O Nome do Vento

«Da infância como membro de uma família unida de nómadas Edema Ruh até à provação dos primeiros dias como aluno de magia numa universidade prestigiada, o humilde estalajadeiro Kvothe relata a história de como um rapaz desfavorecido pelo destino se torna um herói, um bardo, um mago e uma lenda. O primeiro romance de Rothfuss lança uma trilogia relatando não apenas a história da Humanidade, mas também a história de um mundo ameaçado por um mal cuja existência nega de forma desesperada. O autor explora o desenvolvimento de uma personalidade enquanto examina a relação entre a lenda e a sua verdade, a verdade que reside no coração das histórias. Contada de forma elegante e enriquecida com vislumbres de histórias futuras, esta “autobiografia” de um herói rica em detalhes é altamente recomendada para bibliotecas de qualquer tamanho.»

ISBN: 9789895576715 – 1001 Mundos (Gailivro/Leya) / 2009 – 966 páginas

A Papisa Joana

Numa pequena estalagem chamada Pedra de Caminho, alguns habitantes juntam-se para conversa, bebida e alguma camaradagem. Vivem-se tempos instáveis e as histórias que se contam nesta estalagem são histórias que fazem esquecer o mundo exterior. As lendas e as histórias de encantar, encontram-se vivas, dentro desta pequena estalagem. O estalajadeiro, apesar de ser um forasteiro, oferece um bom ambiente para estas noites frias em que a companhia é tão necessária como água para sobreviver. Até que, numa destas noites, um dos clientes habituais volta para contar uma história saída de um pesadelo. Este homem relata como encontrou demónios pelo caminho e esta notícia vem destabilizar a pequena estalagem, escondida nesta pequena comunidade. O estalajadeiro e o seu aprendiz, que percebem mais destes assuntos do que dão a entender à primeira vista, são os que ficam mais perturbados com estas notícias, pois algo se aproxima. Neste ambiente de mudança e também de perigo, alguém reconhece a verdadeira origem do estalajadeiro forasteiro, pois ele é uma lenda viva. Ele é Kvothe, um prodígio conhecido por todo o território. As histórias que se contam sobre ele espalharam-se por todo o lado e supostamente, por esta altura, ele já estaria morto e não escondido numa estalagem no meio do nada. Assim, pela primeira vez, Kvothe tem oportunidade de contar a sua história e de desmistificar algumas das histórias que se contam sobre ele. Um relato sobre como ele se tornou a maior lenda deste território, sobre como um órfão passou pela miséria e se conseguiu levantar e ao mesmo tempo deitando os seus maiores inimigos abaixo. Uma história de amor, de conquistas e de sofrimento. Esta é a história de Kvothe.

As razões para eu ter lido este livro são muito simples. Ele foi o 5º livro mais votado no meu Desafio aos Leitores e eu, aceitei o desafio e peguei na obra. Confesso que à partida não estava com muito entusiasmo. Embora o tamanho não me assustasse, o tipo de livro que eu achava que ia encontrar deixava-me de pé atrás. Antes de começar a ler, fui pesquisar um pouco sobre o livro e dei-me conta que é um livro com algum sucesso no universo literário, tendo sido inclusive eleito o melhor do ano de 2007 pela Amazon. As opiniões ao livro eram maioritariamente boas mas também as vi más. Isso ajudou-me a não criar qualquer tipo de expectativa.
Por isso quando peguei no livro, pode-se dizer que era uma tabula rasa. O primeiro aspecto positivo do livro é que apesar de ser uma coisa enorme que certamente pesa mais de 1kg e tem quase 1000 páginas, é um livro muito user-friendly. O que é que eu quero dizer com isto? As letras são grandes, o espaçamento igualmente e as margens também não são pequenas, pelo que todos estes factores convidam a uma leitura fácil. Conseguem perceber porque é que num livro desta envergadura é preciso sentir que se pode fazer a leitura de forma confortável, certo? Nem todos os livros assim tão grandes convidam a uma leitura tão fácil. O único senão é o peso, mas foi bom para criar alguma musculatura ou porventura, se as personagens me chateassem muito, serviria como bom objecto de arremesso.
Foi por isso que, apesar de o livro chegar quase às 1000 páginas, apenas demorei uma semana a lê-lo. Bem, foi por isso e porque estou de férias, mas ainda assim. Na verdade, ler 100 páginas neste livro dá a sensação de que lemos 200.

O que me leva ao segundo ponto positivo deste livro – a escrita de Patrick Rothfuss. Sendo que esta foi a minha estreia, não posso dizer que conhecia a sua escrita. E claro, fiquei admirada e muito agradada. Como o autor diz muitas vezes durante o livro, “se não experimentaram não conseguem compreender a sensação“. Creio que só assim poderão perceber do que é que estou a falar. A narrativa dele é – bem, digamos que é qualquer coisa entre o maravilhosa e o fenomenal. O prólogo e o primeiro capítulo confundiram-me um pouco devido à tendência do autor de dar muitos nomes ao personagem principal, mas após esse primeiro contacto com este universo, mergulhei na escrita dele de uma forma quase natural. Poderia tentar descrever o livro como sendo histórias dentro de uma história, mas isso não chegaria para fazer perceber como é que o autor escolheu narrar essas histórias dentro da história. Ele fá-lo de uma forma bela, pois introduz lendas, histórias de encantar, mitos e acaba por criar um mundo fantástico e maravilhoso à volta das suas personagens, ao qual é impossível resistir. Talvez o seu talento para contar histórias provenha da maneira como cresceu, com a sua mãe a contar-lhe histórias, mas a verdade é que Patrick Rothfuss tem talento de sobra para contar histórias e encantar.

Este mundo e a forma como o autor o construiu deixaram-me maravilhada, mas a escrita, conseguiu conquistar-me de forma inegável. E assim isto acaba por me levar a outro aspecto que adorei – o mundo e as personagens. Apesar de considerar este livro apenas uma introdução (ia dizer breve, mas é tudo menos isso), o autor já construiu os alicerces daquele que vai ser o universo onde Kvothe e companhia se vão movimentar. A meu ver, temos apenas noções breves e uma ideia superficial daquilo que vai constituir na realidade este mundo, mas foi o suficiente para este primeiro livro. É também um bom mecanismo para elevar expectativas e criar ansiedade, quando trabalhado da melhor forma. Patrick foi bem sucedido neste prisma. Por outro lado, as personagens, também foram exploradas de uma forma superficial. Kvothe, o protagonista, vai contando a sua história recorrendo a analepses e o leitor acaba por ter acesso ao diário de memórias desta lenda viva. Contudo, ainda que ele seja uma personagem que me fascinou por ser tão complexo e completo, acabámos por não ter outra perspectiva que não a dele, pelo que o leitor é obrigado a que outros personagens entrem na vida dele (e passem então a figurar no relato de memórias) para os conhecer melhor. Daí que Bast e o Cronista não tenham, neste livro, um papel muito relevante no esquema geral das coisas.

Em suma, creio que está aqui uma obra fabulosa com tudo a que temos direito. Temos romance, temos acção, temos mistério e temos ainda fantasia. Tudo aquilo que uma história de encantar pede. Creio que o autor conseguiu encontrar o perfeito equilíbrio entre todos estes factores e conseguiu com isso criar uma obra que vale a pena ler e ter em conta. E mais, não só foi bem-sucedido ao dar-nos a conhecer este mundo como acaba por nos deixar com vontade de saber mais. Falo por mim, estou com uma vontade enorme de ir a correr ler o segundo. Um dos melhores livros de fantasia que li este ano.

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