Nas Asas da Memória

O major Jack Novak nunca recusou enfrentar um desafio – até que conhece a enfermeira tenente Ruth Doherty. Quando Jack vai parar ao hospital do exército depois da queda de um avião, decide que a sua missão prioritária é conquistar o coração de Ruth. Não será fácil. Não só Ruth está concentrada no seu trabalho para poder sustentar a família, como carrega um segredo vergonhoso que a impede de entregar o coração a qualquer homem. À medida que o perigo e a tensão da Segunda Guerra Mundial aumentam, Jack e Ruth irão precisar um do outro mais do que nunca. Conseguirá Jack transpor as defesas dela? Ou estarão destinados a seguir caminhos diferentes.

ISBN: 9789897260285 – Quinta Essência (Leya) / 2012 – 464 páginas

O Hobbit

Estamos em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. As tropas dos Estados Unidos da América estão mobilizadas em Inglaterra e combatem por ar as forças alemãs com todo o seu poderio militar da altura. O Major Jack Novak está encarregue de um grupo de soldados que combate por ar e eles são uma equipa unida em todos os aspectos. Contudo, numa das missões algo corre mal e Jack acaba com um ferimento e é enviado para o hospital militar, onde conhece a tenente Doherty, que é mulher tanto fascinante como misteriosa.
Não só recusa qualquer envolvimento romântico como se afasta de toda e qualquer relação humana. Mas por trás deste afastamento, Jack sente que Ruth tem algo que justifique esta atitude. E quando faz tudo por tudo para a conquistar, pretende que ela deixe as suas barreiras cair para lhe poder entregar o coração.

Nas Asas da Memória é o segundo livro da trilogia intitulada Nas Asas da Glória da autora Sarah Sundin. Estes livros estão inseridos no género literário de Christian Fiction, que se destaca por ter algum ênfase na religião. Por isso, desenganem-se aqueles que pegam nestes livros à espera de ler um fifty shades of christianity. Estes livros são romances leves mais concentrados em descrever a interacção do casal protagonista e as suas lutas pessoais individuais. O enredo foca-se particularmente no conflito bélico que foi a Segunda Guerra Mundial, o mote principal desta trilogia.
Eu já tinha lido o primeiro volume, Nas Asas do Amor, e tinha gostado bastante da experiência. A escrita da autora revelou-se ser descomplicada, simples e sem exigir muito esforço para que a história desenrolasse. Foi um livro que demonstrou ser uma leitura rápida, perfeita para um dia de verão quando não temos nada para fazer.
Por estas mesmas razões, encontrava-me com algum entusiasmo para esta segunda leitura. Depois de ter conhecido o irmão mais novo da prole dos Novak, confesso que estava curiosa para saber como é que o Jack era, em termos de personalidade. Sendo que ele é o mais rebelde dentro dos três irmãos e aquele que não se sente parte integrante da família da mesma forma que os seus dois outros irmãos, achei que seria uma personagem interessante de ficar a conhecer.

Na verdade, sinto-me um pouco indecisa no que toca a este livro e por isso, tenho receio que a minha opinião não fique tão clara quanto eu gostaria que ficasse. Primeiro que tudo, falando em termos gerais, esta foi uma leitura que me agradou. Li o livro em pouco, pois a escrita da autora convida a isso mesmo. Como já referi antes, o discurso da autora é um que por ser tão fluído, pede a uma leitura fácil e rápida. Portanto digamos que em termos de análise emocional, esta leitura foi boa.
Mas não foi perfeita e existem vários pormenores que não deixaram que esta leitura resultasse para mim de forma mais eficiente.

Não tenho qualquer problema com a religião. De facto, se tivesse, nem tinha pegado neste livro, para começar. Esta é uma temática que me interessa como qualquer outra, tanto mais, por ser uma temática que se correlaciona com a nossa existência. Por muito que não se acredite num Deus específico, a religião está ligada com a nossa existência. Por isso, até é com bastante agrado que leio diferentes perspectivas/abordagens à religião. E como a autora não esconde a sua fé, acho curioso a forma como a autora constrói os personagens à imagem dessa fé. Contudo, acho que a autora dá uma importância exponencial à dimensão religiosa e não estou a falar da ideia de “sexo só depois do casamento”. Estou mais a falar do facto dos personagens colocarem o seu destino nas mãos de Deus, quando de facto, eles são responsáveis pelas suas próprias decisões e pelo que caminho que escolhem percorrer. Aquela ideia de “Senhor, eu confio-te a minha vida, vivo para ti” faz-me confusão a um nível fundamental. E não quero entrar aqui em discussões teológicas, não é esse o meu intuito. Tenho noção que o conceito de fé é diferente para toda a gente e não há mal nenhum em ser devoto a Deus, mas tudo o que é demais enjoa.

Tendo em conta o que já disse sobre a religião, parece-me irreal esta mulher, Ruth. Não a consegui perceber metade das vezes e sinceramente, a outra metade, só me apetecia abanar-lhe a cabeça para ver quantos neurónios faziam barulho lá dentro. Não posso falar daquilo que me irritou nela sem revelar spoilers e por isso, vou conter-me. Por muito que eu aprecie uma mulher determinada e lutadora, parece-me estúpido uma pessoa pensar que é menos merecedora de afecto por causa de uma acção – enfim, vou calar-me, senão revelo tudo.
Já Jack, gostei dele. Pareceu-me um homem íntegro, mais em contacto com a realidade embora também tenha existido um pequeno instante na história em que até fiquei boquiaberta com tanta ignorância. Por muito que estes personagens sejam devotos, a religião não justifica ignorância. Às tantas, este casal fez-me lembrar aqueles fanáticos religiosos que chamam a uma pessoa tatuada o anti-Cristo, mesmo que essa pessoa, seja o exemplo da virtuosidade e de tudo o que há de bom neste mundo. Como disse antes, tudo o que é demais enjoa.

Tendo todas estas circunstâncias em conta, foi um livro que me deixou particularmente indecisa, no que toca a avaliar uma classificação geral. Embora tenha apreciado a história no geral e a forma como os personagens acabaram por evoluir, confesso que estes problemas que tive na leitura não me deixaram nada satisfeita. (Embora tivesse sido um romance, que nas páginas finais, me deixasse um sorriso ténue na cara). Indecisões à parte, creio que foi uma leitura que foi prazerosa quanto baste. E fica a esperança que o terceiro e último livro seja de alguma forma melhor, já que o outro irmão Novak parece-me mais terra-a-terra.

Pássaros Feridos

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