A Filha da Floresta

Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis irmãos.
 
O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e mantêm as armas afiadas. O maior perigo para este idílio vem de dentro: Lady Oonagh, uma feiticeira, que casou com o pai de Sorcha, senhor de Sevenwaters. Frustrada por conseguir encantar todos menos a enteada, Oonagh lança um poderoso feitiço sobre os irmãos da rapariga, que só Sorcha poderá conseguir quebrar. Porém, a meio da pesada tarefa de libertar os irmãos, Sorcha é raptada por um grupo de salteadores, e ver-se-á dividida entre o dever de salvar a vida dos irmãos e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou.
ISBN: 9789722511971 – Bertrand Editora / 2001 – 448 páginas
 
Sevenwaters é uma região que faz parte de Erin, antiga Irlanda. É uma região algo misteriosa, com os seus costumes encantadores, tradições seculares e lendas maravilhosas. Quem governa este domínio é Lord Colum, que vive aqui com os seus sete filhos. Seis rapazes e uma menina, Sorcha. A sua mulher morreu já há alguns anos, deixando a Lord Colum e aos filhos o trabalho de proteger a única filha dos males deste mundo. Lord Colum, sempre ocupado em campanhas militares, na guerra contra os Bretões, pouca atenção dá à filha, visto que esta lhe faz lembrar a sua amada mulher. E os filhos representam uma ajuda preciosa nas suas batalhas. 
Os sete irmãos estão assim destinados a tomar conta de si mesmos, sem direcção do seu pai a não ser as visitas ocasionais, como senhor da casa. Contudo, algo de mau está para acontecer e estes sete irmãos vão ter que passar por uma jornada muito difícil. Sevenwaters corre o risco de desaparecer e com ele o legado da família de Sorcha. 
Os piores receios desta família tornam-se realidade quando Lord Colum anuncia que irá desposar Lady Oonagh, uma mulher aparentemente encantadora, mas com um interior completamente vazio e maldoso. Esta acaba por lançar um feitiço aos habitantes de Sevenwaters, mas os seis irmãos acabam por ser transformados em cisnes, animais selvagens sem qualquer consciência humana e assim o domínio de Sevenwaters cai em mãos alheias. Sorcha é a única que poderá desfazer este feitiço e libertar os seus irmãos. Mas a jornada que se prepara para a pequena Sorcha é uma que se revela longa e complicada e as Criaturas Encantadas, que povoam as florestas de Sevenwaters, nem sempre são um aliado na sua demanda. 
 
Juliet Marillier é uma autora conhecida e reconhecida em todo o mundo. É tida como uma das melhores de fantasia de todos os tempos. A sua capacidade mais prezada é a de conseguir pegar em contos e lendas e trabalhar com este material mantendo o núcleo praticamente inalterado, mas trabalhando os outros elementos a seu favor, moldando os seus personagens e os seus enredos, até criar lendas vivas com a sua marca única. A sua habilidade narrativa, responsável pela criação de tantos e tão belos mundos e realidades, continua a tocar várias gerações. Adolescentes, adultos – toda a gente lê esta autora e poucos são os que dizem que os seus livros não os marcaram de alguma forma especial. 
Eu aparentemente, era a excepção até este livro ter sido um dos mais votados no meu Desafio aos Leitores
A minha ignorância sobre esta autora não era total. De facto, já muitas vezes tinha ouvido falar bem das suas obras, mas sendo que fantasia nunca fez parte dos meus géneros literários favoritos, nunca tive oportunidade de dar atenção a esta autora. Contudo, nos últimos 2/3 anos tenho tentado explorar outros géneros e abrir o meu leque de leituras. Como anteriormente outros livros já me provaram, posso estar a perder muita coisa boa. 
E a verdade é que hoje em dia, leio um pouco de tudo e as surpresas nunca acabam. Este A Filha da Floresta, naquele que marca o início de uma trilogia sobre o domínio de Sevenwaters, foi outra desta surpresas não só dentro do mundo da fantasia, mas dentro do mundo da literatura. 
 
Entrei para esta aventura sem qualquer tipo de expectativa. Sem saber muito bem o que podia encontrar, foi com algum vagar que entrei deste mundo maravilhoso de Sevenwaters. A escrita da autora é daquelas únicas. Não posso dizer que seja uma escrita leve, de absorção rápida e indolor. Não. Na verdade, achei a escrita e a narrativa desta autora muito densas, mas igualmente ricas. É uma leitura que se faz com vagar, de modo a absorver todo e qualquer pormenor. Não achei uma leitura fácil, mas achei uma leitura mais proveitosa que outras por causa disso mesmo. As descrições e a construção do enredo foi algo muito trabalhado e isso nota-se conforme se avança na leitura. A imaginação é o melhor companheiro para esta leitura. Com as descrições das paisagens, este livro tem uma componente visual muito grande, como qualquer outro dentro do mundo da fantasia, na verdade. 
Ajuda a que esta construção seja feita de modo algo gradual, no entanto. Conforme o leitor se embrenha neste mundo, a autora vai enriquecendo o enredo com mais descrições e mais pormenores. A dimensão fantástica deste livro foi aquilo que mais me entusiasmou, paradoxalmente àquilo que achava/acho sobre este género literário. Adorei a forma como ela manipulou as lendas antigas e a forma como trabalhou este universo do imaginário. 
 
No que toca às personagens, os elogios também são muitos. Há uma dimensão muito real em todos os intervenientes desta história e deste mundo. É impossível não nos sentirmos ligados a estas personalidades, nem que seja empatia ou pena pelo sofrimento de Sorcha ou ódio pelos vilões. Contudo, a verdade é que sentimos algo por estes personagens. Os protagonistas são aqueles a que provavelmente nos sentimos mais ligados, por razões óbvias. Contudo, o potencial e o talento que Juliet tem para criar personagens complexas e completas encontra-se neste primeiro volume em grande ênfase. A minha personagem favorita neste volume foi Red. Adorei a consistência dele, a boa natureza deste homem, o exemplo que ele dá à sua comunidade. A sua persistência e a sua paixão em tudo o que faz foi estonteante. O seu irmão, Simon, deixou-me igualmente curiosa e é uma personagem que espero ver num futuro próximo. 
 
Dito isto, o balanço que faço deste livro é um muito positivo. Na verdade, a única coisa com a qual fiquei insatisfeita foi com os vilões e o fim destes intervenientes, por assim dizer. O leitor passa grande parte do livro a sofrer com os infortúnios dos personagens mais ‘virtuosos’, mas de certa forma, os vilões acabaram por não ser explorados da mesma forma que outras personagens foram. Não me pareceu que existisse um verdadeiro equilíbrio entre a construção das personagens e a construção dos vilões. Não fosse isso, provavelmente diria que este livro era material 5 estrelas, pois tem de tudo: acção, mistério, muita riqueza narrativa e uma belíssima história de amor.
Apesar de tudo – uma estreia em grande, diria eu.
 
 
 
 
 
 

10 thoughts on “A Filha da Floresta

  1. Fico contente que tenhas gostado. Este é o primeiro livro de uma trilogia que marcou o meu percurso como leitora. Mas a verdade é que o 2.º livro é que é o meu preferido dos 3🙂
    Depois o 4.º e 5.º livros, passados noutras gerações, são quanto a mim mais fracos. Ainda estou a tentar decidir se leio o 6.º…

  2. Este é realmente o início de uma trilogia excelente! Estavas a perder muito ao não ler esta autora. Não sei de que vilões falas, quando dizes que são pouco explorados, mas lembro-me que a Lady Oonagh vai estar muito presente no terceiro. :S
    Beijinho

  3. Pois, esse tio do Simon e do Red não me parece que volte a ser falado. Mas a Lady Oonagh vais estar bem presente n'A Filha da Profecia. E o quanto voltei a odiá-la nesse livro!
    Beijinho

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