Wolf Hall

Vencedor do Man Booker Prize 2009. De uma das melhores escritoras contemporâneas, “Wolf Hall” explora a intersecção de psicologia individual com objectivos políticos. Com uma grande variedade de personagens e uma rica sucessão de incidentes, recua na história para nos mostrar a Inglaterra dos Tudor como uma sociedade em formação, que se molda a si própria com grande paixão, sofrimento e coragem. Inglaterra, década de 1520.Henrique VIII está no trono, mas não tem herdeiros. O cardeal Wolsey é o conselheiro do rei encarregue de obter o divórcio que o papa recusa conceder. Neste ambiente de desconfiança e necessidade aparece Thomas Cromwell, primeiro como secretário de Wolsey, e depois como seu sucessor. Cromwell é um homem muito original: filho de um ferreiro bruto, é um génio da política, um subornador, um galanteador, um arrivista, um homem com uma habilidade incrível para manipular pessoas e aproveitar ocasiões. Implacável na procura dos seus próprios interesses, Cromwell é tão ambicioso nos seus objectivos políticos como nos seus objectivos pessoais. O seu plano de reformas é implementado perante um parlamento que apenas zela pelos seus interesses e um rei que flutua entre paixões românticas e fúrias brutais.

ISBN: 9789722631044 – Civilização Editora / 2010 – 672 páginas


Wolf Hall retrata-nos uma época sangrenta e particularmente complexa em termos políticos e religiosos para a Inglaterra do século dezasseis, era do Renascimento e uma época tão rica quanto conturbada para o território das Ilhas Britânicas. No trono de Inglaterra senta-se o Rei Henrique VIII da família Tudor, uma das maiores famílias reais da história desta nação. Henrique, que pretende um divórcio da viúva do seu irmão não tem descendência e enceta uma batalha contra a Igreja, no sentido de lhe ser concedido o divórcio que tanto deseja e almeja. Thomas Cromwell, personagem singular, vai crescendo na confiança do monarca até se tornar seu conselheiro. Mas nesta corte, onde as aparências reinam, os inimigos estão à espreitas onde menos se espera e as conspirações estão logo ao virar da esquina. Um dia aliados, outro dia inimigos é o ambiente de tensão política, religiosa e social que governa o território inglês por esta altura. Uma obra narrada pela mão de Thomas Cromwell, esta é uma narrativa que pretende deslocar o leitor para os conflitos que se espalham na corte.

Não só adoro Inglaterra como sou fascinada pela história das Ilhas Britânicas na sua generalidade. A dinastia Tudor é das que mais interesse me suscita não só em obras literárias, mas também em séries televisivas e adaptações cinematográficas. Por ser uma das famílias que mais polémica gerou, com monarcas que agitaram a corte inglesa das mais variadas formas, é uma fonte de inspiração quase infinita. E é o palco perfeito para os conflitos e as conspirações proliferarem. O século 16 e o 17 são particularmente ricos em termos históricos e culturais, pelo que aguardei ler esta obra com alguma expectativa por retratar algo que sabia ser do meu interesse. A obra é bastante conhecida e ganhou inclusive o prémio Man Booker Prize no ano de 2009. A autora tem sido bastante elogiada pela sua narrativa e pela forma como retratou este período da História de Inglaterra. Esta obra é até bastante extensa e daí que eu tenha demorado 2 meses (ou muito perto disso) a conseguir ler tudo do início ao fim.

Começo por dizer que esta não é uma leitura fácil. É um romance histórico muitíssimo trabalhado, com doses pesadas de pesquisa e factos que se intercalam com a narrativa e nem sempre são fáceis de destrinçar se não conhecermos bem a história e o passado do território inglês. A escrita da autora não é muito amigável, nem convida a leituras entusiásticas, na minha opinião. É pelo contrário uma narrativa lenta, com baixa margem de progressão e que nem sempre é muito clara – claro que isto pode ser uma coisa minha e não geral, não se deixem afectar por este comentário em particular.
Além disso, temos uma perspectiva algo limitada dos acontecimentos. A autora escolher fazer do seu protagonista Thomas Cromwell, um personagem histórico que se veio a revelar de extrema importância para o destino do reinado de Henrique, mas na minha opinião muito pessoal, eu teria preferido um narrador na terceira pessoa, omnisciente, que nos mostrasse uma perspectiva mais alargada dos eventos.
Isto tudo porque a autora não conseguiu cativar-me com a personalidade de Cromwell e dotou o seu discurso de um tom monótono, quase sem vida, que não alicia à compulsividade da leitura.

Talvez por isso, as minhas expectativas tenham saído um pouco frustradas. Esperava encontrar uma obra cheia de vivacidade e que me deixasse completamente deslumbrada e acabei por ter momentos em que desesperava para avançar 30 páginas. Contudo, isso não dita que esta obra não tenha nada que se aproveite. Muito pelo contrário. A forma como a autora retrata a Inglaterra desse tempo é interessante e deixou-me a imaginar como seria mesmo estar lá, a experienciar todo aquele ambiente instável e desconfiado da corte. É igualmente interessante ver uma perspectiva pessoal (e tão próxima do epicentro deste caos) dos acontecimentos que ditaram que Inglaterra se distanciasse da Igreja Católica.

Tendo tudo isto em conta, foi um livro que apesar de ter um potencial extraordinário para me encantar, revelou-se uma leitura com altos e baixos. Gostei mais da parte histórica, contextual e social do livro do que propriamente o relato de Thomas Cromwell. A narrativa não me conseguiu deslumbrar por completo, mas no entanto, fiquei com vontade de ler o segundo livro – exactamente pela forma como a autora construiu o retrato de uma Inglaterra a passar por muitas mudanças sociais e religiosas. Gostei.

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