Estados de Espírito #39

O verão é uma estação do ano algo contraditória para mim. É tempo de calor e de praia, de mais tempo livre, de férias – de mais tempo para ler e para actualizar o blogue. Todos anos, quando vejo Julho a aproximar-se, tenho sempre os mesmos objectivos delineados. Postar no blogue com mais regularidade, apostar nas novas ideias que ando o ano todo a engendrar e ler mais. E escrever opiniões para os tantos livros que quero ler, na chamada minha lista de “livros a ler neste verão”. O Julho chega e passa, quase sem me dar conta. Agosto bate à porta e com ele, a promessa de umas férias descansadas rodeada de livros. Mas o calor, a praia, a piscina, as noites de verão convidativas com tanta vida metem-se no meio. As leituras fazem-se a conta-gotas, as opiniões chegam com dificuldade. Ou não chegam.
Começo a ver a lista sem que metade dela tenha sido rasurada. É mau sinal. Ou talvez seja bom sinal. Nalguns dias é difícil distinguir a diferença. Os livros estarão sempre cá, eu é que não. E o tempo que tenho disponível não dá para tudo, é uma batalha eterna que não tem solução.
Mas esta época do ano, por muito que eu queira, deixa-me sempre drenada de inspiração. O blogue esmorece neste meses, não apenas devido ao período de férias, mas porque me desleixo um pouco no sentido da dinamização. A preguiça para escrever opiniões é alarmante, mesmo que eu tenha adorado o livro para o qual pretendo escrever uma opinião. Muitas das vezes, quando acabo de escrever uma opinião, esta parece-me sensaborona. Sem sal, sem entusiasmo. E embora para mim seja importante sentir que escrevo sem qualquer obrigação, este é também um sentimento que me deixa sempre triste. Sentir que não consigo escrever, que não tenho paciência para tal.
Tenho a certeza que já todos passámos por fases assim, mas para mim, esta estação do ano é impossível. Por muito que eu me discipline a escrever mais e com mais regularidade, chego ao verão e pfffff – lá se vai a vontade de escrever (seja o que for). É frustrante, é desmotivador por vezes, é chato. Mas ultimamente, penso assim: é um período de refrescar ideias e de descansar de tudo aquilo que me preocupa nos outros dias do ano. E é um período de esperança, em que penso que quando a vontade de escrever voltar, as coisas sairão melhor, com mais estímulo.
O verão é ao mesmo tempo o meu pior inimigo e o meu melhor amigo. Inimigo na hora da inspiração, amigo na hora da não preocupação. Pesada a balança, creio que é uma época de equilíbrio.

(daqui)
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2 thoughts on “Estados de Espírito #39

  1. Já tinha saudades de um estado de espíritos destes 😛
    No outro dia, abri o link mas era uma imagem, parece-me.

    Por acaso, em termos de escrita e projectos, fiz mais. Até demais, pois a faculdade ficou um bocadinho para trás, mas nas leituras a vontade ficou como a tua: a conta-gotas.
    Gostei da conclusão a que chegaste 😛

  2. Acho que é comum a muitos bloggers…alguns que sigo também têm postado menos….nestas alturas apetece mais falar sobre os livros do que escrever não é?

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