Inverno de Sombras

Em 1833, em Lisboa, cinco monges reúnem-se para decidir o destino a dar a uma caixa secreta e à sua chave. Muitos anos depois, uma família ainda as guarda, escondidas do mundo através das gerações. Mas há alguém que entende que é a chegada a hora desse poder lhe pertencer e está decidido a encontra-las e a fazê-las mudar de mãos.
Os protagonistas desta história são seres mágicos, feiticeiros poderosos sedentos de sangue. Entre guerras e lutas, nasce uma história de amor inesquecível. Difícil será distinguir quem são os bons e os maus nesta trama.
Numa autêntica caça ao tesouro, as peças vão-se movendo como um jogo de xadrez, com momentos em que o tempo pára e é preciso suster a respiração.
ISBN: 9789898470867 – Marcador (Bertrand)/ 2013 – 592 páginas
Nota: Isto é uma reedição da opinião que escrevi aquando a minha leitura do livro Inverno de Sombras.
Estamos prestes a presenciar uma das maiores batalhas que já existiu, entre forças que dificilmente poderemos explicar por palavras. Feiticeiros, magia, amor, segredos e mal-entendidos é o que recheia esta obra da autora Liliana Lavado.
O tempo vai parar, até que possamos perceber o que está por trás das motivações de Danton e companhia. E isto tudo se movimenta entre dois cenários tão distintos quanto incríveis: Lisboa e Paris.
É um livro de fantasia urbana, jovem-adulta que promete deliciar os leitores. Há muito para descobrir entre as páginas deste Inverno de Sombras.
Lembram-se deste post? Pois é, após alguns meses e um desafio da parte de uma companheira nestas aventuras das leituras, decidi dar o exemplo e juntar-me à iniciativa dos leitores beta. Confesso que com os livros todos que tenho por ler, senti-me de pé atrás, logo à partida. Mas após esse sentimento inicial ter passado, achei que até poderia apreciar a experiência, que acabou por começar forte e pesada, com este volume que tem à volta de 600 páginas.  A sinopse pareceu-me interessante e por isso foi com alguma expectativa que comecei a leitura desta obra.
Tenho que admitir que após tanta página, me sinto muito dividida quanto a esta leitura. Depois de algumas boas opiniões e elogios, não pude impedir que as expectativas fossem de alguma forma elevadas. Nunca tendo lido algo da autora, não poderia saber o que iria encontrar ou até esperar e por isso mesmo, acabei por sair tanto admirada e surpreendida, igualmente um pouco desiludida.
Primeiro que tudo, tenho que explicar que livros grandes para mim são óptimos. Até certo ponto. É importante manter presente que desconfio sempre um pouco dos livros que são muito extensos, isto porque, das duas uma: ou trazem muita informação desnecessária e tornam-se chatos ou então o autor está tão entusiasmado que não se apercebe que a história não precisa de tanta coisa. Eu consigo ler livros grandes e ao mesmo tempo, tirar prazer disso. Mas estes livros têm que ser bem estruturados e especialmente, não podem ser cansativos. Confesso que não senti isto com este livro. De facto, várias vezes me cansei e tive que parar a leitura. Os capítulos são demasiado extensos, o que me irritou um pouco. Eu gosto de ler por fases e gosto de parar a minha leitura no fim dos capítulos, para poder absorver as várias emoções, sensações, informações, etc. Não gosto de sentir que os capítulos de um livro trabalham a pilhas duracell e que estão ali às voltas, sem nunca mais acabarem. Às tantas, já pensava para mim, que nunca mais ia conseguir acabar o livro, porque era tanta informação, tanta volta e reviravolta que os meus olhos já ficavam cansados. Foi um elemento que impediu que eu aproveitasse melhor esta leitura, porque acredito que em obras grandes (especialmente nestes casos) não se pode abusar no comprimentos dos capítulos, como se não existisse amanhã. Isto acaba por aborrecer, como me aconteceu a mim.
Contudo, apesar de tudo, o primeiro contacto que tive com a escrita da autora foi bastante positivo. A autora tem uma escrita agradável, bastante fluída, o que é um trunfo em qualquer situação, qualquer que seja o género em que se escreva ou qualquer que seja o seu estilo. Foi um ponto agradável nesta leitura e que acabou por me manter firme até ao final. De outra forma, acredito que não teria lido a obra toda até ao fim.
Digo isto porque à partida, esta obra teria todos os ingredientes para me agradar – mistério, enredo bem construído, estruturados e com um desenvolvimento bem pensado. Personagens intrigantes, mas sobretudo convincentes e que sofrem de um desenvolvimento constante no decorrer da história. Além disso, a variedade de personalidades com que a autora recheou a sua obra é verdadeiramente notável, pois conseguiu construir um espectro alargado de diferentes personagens, com feitios e características distintas  e que tocam os leitores de formas completamente diferentes. Romance intenso, interessante e não uma coisa que está lá por estar. Todas as características encaixam na perfeição e em teoria tudo isto seria uma coisa que me agradaria.
De alguma forma, no entanto, não consegui encaixar-me bem dentro destes parâmetros, nem senti uma ligação especial com os personagens. Ao invés, senti-me sempre um terceiro elemento, um voyeur, que estava mas ao mesmo tempo não estava dentro desta história. É importante para mim sentir-me parte integrante da história, sentir o que os personagens sentem, viver as situações com eles e ser parte integrante de tudo o que eles fazem. Ser um ser omnisciente dentro do pequeno universo que é um livro e isto definitivamente não aconteceu com esta obra. Apesar de ter que referir que o livro está cheio, repleto de emoções e sentimentos fortes, eu não consegui interligar-me com os mesmos e isso fez com que a história/personagens e as circunstâncias do enredo acabassem por não me arrebatar.
Creio que no meio disto tudo, o único personagem que verdadeiramente me atingiu de uma forma diferente, seja o Danton. Foi uma individualidade que me espicaçou o interesse em toda a obra e que me manteve curiosa e desperta até ao final.
Mas falemos sobre aquilo que motivou este livro – feiticeiros. Gostei realmente daquilo que a autora nos mostrou sobre a feitiçaria neste livro. Apesar de achar que em 600 páginas, havia possibilidade de falar mais e mais pormenorizadamente sobre este mundo, aquilo que foi realmente falado revelou ser interessante e curioso. Acho que este mundo tem possibilidade de ser melhor desenvolvido, pois a estrutura base está lá e fiquei genuinamente curiosa sobre outras coisas que a autora pudesse criar dentro deste universo. Gostei igualmente do contraste entre os tempos de acção. Foi muito interessante ver os saltos temporais bem organizados, que não geraram confusão nenhuma. Gostei também que a autora tivesse introduzido as entradas de diário de Garret, creio que trouxe uma impressão mais intimista a todo o relato.
Não posso igualmente deixar de referir o bom trabalho da autora nos cenários de acção. Lisboa e Paris encontram-se belamente retratados e foram capturados de uma forma incrível e bastante precisa. É muito gratificante poder ler sobre a minha cidade desta forma e imaginar, realmente, a caminhar pelas ruas que tanto gosto e ver os lugares que tanto gosto serem descritos com tanta paixão e cuidado. Trouxe uma nova luz a esta obra.
Após isto tudo, não posso deixar de negar que fiquei muito curiosa sobre o futuro e gostaria muito que a autora continuasse dentro deste registo (quase) obscuro que tem muito para dar. No fundo, creio que o que acabou por impedir que este livro obtivesse a minha classificação máxima foi a sua extensão, que para mim se revelou desnecessária. Preferia um livro menos extenso, que fosse mais expedito e não tão vasto nas suas descrições (embora não tenha nada contra livros deste género. Têm é que ser estruturados com algum cuidado). Acho que era capaz de ter um maior impacto nos leitores.
Concluindo, não posso de forma alguma, deixar de agradecer a oportunidade à autora que me proporcionou uma grande experiência e da qual não me arrependo. Foi uma estreia sem igual e uma que apreciei sobremaneira. Não deixem de visitar o seu blogue: http://www.lc-lavado.com/
Aguardo ansiosamente novos trabalhos, porque o potencial está bem presente.

4 thoughts on “Inverno de Sombras

  1. Apesar de perceber o qe dizes, não me identifico totalmente com o lado negativo que referis-te 🙂
    No entanto 4 estrelas é muito bom, e ainda bem que ficas-te com a sensação de querer mais!

    Agora, vejamos se estamos em sintonia, depois deste livro, e havendo uma continuação, quem seriam os protagonistas? 🙂

  2. Tenho, acho que se pensares um bocadinho acaba por surgir, talvez na altura em que a estão todos no confronto ao pé do castelo!

    Eu quando acabei o livro perguntei logo à Liliana se ela estava pensar escrever um próximo e se por acaso iam ser X e Y os protagonistas 🙂

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