Sensibilidade e Bom Senso

Sensibilidade e Bom Senso, o primeiro livro de Jane Austen, publicado em 1811, conta a alegre e satírica história de duas irmãs. A instintiva e apaixonada Marianne e a sensata e mundana Elinor.
Embora o coração impaciente de Marianne a deixe vulnerável aos males de amor, as qualidades opostas de Elinor também não a protegem dos problemas emocionais.

Sensibilidade e Bom Senso — um retrato psicológico e social da pequena-burguesia do século XVIII.

ISBN: 9789721040755 – Publicações Europa-América / 1996 (292 páginas)

A Papisa Joana

Jane Austen é um nome incontornável da literatura inglesa. Os seus livros são considerados clássicos da literatura internacional, pelas mais variadas razões. O papel da mulher da sociedade inglesa desta época está sempre muito bem exposto e as críticas que a autora faz à sociedade da época mostram uma inteligência e uma sensibilidade social muito grande por parte da escritora. Já para não falar do facto de Jane ser uma escritora numa época em que o acto da escrita como profissão não era muito bem visto, quanto mais por uma mulher.
O sucesso que os livros dela tiveram em todo o mundo mostram só por si, quanto peso tem o nome de Jane Austen e quão importantes são as suas obras.

Já tive oportunidade de ler vários livros da autora. Uns mudaram completamente a minha vida, outros foram leituras um pouco mais difíceis. Sensibilidade e Bom Senso é dos poucos livros da autora que não li e por isso mesmo já sabia muito bem o que poderia encontrar nestas páginas. É certo que não tinha grandes expectativas. Afinal não esperava deste livro nenhum Orgulho e Preconceito, sejamos honestos. Mas esperava encontrar um livro que me proporcionasse bons momentos. E foi isso que encontrei, um livro que marca aquela que viria mais tarde a tornar-se a marca Austen (sim, porque esta foi a sua primeira obra).

De qualquer forma, o enredo à partida não parece ser nada de extraordinário. Conta-nos a história da família Dashwood que, por causa de problemas económicos vê a sua vida mudar de prisma. As irmãs Marianne e Elinor, em idade de casar, vêem-se sem qualquer caminho se não o casamento. A etiqueta social da época não previa muitos casamentos por amor, mas aconteciam. E a esperança das duas irmãs é que venham a casar com os homens que amam, mesmo que elas não sejam possuidoras de uma fortuna vantajosa.
A vida nesta sociedade não é fácil. É exactamente o contrário, o ambiente de competitividade é muito grande. Os casamentos por interesses económicos sobrepõe-se muitas das vezes aos interesses do coração e é sabido que era uma sociedade que colocava a mulher num lugar baixo da hierarquia social.

A autora faz um retrato da sociedade de forma crua e com poucos artíficios. De facto, a primeira metade do livro seja a ser um pouco exasperante visto que é a descrição do quotidiano das personagens, sem nada que faça avançar a acção. Parece que o leitor pára no tempo. A escrita torna-se um pouco maçante, tendo em conta que se passam páginas e mais páginas de descrições de tarefas quotidianas que não parecem acrescentar nada de relevante para a história das personagens. Reconheço que para leitura de lazer, este ponto não entusiasma muito. Mas esta parte também é importante para a sociedade contemporânea se aperceber do ritmo da sociedade de outrora. Por esse prisma, é importante termos em conta as diferenças que havia naquele tempo, como é que as relações sociais se processavam, quais os valores importantes da época e é interessante compararmos o que mudou para nós hoje em dia.

No entanto, a segunda metade do livro acaba por ter um ritmo muito diferente. De um momento para o outro, parece que estamos a ler um livro completamente diferente. Tudo acontece ao mesmo tempo e finalmente, as expectativas do leitor conseguem encontram um lugar para se realizarem. Tudo aquilo que esperava que tivesse acontecido antes, aconteceu na última parte do livro e foi em grande parte por causa da segunda metade do livro que esta leitura me agradou tanto.

O livro é realmente uma obra a ter em conta para quem gostava de conhecer mais a sociedade e valores da época. São livros que se dispõem a transportar-nos no tempo e a mostrar-nos que no fundo, muitos valores continuam iguais. Por ser uma voz feminina que se insurge contra a pouca importância da mulher neste quadro social, temos hoje um legado de alguém que quis deixar algo de si e das suas crenças no mundo, a que hoje damos tanta importância.

Outlander - A Libélula Presa no Âmbar

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