A Hora Mágica




Até há pouco tempo, a Dra. Júlia Cates era uma das mais respeitadas pedopsiquiatras do país. Em Rain Valley, onde vive, nunca acontece nada de especial – até ao dia em que uma menina emerge das profundezas da floresta e chega à vila. É uma vítima completamente diferente: uma criança encerrada num mundo de inimaginável medo e isolamento. Estará Júlia à altura? Num dos seus romances mais ambiciosos, Kristin Hannah proporciona-nos uma história emocionante sobre a resiliência do ser humano, o triunfo da esperança. E sobre os locais misteriosos do nosso coração.






ISBN: 9789724246246 – Círculo de Leitores / 2010 – 424 páginas

Uma menina é encontrada numa árvore. Encontra-se agarrada a um lobo. Está assustada, agitada e é preciso uma rede e tranquilizantes para a trazer até ao chão. Ellie, comandante de polícia da pequena cidade de Rain Valley , está encarregada de descobrir a identidade desta pequena criança que foi encontrada na orla do bosque. Desde cedo, Ellie se apercebe que há de estranho com a rapariga. Esta criança tem algo de selvagem em si, irracional. Não fala, recorre aos uivos para exprimir os seus sentimentos e emoções. Rapidamente é intitulada como a Rapariga-Lobo pelos meios de comunicação social, devido às suas capacidades extraordinárias de rapidez de movimento, agilidade e feracidade.
Só existe uma pessoa que pode salvar esta criança e essa é a irmã de Ellie que não se encontra nas melhores fases da sua vida. A sua carreira acabou de ser destruída e Julia encontra-se muito vulnerável emocionalmente pois acabou por perder o trabalho que ama e para o qual se esforçou durante tantos anos. Ajudar esta criança, que irá baptizar de Alice, será uma segunda oportunidade para ela. 

Para os mais atentos, devem ter-se apercebido que este foi um dos livros escolhidos para o desafio aos leitores que fiz aqui no Labirinto. Disse igualmente que começaria este desafio pelo livro de Kristin Hannah. A Hora Mágica acabou por se revelar uma estreia muito boa. No início não sabia muito bem o que esperar, mas pela sinopse, deduzi que seria um policial/thriller. Não classificaria esta obra como sendo um policial. Pelo menos, não completamente. Claro que a essência do livro se encontra no mistério que envolve a pequena criança que aparece, pois não se sabe nada sobre a mesma e o facto de ela não falar é um enigma que o leitor está constantemente, ao longo da leitura, a tentar resolver.
Mas este livro é bem mais que a solução de um mistério. É mais do que encontrar a chave que resolve tudo e que permite existir um final feliz.
É um livro que nos fala sobre a crueldade que existe por aí nesse mundo e obriga-nos a pensar no número alarmante de sequestros de crianças que existem todos os dias. Crianças que nunca são encontradas e que acabam por cair no esquecimento. É alarmante. Desesperante. 
Ainda me consigo lembrar da primeira vez que, quando em criança, me perdi dos meus pais. A sensação de desespero foi tão grande que bloqueei totalmente. Cheguei a pensar que nunca mais na vida veria os meus pais. Felizmente, tive presença de espírito suficiente para dizer a um segurança que me tinha perdido da mamã e vá lá que o final foi um feliz. Mas existem muitos por aí que não o são.
E esta história mostra-nos, como é a vida depois do trauma que é um sequestro. Mostra-nos como a pequena Alice sobreviveu a um período intenso de maus tratos e como reaprendeu a falar e a expressar as suas emoções e sentimentos. Como voltou a ser criança e a sentir-se segura. 

O que mais gostei nesta obra foi a forma como a autora descreveu o desabrochar da Alice, mas também da Julia. Foram as personagens que mais me interessaram em todo o livro, não apenas por serem as protagonistas da história, mas por terem sido personagens que me inspiraram. Ambas se encontravam numa fase da vida muito infeliz e conseguiram tornar-se novas pessoas, com a ligação que formaram entre elas. São personagens muito fortes e que não se rendem com facilidade. Gostei muito de acompanhar o crescimento destas duas personagens e confesso que além da escrita, o que mais gostei em Kristin Hannah foi a forma como ela constrói as suas personagens. E apreciei também o facto de a autora ter construído dois romances, de uma forma subtil, como quem não quer a coisa, mas belos da mesma forma.  
Também gostei bastante da escrita, embora não tenha gostado da tradução. Existiram vários termos que não me soaram bem, que não encaixaram dentro da narrativa e tenho pena de não ter arranjado antes o original. Sei que a experiência teria sido bem melhor.

Em suma, gostei bastante da minha estreia com a autora e lerei mais livros dela, mas tenho noção que não lerei mais nenhuma tradução, com muita pena minha.

   

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