Sete Meses e Meio para Encontrar Namorado

“Ontem devia ter matado a minha mãe e a minha irmã, mas em vez de as apunhalar, comi meia tarte de limão e chorei.”

Lúcia já entrou na casa dos trinta, tem uns quilitos a mais, vive sozinha e tem azar no amor. Como se não bastasse, a sua irmã mais nova, Irina “a perfeita”, acaba de anunciar à família que se vai casar. Nesse dia fatídico, Lúcia ouve uma conversa entre a perversa da mãe e a filha favorita: “Aposto que a tua irmã vai ao casamento sozinha, gorda e vestida de preto. Mas se for com um namorado, e um namorado a sério, pago o copo d’água!”
Furiosa, Lúcia promete a si mesma que vai estragar os planos da mãe, dê por onde der. E começa à procura do seu príncipe encantado. Será o Marcelo? Bom rapaz, mas feio que dói… Ou o Matias? Esse tem pinta, mas fama de mulherengo… Numa alucinante sucessão de encontros, ao longo 227 dias, Lúcia vai procurar o Sr. Certo. E, quem sabe, encontrá-lo mesmo ao virar da esquina…
Sete Meses e Meio Para Encontrar um Namorado é o diário real, terno e divertido, de um mulher que não desiste nunca do amor.

ISBN: 9789892314976 – Editora Caderno ( Leya) / 2011 – 238 páginas

O Hobbit

Sete Meses e Meio para Encontrar Namorado é uma comédia romântica escrita num tom muito leve e divertido, uma leitura agradável que pede descontracção e algumas horas vazias para nos perdermos nestas páginas. Esta autora era completamente desconhecida para mim, mas na altura em que comprei o livro achei o título e a sinopse tão engraçadas que decidi arriscar e conhecer a escrita da autora.
Confesso que me sinto um pouco dividida no que toca a classificar esta leitura. Apesar de ter sido agradável, teve momentos menos bons e a protagonista testou-me a paciência algumas vezes por ser uma personagem tão tristemente concebida. Digo isto porque a sua personalidade é muito incerta. Ora tanto defende uma coisa, quando no momento a seguir já está a ponderar exactamente o contrário. É fútil, não fala por si e deixa-se pisar por outros constantemente ao mesmo tempo que tem festas para celebrar o quão desafortunada é. É uma solteirona de 30 anos que acha que nada de bom lhe acontece na vida, tem quilos a mais e mesmo assim, não faz nada para mudar a sua situação. Ao mesmo tempo que se recrimina por comer um pastel de nata, tem pena de si própria porque todas as semanas tenta fazer dieta e … não consegue. Diz que tem um emprego mau, quer mudar de posição mas no entanto há vezes em que não vai ao trabalho porque… está com pena de si própria.
Talvez esteja a ser demasiado exigente com a personagem, afinal a intenção da autora era claramente construir uma personagem não muito profunda que permitisse ao leitor divertir-se com as situações caricatas em que esta se coloca. E sim, posso dizer que houve instâncias em que achei a leitura engraçada e até cómica. Mas ao pensar realmente na construção do carácter de Lúcia não posso deixar de me perguntar porque é que a autora escolheu dar-lhe tão pouca profundidade e tão pouca substância – às vezes parece uma mulher desmiolada que não sabe pensar por si própria. Que mensagem é que isso passa? – que uma mulher só pode viver feliz e completa aos 30 anos se tiver um namorado, se não tiver quilos a mais, se tiver um trabalho de topo? E ao mesmo tempo sendo uma preguiçosa, que não defende a sua posição e tem pena de si própria em vez de lutar, determinada, pelos seus objectivos? Eu que cresci a acreditar que se uma pessoa quer algo, ter que ir atrás dela e não o contrário, custa-me aceitar esta passividade patética de Lúcia.
E talvez seja por isso que foi difícil tragar esta leitura. Além disso, depois de ter lido 70 páginas descobri como ia ser o final e acho que Lúcia não cresceu o suficiente durante o livro para merecer tal final. Teve alguma evolução (lá a meio chegou a defender-se a si própria) mas não creio que tenha sido a evolução desejada para ela ter acabado como acabou.
Deste modo e equilibrando a fácil leitura com a péssima protagonista, posso dizer que é uma comédia romântica leve, que oferece divertimento, romance e decepções à mistura.
Não foi a leitura ideal para mim, mas não posso dizer que foi das piores que já tive. Creio que a autora tem possibilidade de fazer melhor porque a escrita dela é agradável e é um livro que se lê bem.

2,5

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