O Medo do Homem Sábio – Parte II

Agora em O Medo do Homem Sábio, Dia Dois das Crónicas do Regicida, uma rivalidade crescente com um membro da nobreza força Kvothe a deixar a Universidade e a procurar a fortuna longe. À deriva, sem um tostão e sozinho, viaja par Vintas, onde, rapidamente, se vê enredado nas intrigas políticas da corte. Enquanto tenta cair nas boas graças de um poderoso Nobre, Kvothe descobre uma tentativa de assassínio, entra em confronto com um Arcanista rival e lidera um grupo de mercenários, nas terras selvagens, para tentar descobrir quem ou o quê está a eliminar os viajantes na estrada do Rei.
Ao mesmo tempo, Kvothe procura respostas, na tentativa de descobrir a verdade sobre os misteriosos Amyr, os Chandrian e a morte da sua família. Ao longo do caminho Kvothe é levado a julgamento pelos lendários mercenários Adem, é forçado a defender a honra dos Edema Ruh e viaja até ao reino de Fae. Lá encontra Felurian, a mulher fae a que nenhum homem consegue resistir, e a quem nenhum homem sobreviveu… até aparecer Kvothe.

ISBN: 9789895579259 – 1001 Mundos (Edições ASA) / 2011 – 684 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Depois de ter lido a primeira parte daquele que é o segundo volume das Crónicas do Regicida, decidi pegar na segunda metade logo de imediato, para não deixar a leitura do livro pendurada. Confesso que embora tenha gostado da primeira parte, o livro acabou por me desiludir um pouco, tendo em conta a maravilha que encontrei no livro O Nome do Vento. Não sei se isto foi consequência das expectativas elevadas que tinha para a leitura do segundo volume, mas a verdade é que apesar de ter sido uma leitura fantástica, não foi maravilhosa, nem perfeita.
Contudo, as minhas esperanças estavam reservadas para esta segunda metade. Se as metades se juntassem num único volume, este contaria com mais de 1300 páginas e por isso achei (e bem) que esta segunda parte trouxesse não só mais movimento e dinamismo à narrativa, mas também mais fantasia, que esteve incrivelmente ausente da primeira parte.  E foi isso exactamente que acabou por acontecer.

A primeira metade, que acaba de forma algo abrupta – por razões óbvias – não dá para revelar ao leitor o retrato na totalidade. É por isso que considero muito importante, que quando os livros estejam divididos, que se leiam as metades de seguida. Isto porque estamos na verdade a ler um livro. Não faz sentido ler metades e ficar a meio de uma história. Acabamos por ter apenas metade da perspectiva, metade dos factos, metade das suspeitas. Enfim, metade de tudo. E não é esse o objectivo dos autores quando escrevem os livros. Contudo, as editoras que têm as suas próprias estratégias, e neste domínio são elas que mandam e os leitores acabam por ir lendo um livro aos bochechos. Não que neste caso esteja contra a medida, mas então no mínimo, que possamos ler as metades de seguida para que não percamos o fio à meada.
Neste livro em particular é notória a diferença entre as duas metades. A primeira lenta, com uma narrativa muito vagarosa e que não avança de forma particular no enredo pode tornar-se aborrecida para os leitores mais impacientes.
A segunda pelo contrário, acaba por contrariar o cenário da primeira. Na verdade, quase que são pólos opostos. Se na primeira pensei algumas vezes “bolas, isto nunca mais anda”, nesta pensei “ALERTA: excesso de informação”.

Por isso mesmo e pensando nestas duas metades como um todo, é-me difícil apresentar uma opinião decidida. Não gostei particularmente da mudança abrupta de tom e creio que o autor teria ganho mais em ter feito uma mudança de ritmo mais gradual, mais ponderada e pensada. Acabei por me sentir como um peixe fora de água, ora lento lentinho e quase parado, ora um bombardear de pequenas bombas nucleares que me obrigavam a parar por momentos para processar todas as novas informações. Talvez não ajude a que neste volume sejam inseridos muitos elementos novos ao leitor e novos ao mundo. Para além das novas personagens, Tempi e os restantes mercenários que acompanham Kvothe, temos Felurian e todo o universo Faen, que embora rico e descrito de uma forma belíssima pelo autor, não deixou de ter muitos pormenores. Acabei por sentir que era demasiada informação para apenas uma só metade.
Por outro lado, também temos a cultura dos adem que à semelhança do universo dos Fae, foi introduzido nesta segunda parte e foi também pesada em termos de informação. Não deixou de ser interessante acompanhar o Kvothe pelas suas jornadas e por todas as suas novas experiências, mas confesso que senti a cabeça à roda apenas com o nível de pequenos detalhes que o autor introduziu de forma muito rápida.

Kvothe, contudo, cresceu e teve uma evolução muito grande neste segundo volume. Agora que deixou de estar protegido e limitado pelas ruas da Comunidade e pelos livros da Universidade, ele acaba por se aperceber da verdadeira natureza do mundo real. Todo o seu interlúdio com Felurian e outras que tais, enfim, considero que tenha sido importante na sua evolução como homem, mas retirou-me um pouco de interesse na leitura. Foram partes que facilmente veria serem passadas à frente.

O grande ponto forte deste livro foram os últimos dois/três capítulos. O autor acabou por me tirar o tapete debaixo dos pés quando me mostrou um lado de Bast que me deixa incrivelmente ansiosa para saber como é que esta trilogia irá acabar. Bast, personagem que anseio conhecer melhor desde o início acabou por me surpreender a meras páginas do final e deixa-me sem palavras. Também Kvothe o fez de uma forma mais subtil. E assim se deixa uma leitora no desespero, a clamar por 2014 e pela publicação do terceiro e último livro desta trilogia que nos conta, em primeira mão, as aventuras e desventuras de Kvothe.

Vale a pena ler.

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