Nunca Me Deixes

Kathy, Ruth e Tommy cresceram em Hailsham – um colégio interno idílico situado algures na província inglesa. Foram educados com esmero, cuidadosamente protegidos do mundo exterior e levados a crer que eram especiais. Mas o que os espera para além dos muros de Hailsham? Qual é, de facto, a sua razão de ser?
Só vários anos mais tarde, Kathy, agora uma jovem mulher de 31 anos, se permite ceder aos apelos da memória. O que se segue é a perturbadora história de como Kathy, Ruth e Tommy enfrentam aos poucos a verdade sobre uma infância aparentemente feliz — e sobre o futuro que lhes está destinado.
Nunca Me Deixes é um romance profundamente comovedor, atravessado por uma percepção singular da fragilidade da vida humana.




ISBN: 9789896160517 – Gradiva / 2005 – 332 páginas

Hailsham é um colégio interno que se situa no interior de Inglaterra. Fora dos seus limites só se vêm os Bosques e tudo o resto que é o mundo, mas que para os alunos que vivem no colégio, representa o desconhecido. 
E não existe nada de vulgar neste colégio. Nem as instalações, nem os alunos que vivem aqui. De facto, a realidade de Hailsham não só é invulgar, como é perturbadora a vários níveis. Kath, Ruth e Tommy são três desses alunos que vivem em Hailsham e que foram educados com propósitos bem definidos. 
Desde pequenos, os alunos são educados com certos princípios, para se comportarem de certa forma e para cumprirem objectivos muito particulares. 
Sendo ferozmente protegidos do mundo exterior, as crianças e jovens adultos passam grande parte da sua vida a seguir um conjunto de regras que nunca chegam a perceber na sua totalidade. Apenas sabem que têm um objectivo a cumprir e que para isso, são zelosos consigo mesmo, protegendo o seu corpo como fosse um tesouro. O que de facto, são.
Através das memórias, Kath, vai contar-nos tudo aquilo que precisamos de saber sobre Hailsham e tudo o que este colégio interno representa.

Nunca me Deixes de Kazuo Ishiguro é uma obra conhecida mundialmente, não apenas por o autor já ter sido premiado, mas porque foi um dos nomeados para o prémio Man  Booker Prize de 2005. Faz também parte da conhecida lista 1001 books you must read before you die. Por tudo isto e somando os milhões de críticas positivas a esta obra, é óbvio que estava com as expectativas muito altas. 
Nunca cheguei a perceber muito bem em que género literário este livro se insere. Há quem jure ficção-científica, há quem jure distopia, há quem jure que nem uma coisa nem outra. Eu cá, vou abster-me de colocar este livro numa categoria, escolho apenas dizer que quem gosta destes dois géneros literários poderá, eventualmente, gostar desta leitura.
Contudo, o que eu quero aqui enfatizar é o facto de o público ter colocado este livro num pedestal e de o ter apelidado de cânone literário. Consequentemente, a imagem que comecei a formar desta obra, afectou a disposição com que fui para esta leitura. 
E reconheço que foi um dos factores para que a leitura não tenha superado as minhas expectativas, pois estava à espera de algo que me obrigasse a ter uma experiência extra-corpórea. 
Isso não aconteceu.

Muito pelo contrário. Começando pela escrita. Sim, é bonita, tem frases que merecem ser recordadas. Mas aquela metodologia de descrever um flashback seguido de outro flashback e seguido de mais outro flashback como se as outros não tivessem já sido mais que suficientes  é simplesmente cansativo. E o uso contínuo de uma expressão que pretende fazer com que o leitor regresse ao ponto inicial, não só é redundante, mas como é chato. Inútil. E um pouco enervante, convenhamos. 
As personagens desiludiram-me igualmente. A Kath que supostamente é independente, até certo ponto, revelou-se ser uma desilusão de mulher. 
O Tommy, desiludiu-me igualmente, porque nunca lutou por quem realmente quis.
O que fez valer esta leitura, foi a reflexão que o autor me obrigou a fazer sobre a natureza humana. De como pode ser cruel, calculista e como em cada acção, pode existir um interesse egoísta como motivação. Enjoou-me toda esta realidade, pois via isto a acontecer no nosso mundo, apesar de todas as coisas boas que também temos. 
Esta visão de Ishiguro da humanidade acabou por me deprimir um pouco, pois eu tento, muito intensamente, ver as coisas positivas da vida. E este livro é tudo menos positivo. Tem um carga emocional muito grande, mostra-nos um lado humano muito negro. 

Contudo, sei perfeitamente que não li este livro na altura certa e porventura, foi por isso que não consegui achar esta leitura motivante. Dei por mim muitas vezes aborrecida e após duas leituras seguidas dentro do género literário da distopia, é provável que já estivesse a precisar de entrar noutro ambiente. 
Sei também que na altura em que o li, precisava de coisas alegres e não isto. Espero que daqui a uns anos, possa voltar a ler o livro e talvez o veja os outros olhos.  

Mas, neste momento, não consigo encontrar nada que o torne tão admirável assim. 


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