O Último Homem Americano

Neste impressionante estudo acerca da identidade do homem americano contemporâneo, a prestigiada autora e jornalista Elizabeth Gilbert explora a fascinante história verídica de Eustace Conway. Em 1977, com dezassete anos, Conway trocou a confortável casa da sua familia pelos Apalaches. É lá que vive há mais de vinte anos: faz lume com paus, usa as peles dos animais que apanha e tenta persuadir os Americanos a deixarem o sue estilo de vida materialista e a regressar à natureza. O carácter místico de Conway representa um desafio a todos os nossos preconceitos acerca do americano moderno, bem como tudo aquilo que sentimos que os nossos homens devem ser, mas raramente são.

ISBN: 9789722522212 – Bertrand Editora / 2010 – 309 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

A literatura norte-americana sempre me interessou, não apenas por questões académicas mas também porque é impossível um mercado literário tão grande passar despercebido. Mesmo em pequena, era mais vulgar eu ler livros de autores estrangeiros (na sua maioria, norte-americanos) que os da minha própria nacionalidade. E hoje em dia, grande parte dos nomes que destaco como referência na literatura são de nacionalidade americana. O que pode certamente explicar o fenómeno é o que já disse antes, o facto de ser um mercado tão grande e por isso estar mais acessível ao público em geral, com mais tiragens de livros e mais publicidade.
Quando comecei a estudar a literatura desta nação, várias noções interessantes foram levantadas que suscitaram ainda mais o meu interesse e na sequência desse mesmo interesse descobri esta obra de não-ficção de uma autora que já tinha conhecido através do livro Comer, Orar e Amar – que foi uma experiência brilhante e uma das melhores do ano de 2013.
Fiquei absolutamente inquieta até ter este livro nas minhas mãos e ainda demorou algum tempo a chegar a ele, mas agora que o li posso dizer que correspondeu às expectativas não só aquelas que tinha para a escrita da autora como o que esperava encontrar sobre questões míticas dos Estados Unidos da América, tais como a questão da fronteira, do que é ser Americano e do que significa ser um pioneiro neste país.
Tudo aquilo que queria que a autora explorasse neste seu ensaio sobre o verdadeiro Homem Americano, ela explorou e ainda foi mais além, explorando a dimensão da espiritualidade que acaba por ser tão característico da autora, na minha opinião.

Gostei da intimidade que este livro de não-ficção apresenta. Da forma como a autora nos fala sobre a vida de um homem que decidiu tomar as rédeas da sua vida e decidiu viver de uma forma diferente, por vezes assustadora, desafiante mas ainda assim gratificante. Gostei da forma como a autora nos permite deliciarmo-nos com a sua narrativa, como se estivéssemos a ler um livro de aventuras no Wild West. Gostei igualmente da forma como  a autora não se limitou a explorar a vida deste homem invulgar apenas no sentido de mostrar aos seus leitores que este encarna muitos dos valores com que a nação dos Estados Unidos foi construída, mas também para nos sensibilizar que até este homem é como todos os outros. Não é apenas um modelo para os mais novos, não é apenas uma idealização de homem perfeito. Ele encarna os seus próprios valores e defende os seus princípios com garra e personalidade. Mas mostra-nos também que este é um Homem como qualquer outro, com defeitos, com necessidades e com frustrações. Com desejos e mágoas e arrependimentos. Que erra e que se tenta consertar. Que é ambicioso, mas é perfeccionista.

Mais do que conhecer a vida deste homem, deste pioneiro, deste Homem Americano, adorei a forma como a autora explorou o tema do ser-humano, daquilo que ele espera encontrar nesta vida, dos sonhos por alcançar, do determinismo. E adorei a forma como ela encaixou as experiências deste homem nas realidades de uma nação que se construiu a si própria. É um livro que me mostra que esta é uma autora versátil mas que tem um verdadeiro dom para falar sobre vidas reais, pessoas reais, experiências reais.

Uma óptima leitura para abrir um novo ano. Gostei mesmo muito.

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