Messias

Londres, Maio de 1998. Uma onda de calor sufoca a cidade: dias abafados, estranhas noites de nevoeiro e os passos furtivos de um assassino pelas ruas. Três pessoas aparecem misteriosamente assassinadas sem que qualquer pista indique uma relação entre os crimes: nada as une nem as liga… a não ser o facto de os seus cadáveres aparecerem com uma colher de prata no lugar onde anteriormente tinham a língua… No encalço deste carniceiro está o superintendente Red Metcalfe, um investigador de reconhecidos méritos, capaz de se colar à pele e entrar na mente dos assassinos que persegue.

Messias é o triller mais empolgante dos últimos anos e assombrará garantidamente os seus sonhos!

ISBN: 9789722518208 – 11 x17 (Bertrand) – 637 páginas


Boris Starling em Messias apresenta-nos um dos mais crípticos serial-killers desde Jack The Ripper. Os cadáveres são descobertos nas suas casas, mutilados de diversas formas, sem línguas e com colheres de prata na boca. O superintendente Metcalfe, que é normalmente elogiado pela proeza de conseguir entender como ninguém os assassinos que persegue, sente-se perdido com este caso. Por mais que tente descobrir a lógica por detrás destes assassínios horrendos, não consegue entrar na cabeça do seu assassino. Ele tenta perseguir o assassino, mas ao mesmo tempo, o seu passado obscuro também o persegue.

Este é o primeiro livro que leio do autor e fiquei muito impressionada. A sua narrativa é completamente viciante e o autor conseguiu construir um enredo com início, meio e fim sem nunca perder a qualidade nestas mais de 600 páginas. Não só os crimes nos deixam curiosos e deixam em alerta os nossos instintos de detectives, mas também não conseguimos deixar de nos surpreender com a profunda relação que se se estabelece entre leitor e protagonista. Red fez-me pensar nos erros que todos nós cometemos nesta vida e quantos desses erros tentamos esquecer à espera que não nos assombrem o futuro. E que mesmo assim, alguns deles têm o poder de nunca nos deixaram esquecer de más decisões do passado e turvam outras decisões que possamos tomar em tempos futuros.

É preciso dizer que não só o autor escreve bem, mantendo sempre presente que o leitor precisa de ser cativado e o autor consegue fazer isso sem esforço algum. Conforme avançamos na narrativa, vamos tendo oportunidade de conhecer os intervenientes da história em vários momentos e igualmente em vários tempos. O autor faz alguns saltos temporais que são essenciais na compreensão da psique do protagonista mas também da do assassino. Gostei da forma como o autor vai ligando todos os pontos e ele conseguiu certamente enganar-me com as voltas e reviravoltas. Um policial que nos consegue enganar é sempre um policial muito bom! Boris Starling vai-nos dando pistas cruciais para a resolução do caso, mas paralelamente e enganadoramente deixa-nos acreditar que conseguimos resolver o caso antes do protagonista, sem ser esse o final da história. É preciso talento para isso.

Só lamento que a revisão desta edição de bolso seja a coisa mais pobre que já vi. As gralhas são imensas, existe a ocasional troca de nomes e erros como há/à que são inadmissíveis para quem é da área de Letras e faz isto para ganhar a vida. É muito triste comprar livros que não são produzidos em condições.

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