Pensa Num Núm3ro

Pelo correio chega uma série de cartas perturbadoras que terminam com uma declaração inquietante: «Pensa num número qualquer até mil, o primeiro que te vier à cabeça… Repara agora como eu conheço bem os teus segredos.» Estranhamente, aqueles que obedecem constatam que o remetente de tais cartas previu com precisão a sua escolha. Para Dave Gurney, um inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e amigo de um dos alvos das missivas, o que primeiro lhe pareceu um caso estranho depressa se transforma num complicado quebra-cabeças que levará a uma investigação em grande escala na busca de um pérfido assassino em série.

Convidado como consultor pelo gabinete do procurador, em pouco tempo Gurney consegue alguns avanços na descoberta de pistas que a polícia local negligenciara. Ainda assim, diante de um adversário que parece ter o dom da clarividência e antecipar-se a todos os passos, vê os seus melhores esforços dissiparem-se como areia por entre os dedos. Terá encontrado, ao fim de vinte e cinco anos de carreira exemplar, um adversário capaz de o vencer?

ISBN: 9789720043337 – Porto Editora / 2011 – 448 páginas


Este é um policial que começa com uma premissa inquietante. A ideia que alguém nos pode conhecer ao ponto de conseguir saber o número em que vamos pensar é realmente perturbante. Alguns diriam impossível até. Contudo, é isto mesmo que acontece a Mark Mellery, que recebe comunicações pelo correio que o deixam num estado de perturbação elevado. Elevado o suficiente para este ir ter com o seu colega de faculdade, com o qual não fala há já 25 anos e que é um polícia recentemente reformado, muito conhecido pelo número de detenções de assassinos em série que teve durante a sua brilhante carreira – Dave Gurney. O inspector acaba por se ver arrastado para mais um caso e embrenha-se neste mistério que parece impossível de resolver. Até que depois da primeira peça cair, rapidamente as outras lhe seguem.

Eu adoro policiais, não há como contornar a questão. Cresci a ler livros de mistério e mais tarde estes transformaram-se nos policiais. Já perdi a conta ao número de policiais que li e ao número dos que hei-de ler, porque este é um género que continua a agradar-me, mesmo que já conheça a sua fórmula. No entanto, nunca antes tinha lido algo de John Verdon, pelo que não sabia o que havia de esperar com este policial. Apesar de o título e a capa me terem cativado sobremaneira, o que decidiu se iria ou não ler este livro foi a crítica de Tess Gerritsen, que é uma das minhas autoras de policiais favoritas. E revelou-se ser uma boa aposta.

Esta foi uma leitura que se fez muito bem. A escrita do autor é fluída, quase rítmica, que introduz o leitor no seu mundo com uma imensa facilidade. Os capítulos breves ajudam a dar um ritmo rápido à história e faz com que se consiga acompanhar bem o enredo (nunca fui muito fã de capítulos com uma extensão muito longa). A premissa com que este livro arranca é muitíssimo curiosa e às primeiras 20 páginas, o leitor sente-se já impelido para descobrir o que está por detrás deste mistério. E o mistério é realmente a parte mais bem conseguida do livro para mim: um enredo muito bem estruturado, com uma evolução gradual e constante – sem voltas desnecessárias.  Dei por mim naquela cantiga típica de uma livrólica “só mais um capítulo e depois páro.” E quando dava por mim, já tinha lido mais de 50 páginas num piscar de olhos. Essa necessidade de ler mais e mais e estar dentro deste universo é para mim, um dos factores mais importantes no que caracteriza não apenas um bom polícia, mas também as boas leituras.

Além do mistério, tenho que reconhecer também o bom desenvolvimento e exploração da personagem principal, Dave Gurney. O autor desenvolveu o suficiente neste livro e deixou o suficiente em aberto para explorar em livros vindouros e creio que isso foi uma decisão inteligente. Se existia dúvidas que não iria ler os livros seguintes, essa dissipou-se, pois neste momento quero mesmo saber o que o futuro reservará a este ex-polícia inteligente e perspicaz que por fora é incrivelmente racional, mas por dentro tem um universo emocional inteiro por explorar e conhecer.

Foi realmente uma boa aposta!

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