dos grandes clássicos da literatura internacional. É um romance que nos fala sobre a sociedade norte-americana e em particular sobre a sociedade nova-iorquina do final do século XIX, mais propriamente em 1870. Fala-nos sobre a forma como esta sociedade se organizava e estruturava. O enredo centra-se à volta do noivado recente do advogado Newland Archer, ao qual tudo parece correr bem. A normalidade acaba por chegar a um fim quando a prima da sua noiva (Olenska) chega a Nova Iorque e agita não apenas a sociedade e a tão organizada hierarquia, como os costumes dos nova-iorquinos e agita igualmente Newland Archer. Sendo que este brevemente se irá tornar família, torna-se necessário que Newland faça alguns esforços no sentido de ajudar a Madame Olenska a integrar-se neste colectivo. A consequente familiaridade entre estes dois personagens traz complicações à vida particular de cada um: para Newland, pois este acaba por duvidar da sua vontade de casar com May e para a Condessa Olenska com os problemas matrimoniais que a acompanham para qualquer lado e que não a permitem ter um futuro tão descansado quanto isso.

É sempre com algum “respeito” que me aproximo dos aclamados clássicos. Estes nem sempre são fáceis de ler, de compreender ou de absorver. Alguns merecem a sua fama, outros nem tanto assim. Mas ainda assim, para serem considerados clássicos é porque continuam a ter algo que dizer às sociedades ao longo dos tempos. E é por isso que me aproximo com especial cuidado destas leituras. A Idade da Inocência não representou nenhuma excepção e as expectativas para esta leitura eram grandes, não apenas por já ter ouvido falar muito desta obra mas também por esta se concentrar na sociedade norte-americana/ nova-iorquina em especial. Não sei bem o que esperava deste livro, mas sei que esperava algo de especial.

Como qualquer clássico norte-americano, esta é uma obra que coloca em conflito o indivíduo com o colectivo. Essa luta constante está presente em toda a obra e é de forma clara uma presença constante nas acções dos personagens. Para além deste conflito entre o eu e o nós, estamos a falar de uma obra que se preocupa em descrever os costumes e valores morais de uma sociedade, valores estes que ensinam os indivíduos a comportar-se em público, por assim dizer. São códigos que não só moldam cada pessoa, mas que moldam o todo de igual forma. Isto é patente quando Newland expressa os seus desejos: embora ele gostasse de agir de uma determinada maneira não o faz porque tem em conta o efeito que isso iria ter nos seus parentes, bem como na sociedade em que este se insere. E os interesses que acabam por se sobrepor são sempre os interesses colectivos e não os individuais.

Por outro lado, a estrutura da sociedade e a hierarquia também aqui está patente neste livro. Os colonizadores dos territórios norte-americanos acreditavam que este seria um paraíso sem separação de classes, sem hierarquias, onde todos os indivíduos eram vistos como iguais. Até que ponto é que isso pode ser uma visão realista desta nação e da sociedade que se veio a construir ao longo dos tempos, desde a sua formação? Não existe a tradição de divisão de classes como acontece no Velho Mundo, mas ainda assim, consegue-se perceber quem é que nesta sociedade se destaca não apenas pelos comportamentos que esses adoptam dentro da sociedade mas igualmente pela descriminação daqueles que estão supostamente abaixo deles.

Todos os tema da obra são passíveis de reflexão e acho que a autora os desenvolveu muito bem mas ainda assim, o estilo narrativo não foi exactamente aquele que eu esperava encontrar. Tenho algum receio de fazer esta afirmação de forma tão confiante porque a tradução que li está péssima, pouco trabalhada e muito mal revista. Contudo, muitas vezes tinha de reler passagens porque ficava confundida com a cronologia dos eventos e não foi uma leitura assim tão fácil de absorver para um livro tão pequeno. Por isso mesmo, foi uma leitura que se revelou abaixo das expectativas. Acabou por não me tocar de forma tão profunda quanto eu esperava.
Pelos comentários que entretanto já vi, o estilo narrativo original não é realmente muito fácil de se ler, nem convida a uma leitura compulsiva, e isso não faz com que esta seja das leituras mais fáceis. Contudo, é sem dúvida uma das obras que devemos ler antes de morrer. Não apenas nos fala de uma geração, de uma sociedade, fala-nos de uma belíssima história de amor que como tantas outras, são belas pela sua impossibilidade.

Pássaros Feridos

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