Extremamente Alto e Incrivelmente Perto




Oskar Schell tem nove anos e é inventor, francófilo, tocador de tamborim, ator shakesperiano, joalheiro, pacifista. Além disso, está a empreender uma busca urgente e secreta através das cinco zonas de Nova Iorque a fim de encontrar a fechadura onde entra uma chave misteriosa que pertencera ao pai, morto no atentado contra o World Trade Center. Oskar, uma inspirada criação do autor, é encantador, exasperante e inesquecível.
 


ISBN: 9789722524230 – Bertrand Editora / 2012 – 456 páginas
 
Thomas Schell tinha uma reunião num dos edifícios do World Trade Center. No dia 11 de Setembro de 2001, encontrava-se no pior sítio à hora errada. A sua mulher e o seu filho acabam por ter um funeral sem corpo. Contudo, Oskar de nove anos, não consegue lidar com a perda abrupta do seu pai, o seu melhor-amigo, a pessoa mais inteligente do planeta. Na tentativa de compreender o desaparecimento do pai, Oskar vai andar numa jornada por toda a cidade de Nova Iorque onde conhece múltiplas personalidades interessantes. Se é o suficiente para manter o seu pai vivo na sua memória e no seu coração, só o tempo o determinará. Mas por enquanto, a dor de Oskar é tão viva que quase se pode sentir e o menino de nove anos tenta, desesperadamente, agarrar-se àquilo que o seu pai deixou para trás. 
 
Esta foi a minha estreia com o autor Jonathan Safran Foer, apesar de ter outro livro da sua autoria na minha lista de livros para ler. Já tinha ouvido falar maravilhas desta obra e também da sua adaptação cinematográfica. Este livro foi-me recomendado por uma amiga, que sabe tão bem quanto eu o tipo de livros que eu gosto e quais são as melhores alturas para eu os ler e portanto foi com algum sentimento de segurança que comecei esta leitura. Segurança porque sabia que ia gostar deste livro. Tinha algumas expectativas, mas nem nunca ponderei não gostar deste livro. 
Contudo, aquilo que não esperava era encontrar um livro assim. 
Este livro devia vir com um aviso na capa. Este livro vai agarrar o seu coração, rasgá-lo ao meio, abaná-lo mil e uma vezes até o deixar tonto e vai tocar em cada emoção do seu corpo e espírito até o deixar desgastado, a respirar pesadamente. Vai desejar mil e uma vezes parar a leitura, simplesmente porque acha que o seu coração não consegue aguentar tanta emoção ao mesmo tempo. Vai querer chorar e vai querer fazer o seu luto com o pequeno Oskar. 
 
Este livro para mim foi uma montanha-russa de emoções. Algo que me deixou completamente arrasada quando cheguei ao final do livro. As palavras que escrevo na minha opinião parecem-me de certa forma insuficientes para descrever o que senti ao ler este livro. A experiência de ler este livro é algo pesada e algo que me traz memórias tristes à cabeça e ao coração. A escrita do autor é daquelas que são inegavelmente emocionais e onde em cada palavra se sente o peso do mundo. O livro concentra-se em três pontos de vista diferentes. O do Oskar, o de um homem que perdeu as suas palavras e que agora tem o silêncio como seu companheiro. Comunica através da escrita e de gestos. E o último ponto de vista é através da avó de Oskar que é uma mulher não só corajosa, mas persistente. É um poço de força, mesmo que não pareça. É o pilar desta família. 
 
A edição é muito interactiva. O autor comunica com os seus leitores através das suas palavras e da sua narrativa, mas conta a sua história também através de imagens, o que torna este livro, este relato muito mais real. Muito mais assustador. Muito mais intenso. Não é um livro alegre, é um livro repleto de dor. Mas também cheio de sorrisos. Cheio de riqueza sentimental. Repleto de amor. E de incompreensão. E de lealdade. Na minha modesta opinião, creio firmemente que é impossível ficarmos indiferentes a esta obra. 
Contudo, se somos ou não conquistados por este relato é outra história. Eu fui conquistada logo às primeiras páginas e não creio que consiga explicar exactamente porquê. Mas ao chegar ao fim da viagem, senti-me compreendida por Oskar. Senti que há por aí alguém que consegue compreender esta coisa de perdemos alguém abruptamente, sem explicação. 
Não vou mentir, provavelmente estarei um pouco influenciada no que toca à forma como vi este livro. A verdade é que é foi um livro que me tocou profundamente em todos os sentidos.
 
A temática do ataque ao World Trade Center é outra à qual é impossível ficar indiferente. Ainda era nova quando o ataque terrorista se deu, mas lembro-me perfeitamente, como se fosse ontem de ver as reportagens na televisão e o choque que foi. Confundida, perguntava aos meus pais como é que era possível, como é que alguém era capaz de fazer aquilo. Percebia, até certo ponto o que se passava, mas não conseguia na verdade acreditar na total dimensão da tragédia. Ler sobre o após tragédia neste livro, foi algo que me fez abrir os olhos, de alguma forma. E sofrer, por outra. Não me consigo imaginar estar no lugar das famílias das vítimas e não me consigo imaginar no lugar das próprias vítimas. Lembro-me das imagens de pessoas a atirarem-se das janelas e ainda hoje me arrepio quando penso nisso. São imagens fortíssimas que serão aterradoramente eternas. 
 
Um livro sem igual. 

4 thoughts on “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto

  1. Creio que não faz ainda uma semana que estive com este livro em mãos, dizendo que o queria ler, porque o filme está simplesmente fantástico.
    Esta obra está obrigatoriamente na minha lista de próximas leituras.
    🙂
    Boa Páscoa,
    Valentina

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