Em Parte Incerta

Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…
Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo – mas será mesmo um assassino?
Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?
Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.

ISBN: 9789722525572 – Bertrand Editora / 2013 – 520 páginas

O Hobbit

Em Parte Incerta é um livro que tem dado que falar no mundo literário, especialmente há alguns meses atrás. Ganhou um prémio na plataforma Goodreads e vai inclusive ser alvo de uma adaptação cinematográfica. Posso dizer que já andava de olho neste livro, não só por ter ouvido falar realmente bem dele, mas por ser um policial – que é dos meus géneros favoritos. Embora nunca tenha lido nada da autora, esta era uma obra que me suscitava bastante curiosidade (ao ponto de oferecer o livro a uma amiga que não é muito fã de policiais, para ela poder ler e me dizer se era bom ou não). De qualquer das maneiras, este livro acabou por ser escolhido para o meu terceiro desafio de leitores e isso ajudou a que eu lesse este livro em tempo útil e não o deixasse a “apodrecer” na minha lista infindável de livros a ler.

O livro fala sobre um casal que está junto há cinco anos, data simbólica em que a mulher desaparece deixando um rasto atrás de si de pistas deixadas exclusivamente para o marido, como comemoração do quinto aniversário de casamento. A investigação da polícia local rapidamente assume que o marido é o principal e único suspeito e a investigação acaba por se desenvolver à volta dos actos suspeitos do marido que a comunidade acredita ser um criminoso. Mas aquilo que à partida parece preto no branco, rapidamente se mostra ser tons de cinzento de várias tonalidades e aqui todas as aparências iludem, nada é o que parece ser.

Eu não estava à espera de encontrar um policial como o que acabei por encontrar. Foi um livro muito surpreendente, do início ao fim. A autora, Gillian Flynn tem uma forma de apresentar a história muito tentadora e muito cativante. Os cliffhangers que ela construiu no final de cada divisória do livro são perfeitos para agarrar o leitor à história. Deparando-me com tais reviravoltas, foi-me impossível deixar de ler o livro ou de ficar completamente boquiaberta ou ainda com a cabeça a nadar com as mil conjecturas.
Mas não foi apenas a construção do enredo e do livro que me deixou fascinada. Claro que a forma como a autora estruturou a obra, tem muito que se lhe diga e um dos principais factores que confere qualidade à história, mas não só. Na verdade, apesar de achar que este é um livro construído de uma forma muito, muito inteligente, foi a capacidade da autora de construir personagens que mais me cativou nesta obra.

Verdade seja dita que não esperava um policial com um conhecimento tão profundo da natureza humana, do bom e do mau e de todas as dimensões que se encontram pelo meio. Os tais tons de cinzento, aquelas atitudes que não conseguimos automaticamente considerar como boas ou más. E isso sim, deixou-me completamente siderada e maravilhada. A autora mostrou uma destreza muito confortável em construir o tipo de personagem que dá prazer ler, porque é desafiante. É incrivelmente complexa, com mil e uma naturezas dentro de um só corpo. Os protagonistas são duas personagens que cativam o interesse do leitor (a mim, neste caso) que é difícil transpor por palavras a quem ainda não leu o livro. Porque não os conseguimos odiar, mas algo nos impede de os idolatrarmos.

De algum modo senti que esta não é apenas uma história sobre um crime ou uma história de suspense. É um livro que nos mostra o espectro de emoções e reacções humanas e o espectro de comportamentos humanos que no fundo reflectem o que é ser humano, o que é estar numa relação – com alguns extremos é certo, mas foi um livro que me encantou por ter uma dimensão humana tão clara e tão importante. Recomendo a quem gosta de policiais e não só. Foi uma leitura muito boa.

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One thought on “Em Parte Incerta

  1. Que bom que gostaste…a ver se arranjo um mês para ler o meu exemplar. Mas só para o ano…ainda assim, é bom saber que tem uma história tão boa como se dizia…

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