Fahrenheit 451

Fahrenheit 451, a temperatura a que o papel do livro se incendeia e arde…
Guy Montag era um bombeiro cuja tarefa consistia em atear fogos e não apagar fogos, ao contrário do que a sua profissão possa sugerir.
O sistema era simples. Os livros deviam ser queimados, juntamente com as casas onde estavam escondidos, os seus proprietários presos e executados.
O sucesso deste estado de obediência e paz social devia-se sobretudo ao cuidado com a educação. As crianças iam à escola mas não aprendiam a ler.
Tudo corria bem a Montag, que nunca questionara fosse o que fosse, até conhecer uma jovem de 17 anos que lhe falou de um passado em que as pessoas não tinham medo. E depois conheceu um professor que lhe falou de um futuro em que as pessoas podiam ler e pensar. E Guy Montag apercebeu-se subitamente daquilo que tinha de fazer…
Ray Bradbury é um aclamado escritor norte-americano de contos de ficção científica. Ao longo dos anos, este prolífico autor tem visto muitas das suas histórias adaptadas ao cinema, rádio e televisão. A sua própria ligação ao mundo da sétima arte já lhe valeu a atribuição de um Emmy, um dos inúmeros prémios com que já foi agraciado.
Em 1966, François Truffaut adaptou ao cinema esta obra-prima de Bradbury e aguarda-se um remake há muito anunciado.

ISBN: 9789721050860 – Publicações Europa-América / 2011 – 196 páginas

O Hobbit

Fahrenheit 451 é uma obra sobre a qual já muito ouvi falar e Ray Bradbury é uma referência da literatura norte-americana, pelo que me foi completamente impossível contornar a leitura desta obra. Sabia que mais cedo ou mais tarde teria que ler este tão conhecido trabalho da literatura e sobre o qual já ouvi maravilhas. Confesso que a ideia me fascina. Apesar de ser uma amante de livros, fascinava-me ler este livro, ler sobre este conceito de queimar livros, de fazer arder conhecimento para este desaparecer e deixar de representar uma ameaça. De facto os livros podem realmente ser perigosos. Como o autor refere durante o decorrer desta obra, os livros fazem com que os seus leitores se questionem sobre o porquê das coisas e não o como. E a partir do momento em que desenvolvemos a capacidade de questionamento, começamos a duvidar ou a ponderar maneiras alternativas de fazer as coisas. Começamos a procurar uma saída alternativa – uma luz ao fundo do túnel -, uma melhor maneira de desenvolver ideias e projectos. Não é apenas e só o conhecimento que os livros nos oferecem que pode ser perigoso, são os processos de pensamento crítico que o nosso cérebro começa a construir que representam uma maior ameaça para um sistema político. Porque aqueles que não se questionam, vivem ignorantes do que a mudança pode significar e são portanto felizes no seu próprio desconhecimento. Mas aqueles que procuram saber o porquê das coisas, aqueles que procuram desconstruir as ideologias, adaptá-las, modificá-las, representam a possibilidade de destruir o que é conhecido e isso é o princípio do fim.
A ideologia deste sistema descrito na obra é portanto a limitação de acessos aos livros e à educação para que a população nunca sinta a necessidade de se questionar sobre os princípios base deste sistema. Os livros representam o fruto proibido do conhecimento e é por essa razão que deve ser exterminado, função que é realizada pelos bombeiros que outrora apagavam fogo e agora são quem os inicia.
Como já tinha referido antes, esta definição de sociedade fascinou-me (na verdade praticamente todas as distopias me fascinam por apresentarem hipóteses tão incrivelmente assustadoras mas originais e convenhamos, geniais) e a sociedade que Ray Bradbury aqui imagina não foge à regra. Sendo que este livro foi publicado pela primeira vez em 1953, parece-me muitíssimo original o conceito que o autor aqui criou e desenvolveu partindo do pressuposto que os livros são a fonte do que se encontra mal na sociedade. Mas o autor podia ter escolhido mil e uma maneiras de erradicar os livros da face da terra, tendo escolhido colocar os bombeiros no epicentro do sistema, que são figuras que normalmente associamos com paz, segurança e protecção.
Não posso, no entanto, dizer que esta leitura foi perfeita. Apesar de ter gostado do conceito onde o livro se baseia e a partir do qual toda a história se desenvolve, não gostei por aí além do Guy Montag nem me consegui identificar com ele. O que para mim significa que todo o percurso que o Guy Montag fez, foi para mim, a parte que menos impacto teve nesta leitura. Isto não quer de maneira nenhuma dizer que outros leitores sintam o mesmo, simplesmente quer dizer que o que achei verdadeiramente genial nesta obra foi todo o mundo que o autor construiu e as ideias que ele passou tendo como recurso o livro, aquilo que estes podem significar para quem os lê e como as ideias que colocamos num livro podem ter impacto num futuro longínquo. Os livros podem de facto mudar o mundo, mudar aquilo em que acreditamos e todas as nossas ideologias.
Os livros são uma das forças motrizes da nossa sociedade. Por isso é que é tão assustador que estes possam ser exterminados.

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