Estados de Espírito #40

Vivemos no tempo do imediato. Do momento. Do agora. A revolução tecnológica muito ajudou para que passássemos a viver a nossa vida a correr. A infância passa a correr, a adolescência parece que nunca mais acaba mas no esquema geral das coisas, é um pequeno ponto no horizonte. E a nossa vida adulta é feita de momentos que queremos agarrar. Andamos sempre a correr de um lado para o outro, a cabeça em mil coisas ao mesmo tempo. Vivemos no tempo do agora.
As redes sociais são uma realidade da nossa vida, hoje em dia. Já muita tinta correu sobre o facto de termos deixado entrar no nosso quotidiano estas redes. É com maior facilidade que partilhamos a nossa vida, os nossos momentos. É um hábito já partilharmos nem que seja uma frase, uma fotografia para ilustrar os momentos que tanto queremos guardar. Como em tudo, nós adaptámo-nos a esta nova realidade virtual.

O mercado dos livros tem evoluído ao longos dos anos e tem acompanhado a evolução dos tempos (como qualquer outra área de negócio, na verdade). E isso implica adaptar o mercado à realidade em que se vive hoje. Falo especialmente da adaptação das empresas às redes sociais, que é uma temática que me interessa sobremaneira, por estas redes fazerem parte integrante da nossa vida de forma óbvia. As empresas, regra geral, adaptaram-se todas às redes sociais como forma de se aproximarem do seu cliente e de terem um contacto mais “familiar” com este.
Sejamos francos – estas editoras que cultivam as suas páginas e redes sociais e outras plataformas online têm tudo a ganhar. Não só contactam mais com o cliente, há um contacto mais imediato. Chegam de forma mais rápida ao cliente, seja para publicitar novidades, passatempos, etc. A verdade é que muitas vezes o que as empresas não percebem é que o cliente é a alma da festa. Por isso, tratando de chegar ao cliente de forma mais rápida e eficiente, têm muito que ganhar com a situação.

É por este e por mais factores que defendo que as empresas devem apostar nas suas plataformas online como forma de conhecerem melhor o público ao qual estão a vender o seu produto. São muitos os exemplos que posso citar de uma boa adaptação e uma boa gestão das redes sociais por parte de empresas no mundo editorial. Mas, para muito espanto meu, também temos os maus e os muito maus. A ideia de falar nesta situação nesta rubrica surgiu quando contactei uma editora portuguesa via página facebook para perguntar se contavam publicar um x livro (uma editora que já me tinha respondido em ocasiões anteriores).

Contactei essa primeira vez, não me responderam. Perguntei uma segunda vez, não me responderam. Mas reparei que a página era frequentemente actualizada, com novidades literárias (quando é para vender estão sempre actualizados), com divulgação de um grande passatempo e então comecei a notar que já outras pessoas tinham feito perguntas do mesmo cariz da minha e não obtiveram qualquer resposta igualmente. À terceira vez que escrevi na página da editora, foi para dizer que lamentava o facto de eles ignorarem os seus leitores e que talvez me respondessem àquele reparo – o que não aconteceu, claro.

O que me incomoda nesta situação é o facto de eles obviamente serem activos nas redes sociais e não se dignarem nem sequer a reconhecer o interesse do cliente. A resposta para eles é ignorar o cliente. Isso é alguma política? O que é que eles têm a ganhar com a situação? Nada, a meu ver. Claro que eu sou apenas uma cliente e no esquema geral das coisas, eu bem podia gritar aos sete ventos a minha insatisfação que nada faria, mas esta situação irritou-me bastante, porque acredito que uma empresa se deve aproximar do cliente e, na medida do possível, criar uma relação amigável com os mesmos. Alienar assim os clientes não me parece de todo, uma política correcta.

A editora de que falo é uma chancela da Bertrand Editora, 11×17, que publica livros de bolso.

Sinceramente, se apenas utilizam as vossas páginas para divulgar novos livros, nem sequer tenham as respectivas páginas, porque as novidades também se descobrem por outras fontes. E se querem dar o passo seguinte, sejam um pouco mais ambiciosos e contactem com quem compra os vossos produtos. Têm tudo a ganhar quando tentam manter o público satisfeito.

(daqui)
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5 thoughts on “Estados de Espírito #40

  1. Agora venho eu meter veneno e dizer que a SdE também é assim às vezes. Existem N pessoas a postar no mural a pedir informações ou a reclamar das traduções. Uns obtêm resposta, outros são simplesmente ignorados. A Contraponto ignora todos e quaisquer comentários (pelo menos quando lá fui não encontrei um único post com resposta)

    Creio que pelo menos parte das editoras apostou nas redes sociais mais por uma questão de divulgação do que por uma questão de aproximação do Cliente. E esse é que é o problema :p

    • Acho isto tão triste. Uma situação muito lamentável. Não sei se as editoras contratam quem lhes faça a gestão das páginas de redes sociais, mas de qualquer forma, não creio que seja solução ignorar o cliente. Nem que fosse para dizer “não temos informações suficientes para dar uma resposta”, sempre era melhor do que ignorar quem lhes compra os seus produtos/serviços. Acho que a maioria das empresas deve ter a sensação de que basta apenas criar uma página e já está.
      Acho incrível a forma como a maioria trata as pessoas. Não há respeito e acho que muitas vezes pensam que estão a falar com pessoas ignorantes. Por vezes dá vontade de não comprar lá mais nada, mas é difícil. Na realidade utópica onde vivo, as empresas (neste caso editoras) esforçam-se para melhorar o seu contacto com o cliente. 😛

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