As Meninas dos Chocolates

Edie, Ruby e Janet são amigas e dedicam-se a fazer chocolates na famosa fábrica Cadbury, em Inglaterra. As suas vidas poderiam ser de sonho, não fossem as atribulações familiares e a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Edie casa muito jovem. A sua fé no futuro é ilimitada mas o destino tem outros planos para ela. Com apenas dezanove anos, Edie enfrenta a guerra sozinha e tomada pela dor após a perda do marido e do filho. Até que uma noite, durante um bombardeamento, uma criança abandonada é deixada ao seu cuidado… Entretanto, a sua jovial amiga Ruby, apesar do medo de ficar solteirona, acaba por se casar com Frank, desconhecendo o seu carácter temperamental. E há também Janet – inteligente, bondosa e atraída pelos homens errados. Profundamente magoada pela sua última relação amorosa, Janet está convencida de que nunca mais se apaixonará. Mas David, a criança que Edie acolhe, conquista o coração de todos. E quando tem idade suficiente para questionar a sua verdadeira identidade, David vai novamente transformar as suas vidas e proporcionar-lhes algo com que nunca sonharam … Três mulheres cujas vidas são marcadas pela amizade, a guerra e o amor por uma criança.

ISBN: 9789892316130 – Edições ASA / 2011 – 492 páginas


As Meninas dos Chocolates é um romance histórico que conta as aventuras de três amigas que trabalham na fábrica de chocolates de Cadbury em Inglaterra durante os conflitos bélicos da Segunda Guerra Mundial. A vida durante a guerra não é nada fácil, com os racionamentos e as dificuldades que surgem na vida quotidiana e a insegurança em geral. Mas, coisas boas também podem surgir nestes momentos mais difíceis. Para Edie, a vida não tem sido fácil. Depois de perder o seu jovem marido um dia antes deste ir para a guerra, acaba por perder o filho dele que trazia no ventre e a vida não parece ter mais nada de agradável para lhe oferecer, até que acolhe um rapazinho que foi o único sobrevivente de um bombardeamento. Ruby, recém-casada com Frank acaba por se aperceber que a vida de casada não é tão conto-de-fadas como ao início pensava e agora que se vê com uma criança para cuidar é que se apercebe que ao longo do caminho se poderá ter precipitado em algumas decisões. E Janet acha que o amor não é para ela depois de se envolver com o homem mais errado para ela mas acaba por se apaixonar por um colega voluntário e a vida parece dar-lhe alguma esperança. Os infortúnios que juntam estas três mulheres vão ajudá-las a ultrapassar estes tempos mais complicados e amizade e o amor que junta este pequeno círculo revela-se forte o suficiente para atravessar qualquer maré.

Este romance de Annie Murray é a minha estreia com a autora. Nunca antes tinha ouvido falar dela, nem do seu trabalho e portanto quando peguei neste livro fi-lo sem saber ao que ia. Apenas sabia que o livro decorria durante o período da Segunda Guerra Mundial, que é uma temática que mais vezes do que não, costuma chamar a minha atenção com bastante eficácia. Confesso que a minha primeira reacção a um título destes é algo do género: “deve ser um daqueles romances que apesar de ter um cenário desolador, é tão doce que entope as minhas veias de açúcar”. Afinal lá diz o dito popular, as aparências iludem. E não é que iludem mesmo?
Está certo que este é um romance e está certo que tem alguns momentos mais ternurentos, mas ficou bem aquém de me deixar com uma crise de doçura excessivas nas veias. A história é simples. Três amigas confrontam-se com vários problemas emocionais durante o enredo e cada uma tenta, à sua maneira, conquistar o seu final feliz. De alguma maneira, achei que faltava mais a esta história. Apesar de a narrativa ter um enredo secundário que poderia suscitar algum mistério, senti que ficou a faltar mais emoção ao longo de todas estas voltas e reviravoltas.

A escrita da autora é incrivelmente fluída e lê-se com uma facilidade imensa. Gosto da sua maneira de expor os eventos da narrativa e o leitor é capaz de acompanhar bem o enredo sem se sentir de forma alguma aborrecido. Contudo, apesar da escrita agradável, os seus personagens deixam algo a desejar, são frágeis – fracos até. Com fracos quero eu dizer que não têm nada que os distinga, que me faça pensar: «tu tens algo de diferente, de especial». A personagem que mais me agradou nesta história foi o David, por ter uma vontade de ferro e por ser alguém que quis construir um caminho para si mesmo, ainda que pudesse ter que o fazer à força. As restantes personagens desiludiram-me em grande escala, por achar que deveriam ter sido melhor esculpidas.

O romance concentra-se mais na vertente romântica do que propriamente na pesquisa histórica mas é possível notar-se que a autora não descurou a vertente histórica do seu enredo e isso para mim tem pontos positivos também. Em suma, foi uma leitura agradável quanto baste mas não me encheu as medidas. Quando o chocolate chegou ao final, fiquei com gosto agridoce na boca ao invés de doce. Ainda assim e depois de ler a sinopse da sequela, não posso deixar de me sentir curiosa com o próximo livro.

Pássaros Feridos

One thought on “As Meninas dos Chocolates

  1. Olá Filipa:)
    Eis um livrinho que me chamou muito a atenção quando saiu mas depois a minha curiosidade esmoreceu.
    Tens um TAG no meu blogue.
    Beijinhos

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