Made in America

Em Made in America, Bill Bryson desmistifica o seu país natal — explicando, por exemplo, como é que uma aldeola desértica e poeirenta se tornou Hollywood ou como é que os Americanos já consumiam comida de plástico muito antes de a expressão ter sido inventada — e expõe a verdadeira origem das tangas, do pedido SOS, e porque é que os cornflakes do Dr. Kellogg se tornaram tão famosos.

Seguindo à letra o mote diz-me como falas, dir-te-ei quem és, Bryson apresenta-nos aquilo que veio a chamar-se a «história informal dos Estados Unidos», numa obra atrevida e hilariante que irá levar os leitores às lágrimas… mas de riso.

ISBN: 9789722518772 – 11×17 (Bertrand Editora) / 2009 – 704 páginas

O Hobbit

Sempre quis saber como é que o inglês americano se formou? Sempre quis saber quais foram as influências deste dialecto de inglês? Para conhecermos a evolução do inglês americano, também precisamos de conhecer a história deste país – os Estados Unidos da América, nem sempre foram como hoje os conhecemos. Antes de serem a potência económica que são, foram colónias. E a formação deste país nem sempre foi pacata, organizada ou amigável. Há muita história por detrás da construção deste gigante. E a par com a formação deste novo país, está o desenvolvimento e adaptação da língua inglesa. Novos termos linguísticos foram inventados conforme os colonos se instalam nestes territórios novos. Os índios americanos foram uma influência muito grande para o inglês americano, mas tantas outras línguas deixaram a sua marca. O alemão, o espanhol e tantas outras deram forma a este dialecto do inglês. Ao mesmo tempo que o leitor se cultiva sobre a evolução do inglês americano, também acaba por cultivar o conhecimento que tem da história dos Estados Unidos da América através de histórias divertidas e algumas, algo insólitas.

Este autor já si tinha revelado ser o meu favorito no campo da não-ficção desde que o primeiro livro que li dele. A minha estreia revelou-se ser maravilhosa e foi logo aí que o autor me conquistou com a escrita dele e com a sua maneira de ir buscar factos interessantes, divertidos e pouco comuns. Com a ajuda da pesquisa que apoia qualquer livro dele, transforma a sua narrativa num discurso quase cómico além de ser muito didacta. O leitor acaba por aprender muitas coisas de uma forma natural, divertida e muito fluída. Não são todos os autores de não-ficção que conseguem fazer isto e é esta faceta única que eu aprecio nos livros de Bill Bryson. De facto, um autor que me consegue pôr a ler sobre ciência e a gostar, é algo especial [falo sobre o livro dele intitulado Breve História de Quase Tudo].
Este livro, Made in America, tinha um interesse especial para mim, por razões estritamente académicas. Sendo que o meu curso universitário se foca bastante em cultura, história e literatura norte-americana, é mais que normal que este livro me interessasse por razões mais egoístas. Por um lado queria confrontar o que Bill Bryson desenterrou da história dos EUA com o conhecimento que tenho adquirido nas cadeiras norte-americanas que já fiz e estou a fazer. E por outro lado, queria muito ler sobre a história norte-americana na perspectiva de um americano. Confesso que ao ler este livro me senti muito familiarizada com tudo o que autor escreveu sobre a realidade deste país ao longos dos séculos. Senti que estava numa das minhas aulas. Tanto que me senti rodeada por todos os lados de “América”. Já falo todos os dias sobre este país, portanto a América está sempre ao virar da esquina, por assim dizer.

Como digo, apesar de todos os dias falar sobre este país e de já saber várias coisas que o autor refere no seu livro, foi tão didacta quanto divertido ler a perspectiva de Bill Bryson sobre o seu próprio país. Ele levanta paradoxos e algumas realidades interessantes e problemas desta nação e diversas vezes me ri como se estivesse a apreciar uma “inside joke”.  O autor pegou em várias áreas da história do país, como a evolução da tecnologia, da publicidade, do aparecimento do automóvel e explica que papel estes acontecimentos tiveram para o desenvolvimento da língua. Um dos factos que achei mais interessantes foi aprender que Hollywood foi fundado por homens de diversas nacionalidades. O que é interessante nesta história é que nenhum deles era de facto americano, o que não deixa de ser irónico, visto que Hollywood é um dos símbolos mais importante deste país. E isto é só um exemplo. Como o autor já nos habituou apresenta-nos uma série de factos de forma muito divertida e também consegue desenterrar histórias que até os próprios americanos já esqueceram sobre o seu país. Só tenho pena que este livro tenha sido originalmente publicado em 1996 e portanto não se pode concentrar nestes últimos 20 anos. Teria sido interessante ver a perspectiva do autor sobre a história norte-americana das últimas décadas.

Para quem se interessa pela história e evolução do inglês americano ou pela história deste país, é uma leitura que não só diverte mas que ensina ao mesmo tempo que nos faz rir. Para quem tem um interesse académico por este país como eu, certamente vai gostar de ler sobre esta temática do ponto de vista de um nativo. E para aqueles que procuram cultivar o seu conhecimento geral, podem encontrar aqui uma obra de não-ficção muita rica em factos interessantes e certamente, divertidos.
Como já perceberam, diversão e aprendizagem são as palavras de ordem deste autor e deste livro. Uma viagem guiada à América do século XVII até à América do século XX.

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