Rebeldes

Mestre das paixões, neste romance Sándor Márai dedica-se não aos triângulos amorosos mas a outras questões igualmente susceptíveis de despertar emoções fortes: o que une um grupo de jovens revoltados contra tudo e a tudo dispostos.
E arrisca-se a levar o leitor ao centro de um enredo de erros e fúrias, cumplicidades e traições, sofrimento e cobardia -de inconfessáveis atracções e de ambíguas repulsas. Porque trata das vicissitudes e aventuras de um grupo de rapazes, ou melhor, um bando, como se definem a si próprios, no final da Primavera de 1918, numa pequena cidade da Hungria distante da frente e onde a vida, aparentemente calma, é profundamente abalada pela guerra.
Entregues a si próprios enquanto os pais combatem na frente, estes rapazes decidem libertar os demónios da sua revolta impelidos por um ódio ardente contra o mundo, pela sua imaginação e pela sua arrogância -e também por um erotismo, tão mais aceso quanto mais implícito -, deixando a guerra para o mundo dos adultos e inventando jogos demasiado perigosos. Um obscuro actor que se torna o seu mentor oculto, envolvendo-os nas suas perversas tramóias, acabará conduzindo-os a um trágico e inevitável epílogo.

ISBN: 9789722036566 – D. Quixote (Leya) / 2008 – 240 páginas

O Hobbit

Rebeldes é o terceiro livro do autor Sándor Márai que leio. Este autor revelou-se logo como sendo um dos meus favoritos, pela sua obra intitulada As Velas Ardem Até Ao Fim, que me marcou de uma forma inexplicável. Como já há algum tempo não pegava numa obra do autor, decidi matar saudades com este Rebeldes, que fala sobre um grupo de jovens que se encontram naquela idade entre o ser deixar de ser criança e passar a ser adulto, que é declaradamente uma fase de rebeldia. Neste livro, este grupo de jovens que se intitulam como o bando, rebela-se contra a vida que levam e contra a sociedade em que estão inseridos. Seja rebeldia contra os pais e o sistema imposto em casa, seja rebeldia na escola, seja na vida social que levam, os jovens caracterizam-se pelas suas atitudes irreverentes e apaixonadas.
A guerra que veio abalar o país onde vivem é também um factor que influencia estes jovens, que procuram novas emoções para a vida aborrecida que levavam até então. Antes indivíduos solitários, é a partir do momento em que se juntam que os problemas também se instalam. As emoções vão, lenta e subtilmente arrasando todas as ligações que outrora se criaram entre estes jovens rebeldes a pouco e pouco, até que o bando devagar se desfaz mas não sem as suas consequências.

Sendo esta uma obra da autoria do Sándor Márai, confesso que as minhas expectativas se encontravam bastante elevadas. Gostei bastante dos livros que já li dele e um deles marcou-me realmente muito, pelo que esperava desta obra algo parecido e ao mesmo nível. Reflectindo sobre a leitura, encontro-me dividida.
Não existe dúvida nenhuma de que esta obra é uma delícia em termos de escrita – a escrita do autor é fabulosa e tem muito potencial para encantar os leitores (nem todos é certo). Ele tem uma maneira única de descrever os personagens e o enredo evolui sempre de uma maneira natural, recheada de considerações profundas a enlear a narrativa. Os acontecimentos estão encadeados de uma forma subtil e é por vezes difícil dar pela acção a avançar, pois estamos tão embrenhados na narrativa que nem nos apercebemos de que a história já avançou de forma considerável.
Este é um ponto neste autor que me continua a maravilhar de livro para livro.

Sándor também tem um conhecimento vasto sobre a natureza e psicologia humana. Não só ele consegue retratar muito bem os tons de cinzento que existem na nossa natureza como também ele dá o passo seguinte, que é o de dar a perceber ao leitor que o personagem reage de uma certa maneira porque tem uma motivação especial. Grande parte das vezes podemos apenas supor porque é que os personagens vão por um determinado caminho e não por outro, pois cada qual tem a sua muito única motivação pessoal. E esse é também um factor que distingue este autor.

Contudo, apesar de todos os factores positivos, não posso deixar de fazer comparações. E creio que o meu problema com este livro não foi não gostar da leitura (claramente este é um livro que se deve ler e é uma leitura que vale a pena) mas sim as expectativas que criei, devido à estreia que tive com o autor. Da maneira como adorei o primeiro livro que li dele, tudo o resto parece ficar na sombra de tal obra. Tenho perfeita noção que isto acaba por ser injusto para todas as obras que lerei de Sándor, mas é uma comparação que não posso deixar de fazer, é mais forte que eu.
De qualquer forma, não posso retirar valor a este livro e foi uma leitura que embora não me tenha maravilhado, deu para matar as muitas saudades que tinha dos livros do autor.

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