A Fúria dos Reis

Quando um cometa vermelho surge nos céus de Westeros encontra os Sete Reinos em plena guerra civil. Os combates estendem-se pelas terras fluviais e os grandes exércitos dos Stark e dos Lannister preparam-se para o derradeiro embate.
No seu domínio insular, Stannis, irmão do falecido Rei Robert, luta por construir um exército que suporte a sua reivindicação ao trono e alia-se a uma misteriosa religião vinda do oriente. Mas não é o único, pois o seu irmão mais novo também se proclama rei, suportado por uma hoste que reúne quase todas as forças do sul. Para pior as coisas, nas Ilhas de Ferro, os Greyjoy planeiam a vingança contra aqueles que os humilharam dez anos atrás.
O Trono de Ferro é ocupado pelo caprichoso filho de Robert, Joffrey, mas quem de facto governa é a sua cruel e maquiavélica mãe. Com a afluência de refugiados e um fornecimento insuficiente de mantimentos, a cidade transformou-se num lugar perigoso, e a Corte aguarda com medo o momento em que os dois irmãos do falecido rei avancem contra ela. Mas quando finalmente o fazem, não é contra a cidade que investem…
O que os Sete Reinos não sabem é que nada disto se compara ao derradeiro perigo que se avizinha: no distante Leste, os dragões crescem em poder, e não faltará muito para que cheguem com fogo e morte!

ISBN: 9789896370268 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2008 – 429 páginas

O Hobbit

Para quem não leu os dois livros anteriores, aconselho a não lerem esta opinião.

Após a morte de Robert Baratheon, os Sete Reinos encontram-se envolvidos num tremendo conflito pela luta da coroa. As Casa dividem-se em facções e cada um escolhe um lado. O reino está mergulhado em sangue, miséria e horror. Ninguém pode confiar em ninguém. A luta pelo poder está mais intensa que nunca, com Stannis e Renly Baratheon na primeira linha de batalha. Joffrey e a Casa Lannister muito sofre tentando manter o trono e tentando satisfazer a população em Porto Real, que está pronta a rebelar-se contra os seus governantes. A população passa fome e está na miséria abosluta e os Sete Reinos estão mais instáveis que nunca. Cada homem por si mesmo e todos os juramentos se quebram nestes tempos de instabilidade política. A magia está no ar e poderes muito antigos acordam, prometendo lançar ainda mais o caos no território inteiro.

Depois de ter ficado surpreendida (pela positiva) com os primeiros dois volumes – o primeiro livro no original – da série Crónicas de Gelo e de Fogo, foi com muito entusiasmo que me lancei a esta primeira metade do segundo livro da série, intitulado em inglês Clash of Kings – que representa muitíssimo bem a essência do livro, devo dizer. Depois de um início prometedor, este livro A Fúria dos Reis prometia ser uma leitura igualmente cativante. E assim foi. Este senhor está a revelar-se ser um mestre em trocar as voltas aos seus leitores. E a cativá-los de maneira única.
Este livro para mim, revelou-se ser uma narrativa mais calma, de certo modo mais estratégica. Deu mais ênfase à contextualização política do reino, por razões óbvias. Gostei bastante desta mudança de ritmo devo dizer. Os primeiros dois livros para mim uma azáfama, foram lidos de forma bastante rápida, com muitas emoções ao rubro pelo meio. Já na leitura deste livro, senti que esta foi feita a um ritmo mais vagaroso, mais lento, mas nem por isso menos cativante. Obrigou-me a olhar verdadeiramente para os personagens que mais aparecem nesta primeira metade da obra e obrigou-me também a pensar nas suas acções, nas suas verdadeiras motivações. Obrigou-me a pensar como um estratega político. Sendo que é muito difícil conhecer estes personagens na sua totalidade (têm sempre muitas facetas) deu-me especial gozo tentar perceber a natureza de cada um. As suas lealdades. Quais poderiam ser os seus passos.

De facto, creio que um dos grandes talentos de Martin é a maneira como ele manipula esta condição humana. Todos nós fomos equipados com emoções, raciocínio lógico (algo do qual nos orgulhamos muito) e com um certo sistema de regras e valores que nos são incutidos desde crianças, como é exemplo o bem e o mal e, George Martin joga com isso mesmo. Joga com o facto de todas as personagens serem humanas, com o facto de todas terem fraquezas e terem emoções. Por isso mesmo é que o leitor nunca chega a conhecer na verdade os personagens, nem mesmo aqueles que considera bons ou os seus preferidos. A qualquer momento, essas personagens se podem revelar ser aquilo que o leitor não esperava que fossem, porque isso é o que significa ser humano. E os seres humanos são manipuláveis em todas as circunstâncias, essa é a verdade.
O facto de o livro fazer grande ênfase no contexto político foi igualmente interessante, como já referi antes. Principalmente para perceber o que o poder, ou o desejo de ter poder, pode mudar nas personagens e nas personalidades dessas mesmas personagens. A ambição é uma coisa muito perigosa, especialmente se isso significa que se ambiciona controlar um reino inteiro e deter nas mãos o poder de mudar milhões de vidas sem ponderar possíveis consequências. É sempre interessante perceber do que é o ser-humano é capaz quando ambiciona algo que se encontra ao seu alcance.

E tudo isto são questões levantadas dentro de um universo fantástico como é o universo de Game of Thrones. Mais que tudo, adoro a forma como George nos mete a ponderar sobre tudo isto com uma mão cheia de personagens apenas. O enredo no geral foi bastante calmo, por assim dizer. Foi com poucos sobressaltos no caminho que se fez esta leitura agradável e que nas últimas páginas não falha em deixar os seus leitores a chorar por mais. Uma série que me surpreende a cada novo livro que leio.

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