A Queda dos Gigantes

Em A Queda dos Gigantes, o primeiro volume da trilogia “O Século”, as vidas de 5 famílias – americana, alemã, russa, inglesa e escocesa – cruzam-se durante o período tumultuoso da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do Movimento Sufragista. 

Neste primeiro volume, que começa em 1911 e termina em 1925, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações virão a ser as grandes protagonistas desta trilogia. Os membros destas famílias não esgotam porém a vasta galeria de personagens, incluindo mesmo figuras reais como Winston Churchill, Lenine e Trotsky, o general Joffreou ou Artur Zimmermann, e irão entretecer uma complexidade de relações entre paixões contrariadas, rivalidades e intrigas, jogos de poder, traições, no agitado quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino. 
Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.
ISBN: 9789722344289 – Editorial Presença / 2010 – 930 páginas

Uma trilogia, um retrato de um século. O primeiro volume da trilogia “O Século” intitulado A Queda dos Gigantes, inicia um ciclo que pretende retratar a vida, o quotidiano, as diferentes realidades, as tristezas, os sucessos e as alegrias do século XX, uma das épocas mais importantes a nível mundial. 
Neste primeiro volume, começamos a viagem em 1911 e acabamos em 1925. Ou seja, vamos viajar até à Europa nos anos em que a Primeira Guerra Mundial grassou um pouco por todo o território europeu. O leitor vai poder transportar-se para esta época conturbada que teve um impacto a uma escala mundial, na medida em que após este conflito, a sociedade como era conhecida, nunca mais voltará a ser o que era. A Grande Guerra veio significar muitas coisas, mas a mais notória é o massacre de vidas humanas, em número abismal. Mais de 16 milhões de pessoas morreram neste conflito e esta guerra encontra-se na tabela dos conflitos da história mundial que mais mortes e causalidades causou. 
O acontecimento que originou a Primeira Guerra foi o assassinato do Arquiduque Francisco Fernando de Áustria, em 28 de Junho de 1914 , o príncipe herdeiro do trono de Áustria Hungria, que resultou depois num ultimato por parte dos Habsburgos contra o reino da Sérvia. Rapidamente se desencadearam outros desenvolvimentos e o sentimento de fatalidade e guerra  instalou-se, logo de seguida, nas mentes dos europeus, dos russos e do mundo em geral.

Ken Follett acaba por pegar num conjunto de personagens que provêem, todas elas, de realidades muitos distintas e acaba por transportar o leitor para a vida destas pessoas que serão todas afectadas por este período de grande instabilidade, em todas as áreas das suas vidas. 5 famílias que não poderiam ser mais diferentes e conhecendo todas elas realidades opostas (não só pela questão da nacionalidade), vão cruzar as suas vidas de uma forma ou outra e a questão permanecerá no espírito de cada um de nós: conseguirão todos eles, sobreviver, para ver o mundo renascer? 
Uma família alemã, uma inglesa, uma escocesa, uma russa e outra americana. Todas elas vão ser tocadas pelo conflito que grassa na Europa e muitos deles vão ver a sua vida virar-se de pernas para o ar. Uns, tentam fazer com que o amor que os unem não se escape por entre os seus dedos. Outros ainda tentam agarrar as suas crenças com a maior força possível, defendendo o sufrágio feminino e melhores condições nos locais de trabalho. A luta pela sobrevivência encontra-se em cada linha, palavra, parágrafo, capítulo deste livro. É impossível não nos sentirmos tocados de alguma forma por este relato histórico, que conta  com personalidades também elas históricas, hoje em dia, os nossos exemplos (tanto para o bem como para o mal). Lenine e Winston Churchill, Woodrow Wilson  são alguns deles. 
Podemos acompanhar uma geração inteira de lutas, de traições, de guerra, de sobrevivência, de amor, de perseverança e de esperança. São 14 anos de história que se encontram retratados, descritos e apresentados, sendo fruto de uma pesquisa histórica muito cuidada e de uma mestria narrativa sem igual.

Esta não é a primeira obra do autor que leio. Nem a maior, de facto. Os Pilares da Terra (como um todo) ainda conseguem superar, em quantidade de páginas, a extensão deste A Queda dos Gigantes.  O que eu quero dizer é que este autor já me é familiar em ambas as vertentes – policiais/thrillers e romances históricos. 
Tendo em conta que são duas vertentes diferentes, seria de esperar que tivesse preferência e que gostasse mais do estilo do autor numa do que noutra. No entanto, não é isso que acontece. O autor tem uma escrita fabulosa nas diferentes vertentes e nunca deixa de me conquistar com os seus livros, com as suas tramas e sobretudo com a sua narrativa. Ken Follett é um escritor brilhante, não só dotado de uma mestria narrativa, como antes referi, como também sabe como captar rapidamente o leitor, sem que este perca motivação com a extensão dos seus livros. Estes romances históricos são sempre obras que levam uma quantidade enorme de tempo a preparar e a planear. A pesquisa histórica que é necessária para construir estes livros tem de ser tomada em conta de uma maneira especial, sendo que o autor tem de saber discernir o que é fulcral para o seu enredo e aquilo que não o é. Por isso mesmo, o autor tem que decidir qual é a informação histórica que vai apresentar e integrar no seu romance e tem que se certificar que esta é de rigor, não se limitando a “despejar” factos históricos sem qualquer veracidade. 

O autor fez isto e tudo mais. É notável, logo à partida, que a pesquisa feita para este livro foi extensiva e exaustiva. Os pormenores históricos estão aqui presentes numa quantidade incrível, descritos de forma clara e explícita. O facto de a obra ser estruturada de forma cronológica, facilita ao leitor transplantar-se rapidamente para a época que se vive no livro e mais facilmente o leitor cria empatia com as personagens e com o enredo. 
Devido ao elevado número de personagens, a primeira metade do livro pode às vezes ser confusa, mas o índice de personagens  ordenado por nacionalidade, ajuda muito o leitor a colocar as ideias em ordem.
Diria que este livro é uma noção de história, mas é bem mais que isso. Além de factos verídicos, contexto histórico, pude realmente imaginar como seriam as vidas de quem passou por tal período na história do nosso mundo. Pude apreciar a paz que vivemos no nosso país hoje em dia e pude estabelecer alguns paralelos entre a realidade do que foi e a realidade do que hoje é. Pude também colocar-me no lugar de todos aqueles homens, soldados que deram a sua vida, o seu contributo para que hoje em dia possamos viver num entendimento (às vezes precário), possamos viver em paz. Possamos compreender e aceitar as nossas diferenças e não partir logo para a guerra, como antes parecia acontecer. 
De facto, pude imaginar-me a mim a viver naquele tempo e não no de hoje e a desesperar por não ver um fim à guerra, ao tempo de miséria, ao tempo de constante estado de instabilidade. 
Fez-me também ver em que aspectos progredimos e em que aspectos não progredimos. 

Ken Follett cria um equilíbrio flexível entre a realidade histórica e a ficção, mas nem isso tira paixão à narrativa. A escrita do autor, em nenhum momento, se torna aborrecida, embora ache que existiram certas passagens em que era desnecessário tanta descrição. Contudo, foi um livro que apesar de ser muito extenso, sempre me deu alento para continuar a minha leitura e quando, ao fim de mais de 900 páginas, poisei o livro senti que um peso me tinha libertado (literal e figurativamente – porque o livro é bem pesado!). Chegando ao fim da longa jornada, senti-me preenchida com a história complexa, mas por demais completa, que o autor nos apresenta. 

É um dos melhores romances históricos que já li, onde o romance e a história se harmonizam de uma forma perfeita. Um livro que ninguém deve perder, pela riqueza cultural, pela viagem ao passado e pela roleta russa de emoções que nos faz sentir. 


5 thoughts on “A Queda dos Gigantes

  1. Filipa, tens a noção de que me deixaste extremamente curiosa não tens?
    Adorei os Pilares da Terra deste senhor e esta trilogia do Século pisca-me o olho.;)
    Beijinho*

  2. Então, ainda bem! Sabendo que tu gostaste dos Pilares da Terra, não posso deixar de te recomendar este. É tão bom! Eu adorei… =)
    Estou mortinha para ler o segundo volume, só o preço é que ainda me demove… 😦

  3. Eu li este livro no início do ano e simplesmente adorei-o! Estou ansiosa por começar a ler o segundo volume.
    Tens razão, as personagens são muitas e aquele índice ajuda imenso, mas passado algum tempo habituamo-nos às personagens. Eu gostei principalmente do Grigori e da Marge. Ficava ansiosa pelas partes deles 🙂

  4. Eu também estou ansiosa para ler o segundo volume. Deve ser mesmo fantástico! 😀
    Por acaso não foi das personagens que mais me entusiasmaram, pelo menos o Grigori… A Marge gostei e o Walter também! 🙂

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