Estados de Espírito #32

Há já algum tempo que voltei à minha rotina exigente. 
Todos os dias lá vou eu, pelos transportes a cruzar-me com milhares de outras pessoas, cada uma delas perdida no seu mundo particular e nos seus próprios passatempos. Eu não gosto muito de andar de transportes públicos em Lisboa, por razões mais que óbvias. As pessoas tornam-se uma espécie de selvagens, à procura de lugares, ou de sair primeiro, ou qualquer outra coisa. 
Por outro lado, eu adoro a teoria dos transportes públicos, por todas as suas vantagens. E aquilo que mais gosto é de observar as outras pessoas. Algumas delas provavelmente não gostam que eu olhe para elas como se fossem objectos de estudo, mas a verdade é que todas ela são interessantes de observar (suspeito que se pudesse também me observaria a mim própria). 
Mas mais do que isso, está a saber imensamente bem voltar a ter um horário a cumprir – mesmo que seja exigente e que quando chego a sexta-feira, eu pense sempre que vou morrer do cansaço acumulado. 
E contudo, todos os dias que me levanto, sinto que estou a fazer o que quero e que é realmente para isto que fui feita. 
Não há melhor sensação do que aquela em que sabemos que estamos a fazer uma coisa que gostamos e que nos dá prazer. E por isso mesmo é que o cansaço, nestas situações, não é importante. E não nos deixa parar. 

É importante que no decurso da nossa vida, encontramos algo que nos realize. Nem que seja em coisas pequenas. Mas se encontrarmos algo que nos realiza, é garantido que os nossos dias correrão de maneira mais agradável e a vida flui de outra maneira. 
Se me perguntassem há dois, três anos se me encontrava realizada com a minha vida, reluntantemente e hesitantemente diria que sim. Porque nunca na vida acreditaria que pudesse encontrar algo que me fizesse sentir realizei. Ainda bem que continuei a acreditar porque…
Hoje, se me fizerem a mesma pergunta, com absoluta confiança direi que sim!, e isso é mais do que suficiente por agora. 
Não é que queira parar agora. Muito pelo contrário. 

De certeza que não quero parar agora, isso está claro na minha cabeça. Há tanta coisa que ainda quero realizar e alcançar, mas sei que este passo é apenas o primeiro em muitos. E para primeiro degrau, é importante que este sentimento de realização já esteja cá dentro.
Levantar-me de manhã, para cumprir as minhas obrigações e rotina, nunca me pareceu tão bom e tão gratificante. Levantar-me quando ainda está de noite, parece-me um pequeno preço a pagar tendo em conta o resto.
E é isto que me importa.

beautiful, happy, hope, nature
(favim.com)

2 thoughts on “Estados de Espírito #32

  1. Querida ainda bem que finalmente encontraste e sentes-te bem onde estás actualmente!! Fico muito feliz, e se te sentes bem onde estás e o que estás a fazer, todo o cansaço, obrigações e falta de tempo para outras coisas não importam! O importante é gostarmos do presente pois só irá trazer um futuro mais risonho =)

    beijinhos!

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