O Suspeito

Joseph O’Loughlin aparenta ter a vida perfeita: uma mulher bonita, uma filha adorável e uma bem sucedida carreira como psicólogo clínico. Porém, até mesmo a existência mais irrepreensível pode cair por terra num abrir e fechar de olhos. Para tal basta uma rapariga assassinada, um jovem perturbado e a maior mentira da sua vida. A polícia pede ajuda a Joseph para tentar determinar se a morte da rapariga foi suicídio ou não. O psicólogo reconhece a vítima como sendo uma antiga colega, e quando um dos seus pacientes alega estar envolvido no crime, O’Loughlin acabar por se envolver numa complexa teia de enganos….

ISBN: 9789722519762 – 11×17 (Bertrand Editora)/ 2009 – 512 páginas

A Papisa Joana

Uma rapariga é encontrada morta perto de um cemitério de Londres. O seu corpo encontra-se cheio de cortes feitos por uma navalha que parecem um indício de auto-mutilação. Contudo, tudo o resto aponta para que esta mulher tenha sido vítima de um crime horrendo. Foi deixada ao esquecimento numa vala até que a polícia a encontra e começa assim uma roda viva de confusões, mentiras e ilusões que parece não ter fim.
Joseph O’Loughlin é um psicólogo clínico que acabou de descobrir que sofre de uma condição médica degenerativa. Até receber este anúncio, a sua vida tinha sido o que se pode classificar de perfeita. Tem uma mulher e uma filha lindas, que o amam. Sempre estudou nas grandes escolas e é um dos sócios do consultório onde trabalha. Tem uma casa discreta e confortável, com uma renda monstruosa. Mas é feliz. Contudo, desde que recebeu o anúncio de que sofre de uma doença que vai limitar alguma da sua mobilidade, Joseph entra numa espiral perigosa. E a situação agrava-se quando se envolve numa investigação de homicídio em que nada parece real. A rapariga que foi encontrada morta foi uma ex-paciente sua que acabou por o colocar em vários problemas e agora a polícia pensa que o psicólogo pode estar envolvido nesta embrulhada. A sua vida perfeita agora é tudo menos isso.

Nunca tinha lido nada deste autor. Na verdade, nem antes tinha ouvido falar dele, até que me ofereceram o livro que marca o início de uma série, protagonizando este psicólogo clínico – Joseph O’Loughlin. Contudo, tinha esperanças de gostar deste livro, visto que não só sou uma fã inveterada de policiais mas adoro ainda mais thrillers psicológicos. Sabendo eu que este livro estava inserido nas duas categorias, estava entusiasmada para ler esta obra (mesmo que ela tenha estado mais de um ano na estante :(.  Mais vale tarde do que nunca.)
A leitura fez-se num instante. A escrita de Michael Robotham é viciante. É muito gratificante sentir algo que puxa por nós, que nos obriga a mergulhar dentro de uma história e foi assim que me senti com a escrita do autor. Entrei neste mundo com uma facilidade enorme e como acontece sempre em livros deste género, comecei logo as minhas conjecturas, tentando fazer a minha própria investigação. A narrativa é a expectável para um thriller. A forma como o autor dá as voltas ao leitor é que pode não ser tão expectável. Para mim de facto, não foi de maneira nenhuma. À medida que fui acompanhando a história, formei as minhas próprias teorias, convencida de que ia chegar ao final e ia descobrir que afinal as minhas teorias estavam todas correctas. Claro que não foi nada assim. Estive perto em algumas situações mas confesso que o autor me deu a volta e cheguei ao final a pensar “ahhh, afinal foi isto que aconteceu, muito bem, não estava à espera“. E agora digam-me, há alguma coisa melhor que chegar ao final de um policial e ser surpreendido desta maneira? Creio que não. Embora claro seja bom acertar algumas vezes – o nosso ego afinal precisa de ser incentivado – também é bom chegar ao final destas viagens e ser surpreendido, porque o autor foi mais inteligente que nós e conseguiu construir um bom mistério.

Em termos de personagens, confesso que ainda estou um pouco indecisa na minha opinião. Não existiu nenhum personagem com o qual eu sentisse uma ligação especial, sem ser talvez a filha de Joseph – Charlie. Senti uma ternura especial no que toca a esta personagem. Contudo, todos os restantes personagens me desiludiram por alguma razão. O Joseph desiludiu-me pela maneira com que lidou com algumas situações. Esperava muito mais dele, embora por vezes tenha sentido pena por ele e tenha chegado a sentir algo parecido a compreensão. Da mulher de Joseph, Julianne, também esperava mais. Se ela não sentisse a necessidade de controlar o dia-a-dia do casal, talvez a relação deles fosse mais natural. Ela acabou por se fazer de vítima quando também não conseguiu aperceber-se de que também tinha culpa no cartório. De Jock, o melhor-amigo de Joseph, é melhor nem falar. Desde o início que não gostei dele. É um ser-humano desprezível. Acho que a melhor personagem acaba por ser o Ruíz, que apesar de ser desagradável, acaba por ser o que melhor se comporta no meio disto tudo.

Dito isto, posso dizer que foi uma estreia com o autor muito boa, tendo em conta todos os elementos que contribuíram para esta leitura. Fiquei agradavelmente surpreendida com a escrita do autor e só lamento que as editoras portuguesas não tenham continuado a publicar a série. Vou considerar continuar esta série em inglês e confesso que após este final, fiquei curiosa para saber mais. Para os leitores que apreciam um bom mistério com psicologia à mistura, têm aqui uma combinação muito boa.
Um autor a considerar para leituras futuras.

3-5

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