O Terror, vol.1

Na primavera de 1845, Sir John Franklin comanda uma expedição de dois navios e 130 homens numa viagem arrojada para o distante e desconhecido Árctico. O seu objectivo: encontrar e mapear a lendária Passagem do Noroeste que, supostamente, ligará os oceanos Atlântico e Pacífico.
Dois anos depois, a expedição, que começou sob um espírito de optimismo e confiança, enfrenta o desastre. Franklin está morto. Os dois navios (o Erebus e o Terror) estão fatalmente presos nas garras do gelo. As rações e o carvão escasseiam e os homens, mal preparados, lutam diariamente para sobreviver ao frio letal. Mas o seu verdadeiro inimigo é bem mais aterrorizador. Existe algo à espreita nas trevas glaciais: um predador oculto que captura marinheiros e abandona os seus corpos na vastidão de gelo…

ISBN: 9789896373290 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2011 – 316 páginas

O Hobbit

Estamos em 1845: Dois navios e 130 marinheiros, divididos entre duas tripulações partem de Londres para uma expedição no Árctico. Sir John Franklin comanda esta expedição e os navios HMS Erebus e o HMS Terror; sendo que Francis Crozier, é o comandante deste segundo navio. As ordens para esta expedição são claras – estes dois navios devem navegar até à Passagem do Noroeste até ao Canadá, descobrindo, mapeando, explorando o suposto Mar Aberto Polar. Consigo levam comida e recursos que permitem que os homens sobrevivam durante 3 anos em condições muito exigentes. Afinal, vão partir para uma das zonas mais inóspitas do planeta e vão enfrentar temperaturas negativas que chegam até aos -40 graus. A expedição começa de uma forma calma e os marinheiros estão entusiasmados com a experiência. Contudo, rapidamente se dão conta de que os dois navios encalharam no gelo e assim começa a sua hibernação num dos piores lugares do mundo. Sem nenhuma alternativa se não esperarem por um eventual degelo, os marinheiros preparam-se para (sobre)viver num inverno muito rigoroso. Mas também perigoso, pois após os navios ficarem presos nas camadas de gelo, as tripulações começam a ouvir barulhos estranhos e ficam sem saber com quem é que estão verdadeiramente a lidar: se com o gelo e as temperaturas negativas ou algo mais. A ficar sem recursos alimentícios e sem carvão para se aquecerem, os homens vêem-se aterrorizados a lutar pela sobrevivência num universo completamente horrorífico.

Como o título do livro indica, esta é a primeira metade da obra O Terror da autoria de Dan Simmons. E é o segundo livro deste autor que eu leio. O primeiro, com o título A Canção de Kali, não me tinha impressionado muito. Mas sabia que a escrita do autor seria fluída e desafiadora, por isso, as minhas expectativas quanto a este Terror eram até elevadas. E como já estava à espera, gostei desta experiência. Como disse, o tom de escrita do autor é muito desafiador no sentido em que mantém o leitor preso, cativo da sua narrativa. Sendo que ele escreve dentro do género do horror e do fantástico, estava à espera de uma narrativa recheada de mistério e de emoções fortes. Bem como acontecimentos sinistros. Encontrei isso mesmo. Após ter lido as primeiras páginas decidi que devia ir pesquisar sobre o acontecimento verídico no qual o autor se baseou para escrever esta história. Fiquei fascinada com os resultados da minha pesquisa. E muito, muito curiosa, porque já me tinha apercebido logo às primeiras páginas, que o autor tinha introduzido um elemento de horror de uma forma muito subtil mas muito inteligente. Depois da pesquisa que efectuei, confesso que voltei à minha leitura com novos olhos. E com vontade de olhar sobre o ombro.

Imaginem a desolação deste cenário – para onde olhem, só vêem gelo e quietude. Só ouvem ruídos que vos são estranhos. Estão presos, sem maneira de fugirem deste cenário inóspito e gelado. À noite, os ruídos que ouvem são diferentes. São assustadores, intrusivos. Um arrepio sobe-vos pela espinha, o medo faz-vos suar apesar de a temperatura ser de 40 graus negativos. Os vossos colegas marinheiros começam a ser mortos das maneiras mais horroríficas possíveis e é impossível adormecer à noite sem pensar na possibilidade de serem vocês os próximos a ser devorados pelo monstro que vos persegue  e que está a controlar todos os vossos movimentos. A juntar a este sentimento de inquietação, o escorbuto começa a enfraquecer toda a população destes navios. Metade dos vossos recursos alimentícios está estragado e já não tem carvão para se aquecer. O terror instala-se e a vontade de sobreviver é a única que vos mantém conscientes e preparados para lutar.
Dan Simmons consegue, com a sua escrita, transportar-nos para esse cenário de forma convincente. Com muito pouco esforço, devo dizer. O seu relato é tão intenso e tão descritivo que é impossível que o leitor não crie na sua mente, uma imagem muito forte deste palco de acção. A cada linha que ele escreve, é notável a pesquisa e a forma como o autor se informou sobre este acontecimento. E com a sua pesquisa, acaba por manipular esse mesmo acontecimento de uma forma muito inteligente e eficiente, de forma a que o leitor comece a pensar que foi assim mesmo que as coisas se sucederam.

Para misturar ficção e realidade é preciso ter alguma mestria, na minha opinião. Dan Simmons fá-lo com tanta facilidade que, enquanto estou a ler,  dou por mim a pensar que este relato fictício poderia ser uma realidade bastante provável. É maravilhoso pensar que o autor consegue esbater de tal forma as fronteiras entre realidade e ficção que eu própria dou por mim a confundir os mundos e as dimensões.
Esta expedição, foi na realidade, um testemunho de sobrevivência. E o que o autor aqui relata é isso igualmente, mas de uma forma mais assustadora e cruel. Porque a juntar à luta pela sobrevivência no gelo, temos algo monstruoso que persegue estas tripulações. Algo para o qual eles não têm defesa alguma. E isso entra numa dimensão de sobrevivência completamente diferente. Este é um cenário onde o ser-humano é que é a presa, não o predador. E o mais apto sobrevive, como Darwin nos relembra a cada página que passa.

Embora a falta de respostas seja algo aborrecido (queria mais informações sobre o que realmente se está ali a passar e sinto que o autor negligenciou a verdadeira ameaça que estes homens enfrentam) sei que ainda só li a primeira metade do livro, e portanto não posso julgar o livro na sua totalidade. Contudo, este primeiro volume convida à leitura imediata do segundo e último volume, porque como disse, este é um relato de sobrevivência em condições extremas e sem ler o segundo volume, é fácil perder o fio à meada. Convidaria até à leitura seguida dos dois volumes, pois daí sairá uma leitura mais frutífera. Acabei esta leitura com vontade de saber qual será o destino destes homens. E espero que o segundo (livro que já me encontro a ler a toda a velocidade) traga respostas às tantas perguntas que tenho sobre o que realmente se passa neste mundo gelado.

Para aqueles que gostam de uma mistura entre o horror, mistério e uma pitada de fantasia, creio que esta leitura poderá ser uma boa aposta. Eu sinceramente, fiquei surpreendida com a primeira metade. E tenho quase a certeza de que assim será com o segundo.

3-51

Para mais opiniões do autor, ver aqui.

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