Estados de Espírito #24

É certo e sabido que quem tem um blogue, qualquer que seja a área sobre a qual este versa, se expõe a este mundo enorme que é a Internet, ou mais propriamente a blogosfera. Em cada um destes espaços podemos encontrar todo o tipo de leitores. Aqueles que são seguidores compulsivos, seguindo com muita paixão cada um dos posts e cada palavra dos bloggers. Aqueles que são os visitantes mais ou menos conhecidos, que vão deixando um comentário de vez em quando, mas mesmo quando não deixam sabemos que eles estão lá na sombra a ver o que aparece no blogue. Temos os visitantes casuais. Viram o blogue uma ou duas vezes, mas este é posto de parte, por uma ou várias razões.
Temos os visitantes fantasmas. Nunca sabemos quem eles são, embora sabemos que sejam alguém. Passam sem uma palavra. 
Mas depois temos aqueles que gostam de sobressair pela negativa. Já vi outros bloggers referirem-se a estes como sendo hate não sei das quantas, mas acho que isso não chega para definir esta espécie de visitantes.

Já todos nós somos conhecedores do dito “não se pode agradar a gregos e a troianos“, mas acho que subestimamos muitas vezes o poder destas palavras. Quem tem um blogue pode sem dúvida relacionar-se com estas palavras, como eu o faço. É impossível que tal coisa não aconteça. Irá existir sempre alguém que não gosta da forma como fazemos as coisas e que de uma maneira ou de outra, tente mostrar o quão desagradado está. 
Mas há maneiras e maneiras.

E aquilo que denoto, ao longo a experiência que já tive, é que as pessoas não sabem comunicar especialmente no que toca a trocar experiências sobre os seus gostos. Já se sabe que o conceito de gosto é uma coisa relativa. Aquilo que eu acho fantástico, pode não ser para o meu vizinho. Todos nós prezamos a nossa liberdade de expressão. Eu, decerto, prezo a minha, visto que no meu blogue expresso todos os dias a minha noção de gosto, sobre os mais variados tipos de livros, séries, o que seja. Também respeito o direito à liberdade de expressão às pessoas que venham dar a opinião contrária, senão acabaria por me tornar hipócrita. Aquilo que eu me pergunto é se as pessoas têm noção que ao atacarem a outra pessoa, estão a alienar completamente este conceito. Já não é a primeira vez que tal situação me acontece e enfim, não há-de ser a última, infelizmente. Mas nunca deixo de ficar revoltada a cada nova situação que assisto. 

Ora bem, se eu gosto de um livro, porque é que eu hei-de atacar uma pessoa que não gostou dele? Seja por insultar essa pessoa ou insultando a maneira como dá a sua opinião? Faz sentido algum este tipo de atitude, irracional e muitas vezes dita de uma forma que denota apenas que nem existem argumentos fortes para sustentar a própria opinião que se quer defender? De certeza que estas pessoas também gostam de sentir que podem ter uma opinião contrária, mas no entanto tornam-se completamente irracionais quando querem defender o seu ponto de vista, chegando a tentar a colocar a outra pessoa num plano inferior, para que se possam sentir seguros a gostar de x livro, acabando por tentar destruir aquilo mesmo que eles tomam garantido: a liberdade de expressão.

Se calhar, sendo eu uma blogger que escreve opiniões, acabo por ter mais consciência disto mesmo, porque eu própria já fui muitas vezes alvo destes comentários que tentam menosprezar aquilo que eu acho de certos livros, mas o que será que leva alguém a ter uma atitude destas?
Será apenas o desejo primitivo de defender algo do qual nós gostamos, tomando nessa atitude, esse algo como sendo nosso para proteger, ou será algo mais, algo indefinível? 



| daqui |



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7 thoughts on “Estados de Espírito #24

  1. Filipa, gostei muito deste post!

    por várias razões:

    – Concordo com o que disseste e mesmo que não concordasse, acho que escreveste de forma clara, respeitosa e com educação.

    – Focaste um tema que dá pano para mangas e que é lamentável.

    No meu blogue (Desejos de Alma), nunca tive um comentário hate ou hater ou como se escreve isso. O blogue tem 2 meses. Esta semana, tive sim um comentário um pouco infeliz de um anónimo que não se dirigiu a mim directamente e respondeu a uma seguidora – coisa que não era da sua competência… Referiu-se a mim como “pessoa que escreveu um texto enorme argumentando as falhas” que o livro do Grey (1º volume) tinha… Ora, não consegui ficar calada e tentei responder com a educação que consegui. Não foi hater, mas foi infeliz.

    Hoje tive uma outra situação de uma rapariga que comentou e que se dizia hater. Não leu nenhum dos livros do Grey e afirmava isso com orgulho. Acontece que ela leu as minhas opiniões, gostou delas e comentou educadamente. Deixou-me um link, link esse que justificava o seu “ódio” pela trilogia e eu fui lá e li. E fartei-me de rir. Não de forma pejorativa. Gostei mesmo do que li. E comentei no blogue dela. A resposta dela foi e passo a citar “É óptimo poder debater uma obra mesmo quando não concordamos a 10o%”.

    Isto é que é desportivismo… ou bloguismo… lol não sei se a palavra existe para a comunidade blogger, mas fiquei feliz.

    Acho que não era muito difícil se todos fossem assim como esta rapariga/mulher/blogger. Aplaudo-a pela sua atitude!

    Desculpa o testamento! Adorei o post :))

  2. Oi Ray, antes de mais, obrigada pelo teu comentário e pelos teus elogios!
    De facto, este é um tema que tem muito por onde puxar e o meu post original era mais extenso, mas decidi encurtá-lo um pouco para não se tornar demasiado cansativo e exaustivo.
    Vi a situação que referiste e mantiveste a na posição que nestas coisas é preferível: firme na tua mensagem, mas educada! 😀

    Não peças desculpa pelo testamento, é sempre bom receber feedback! 😀

    Um beijinho e boas leituras!

  3. Obrigada 😉 tentei mesmo ser educada, até porque o tal anónimo não fez nada de especial, mas ia saindo da casca, ia!! ahah

    Filipa, posso pedir-te uma coisa?

    A situação que descrevi no meu primeiro comentário e este teu post inspiraram-me a escrever sobre o tema para os meus próprios [Devaneios] que sai na próxima terça-feira (aconselho depois a dares uma vistinha de olhos) e gostaria de colocar o link deste [Estados de Espírito].

    Dás-me autorização para fornecer o link, pf?

    Obrigada e beijinhos**
    (Ivonne – Ray*)

  4. Obrigada, querida Ray, pelo comentário tão amoroso!
    É caso para dizer “gente educada é outra coisa”. Também já tive os anónimos parvos no meu blog (por isso deixei de permitir comentários anónimos) e até, mais recentemente, um comentário maldoso de uma blogger que – só podia – estava a passar um mau momento na sua vida e decidiu descarregar em mim. Isso choca-me e concordo com o que foi dito no post – nunca deixa de incomodar, por mais poder de encaixe que se tenha. Quem o faz sabe perfeitamente disso, não nos iludamos; sabe que vai ferir, ofender ou pelo menos, incomodar alguém. Eventualmente, pode contribuir para estragar o dia dessa pessoa. Para quê, pergunto eu, quando há tantas maneiras delicadas de se fazer uma sugestão ou reparo?
    Eu própria vejo blogs que me desagradam profundamente. Se acho que com as minhas críticas construtivas posso melhorar alguma coisa, digo-o com amabilidade. Se acho que são casos perdidos (ou porque têm erros ortográficos, ou má qualidade, ou que a pessoa não tem noção do ridículo, que é uma coisa sempre relativa mas convenhamos, essa ausência é real) ou se simplesmente, não são o meu tipo de espaço, não volto lá e pronto. Também há sempre a hipótese de – para quem gosta de remoer coisas que odeia – criticar lá em casa, à vontade, dizer ” aquela blogger é uma besta” mas sem chatear ninguém.
    Resta dizer que respondo sempre ( nem que seja por mail) a esses comentários, com a devida educação, mas sem dó, como expliquei no link abaixo. E acreditam que alguns já vieram todos chorosos dizer ” a tua resposta é que foi má e ofensiva” quando me limitei a colocar os pontos nos “i”? Pois, quando nos calha a nós…

    http://jessi-aleal.blogspot.pt/2012/10/este-blog-nao-se-chama-santa-sissi.html

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