A História do Amor

Leo Gursky tenta sobreviver mais algum tempo, batendo no radiador todas as noites para dar a saber ao seu vizinho de cima que ainda está vivo e fazendo recair sobre si as atenções ao balcão do Starbucks do bairro. Mas a vida nem sempre foi assim: há sessenta anos, na aldeia polaca onde nasceu, Leo apaixonou-se e escreveu um livro. E, embora não o saiba, esse livro também sobreviveu: atravessou oceanos e gerações, e mudou vidas. Alma tem catorze anos e foi assim baptizada em honra de uma personagem desse livro. Passa a vida a vigiar Bird, o seu irmão mais novo (que acredita poder ser o Messias) e a tomar notas num caderno intitulado Como Sobreviver na Selva – Volume III. Mas no dia em que uma misteriosa carta lhe chega pelo correio começa uma aventura para descobrir a sua homónima e salvar a família. Neste seu extraordinário novo romance, Nicole Krauss criou algumas das personagens mais memoráveis e tocantes da ficção recente numa história transbordante de imaginação, humor e paixão.

ISBN: 9789722029933 – D.Quixote / 2006 – 320 páginas

Leopoldo Gursky apaixonou-se aos dez anos de idade, na sua cidade natal de Slonim. Decidiu naquele momento que Alma seria a mulher da sua vida e a verdade é que não houve nenhuma que se pudesse comparar a ela, durante a sua idade adulta até ao dia da sua morte. Contudo, Alma também foi a sua musa inspiradora em todos os sentidos. Conforme se ia apaixonando, Leo, foi escrevendo aquela que foi a história de amor mais importante da sua vida e nunca imaginou que este viria, mais tarde, a tornar-se um livro muitíssimo importante para outras antas vidas, já muitos anos depois.
A verdade é que após Alma ter emigrado para os Estados Unidos da América, Leopoldo ficou para trás até conseguir ganhar dinheiro suficiente para ir ter com a sua amada. Quando o conseguiu fazer, as coisas não correram como tinha imaginado. Como tinha sonhado. Mas para trás ficou o seu legado, o livro que escreveu que foi inspirado no amor da sua vida, na sua razão de viver.
O livro acabou por viajar pelo mundo até chegar às mãos de uma jovem de 15 anos, chamada Alma (e não, não é uma coincidência ao acaso) que quer libertar a sua mãe da solidão em que vive desde que o seu marido faleceu devido a uma doença prolongada.
Isto porque A História do Amor não é um livro qualquer e nas suas linhas tem qualquer coisa de especial, de curioso, de mágico, que só aqueles que já amaram é que poderão compreender. 

Descobri este livro no início deste ano e até agora permaneceu firme na minha wishlist à espera de uma boa oportunidade para o comprar. Embora essa oportunidade nunca tenha chegado a aparecer, por um acaso do destino uma amiga reparou que eu queria ler este livro e fez-me uma surpresa enorme ao ter-me emprestado este livro. Fiquei exultante, pois há mesmo muito tempo que andava a querer ler este livro. A primeira vez que me cruzei com este título já sabia que tinha que ler este livro. Nem nunca cheguei a ler a sinopse ou a pesquisar algo sobre a autora. Tinha cá para mim que este seria um daqueles livros que apelam a uma parte de mim que tento manter escondida, por diversas razões. Simplesmente sentia cá para mim que este livro me iria mudar de alguma forma, mesmo que ainda não soubesse nem como nem porquê, tal como não sabia até que ponto é que o livro me iria mudar, embora soubesse perfeitamente que o livro teria a possibilidade de o fazer.
E assim foi.

Comecei devagar, estranhando a predilecção da autora em focar-se em pormenores que pareciam no início estar isentos de significado. Não sei bem em que momento do livro me apaixonei. Sei que foi algures numa linha do primeiro capítulo, quando se reflecte sobre um amor jovem, que é impossivelmente inocente ao início e tão repleto de ternura ao mesmo tempo. Sei que teve algo que ver com sorrisos, questões e respostas. Sei que teve que ver com partes do corpo feitas de vidro e com declarações de amor. Sei que teve que ver com a forma como a autora descreve de forma tão insólita, o que é o amor e como o podemos sentir e como esse sentimento dá forma e consistência a variados aspectos da nossa personalidade.
A escrita de Nicole é maravilhosa, mas esta não é uma palavra suficientemente ilustrativa da beleza da sua escrita, particularmente no que toca aos pontos de vista da jovem Alma Singer, que me tocou o coração em cada palavra, até mesmo naqueles momentos que parecem mais insignificantes.

Se é uma história que ao início não parece clara ou talvez demasiado pormenorizada é porque todos os pormenores se vão encadeando conforme se avança na leitura e rapidamente a nossa mente começa a fazer sentido daquilo que lemos anteriormente e que à primeira nos pareceu não ter qualquer sentido. É uma escrita com bastantes floreados, em que as palavras têm um significado que ecoa por muito tempo na nossa cabeça e obrigatoriamente reflexiva e que propõe ao leitor que este se embrenhe na história com dedicação, que se apaixone tantos pelas personagens como pelo enredo e que ao mesmo tempo aproveite a viagem o máximo que possa.

Tem frases lindas em todo o livro, que devo dizer, recheou o meu bloco de notas. Como posso explicar o que senti durante esta leitura? Apeteceu-me em alguns momentos chorar de frustração porque algumas situações disseram-me muito. Noutros momentos, apeteceu-me gritar de alegria pois os personagens estavam no caminho que eu queria que eles seguissem. Noutros ainda, fiquei com olhar completamente desfocado, porque a escrita da autora levou-me variadas vezes a reflectir sobre o destino, sobre emoções, sobre comportamento humano, sobre mortalidade, sobre amor. Sobre borboletas. Sobre extinção. 

A pergunta que me ficou na cabeça é também uma mensagem de esperança, para mim, que em certos momentos da vida, tendo a ter uma visão negativa do mundo e por outras vezes, uma imagem ainda mais negativa da natureza humana. Hoje em dia, olhando para o mundo tal como ele se apresenta agora perante nós, vejo que o sentimento e mais propriamente o amor é desvalorizado por todos nós. As palavras são igualmente desvalorizadas. Quantas vezes nos saem das bocas palavras que não queremos proferir, coisas que não sentimos, não é? Não vou discorrer sobre o que sinto sobre este assunto, mas acredito que estes dois valores, digamos assim, são sobejamente desacreditados, quando deviam ser valorizados e tidos em conta, mais do que tudo. Por isso mesmo é que este livro falou comigo. Por me mostrar que o contrário também é verdade, também é possível, também acontece. É preciso é encontrar as pessoas que o sabem fazer. Mostrou-me que o amor não se encontra em vias de extinção e que as palavras são um dos mais belos legados que podemos deixar neste mundo.
É um livro que brilhantemente mistura conceitos como destino e mortalidade e consegue encontrar um equilíbrio entre os dois, que faz com tudo faça sentido. Se colocarmos muito sentimento, uma pitada de mistério e vicissitudes da vida nessa mistura, o resultado é este livro fabuloso que me roubou o coração e tão depressa não o irá devolver.



    

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