Estados de Espírito #23

Hoje tenho muito por que agradecer

Sim, é daqueles posts todos sentimentais, adivinharam. Na verdade, ontem foi um dia muito especial para mim e neste momento, tirando os livros da paisagem por breves segundos, o que escrevo aqui é o que me apraz dizer. 
E por isso mesmo, tenho de agradecer por mais um ano que passou sem sequer eu dar por ele. Assim sem saber como, já passei outra página no calendário das idades. Começou lá por volta das 21h30 do dia anterior, com um jantar e acabou com a passagem da meia-noite a abrir a prenda da melhor amiga que muito se esforça para me deixar feliz com as suas prendas e está sempre à espera do dia em que eu lhe diga que odiei o que ela me deu. Com todas estas trocas e baldrocas, às 3h e muitas foi quando caí na cama. O descanso foi muitíssimo pouco, mas sejamos positivos – foi por uma boa causa: Eu. Afinal não quero desperdiçar o primeiro dia do resto da minha vida. 
E o dia propriamente dito, foi rotineiro com um toque especial. Estive com as pessoas de quem mais gosto, as que me fazem rir, as que me fazem passar bons momentos e aquelas que muito simplesmente me fazem feliz apenas com a sua presença.

E daí vem esta coisa de eu dizer que tenho muito a agradecer. 
Primeiro, tenho de agradecer à família. Em segundo, tenho de agradecer aos meus amigos,  aos que me levaram a jantar e aos que me mostraram um novo lado da capital. Depois, tenho de agradecer aos conhecidos e a todas as outras pessoas, que ontem, de alguma forma me marcaram – positivamente já agora, se não é pedir muito. 
Mas sobretudo, tenho de agradecer aos papás porque sem eles, o meu eu não poderia existir. Tenho de agradecer ao pai, por todas as horas em que ele me adormeceu no seu colo, por todas as vezes em que me sentou na perna dele a ensinar-me a ler com a Cartilha Maternal. Tenho de agradecer por todas as vezes em  que defendeu a menina dos seus olhos. Por todas as  vezes em que andei às cavalitas nos ombros, porque era muito mais engraçado do que nas costas. Por todas as vezes em que secretamente, eu fingia estar adormecida no banco de trás do carro e ele me pegava ao colo para me levar até à minha cama, tendo eu mais tarde que perceber que o meu tempo de fingir estava acabado porque afinal já não tinha palmo e meio de altura. 
E tenho de agradecer à mãe, que é o meu farol de orientação. A luz que me guia quando não vejo com clareza e aquela cuja opinião terei sempre em conta, às vezes até antes da minha. Àquela que olha para mim com carinho e que não se queria separar de mim à porta do colégio. À mãe que lamentou que a menina dos caracóis tenha crescido. À mãe que me pôs sempre em primeiro lugar e à que hoje vejo como aquela com quem eu posso contar, com quem eu posso desabafar, tal como se estivesse a falar comigo mesma. 
À mãe que provavelmente não sabe que olho todos os dias para a parede do meu quarto e que olho para a nossa fotografia, que me apetece voltar àqueles tempos só para poder aproveitar um pouco mais da sua protecção, de sentir o seu abraço apertado sem me querer deixar ir embora . 
Ao pai, que sempre foi o cavaleiro andante. À mamã do meu coração, que sempre foi a rainha. 
E ao pai júnior, que às vezes, ainda olha para mim com se eu tivesse sete anos e estivesse mascarada de índia, quando ele está de cowboy. 


best, are, everything, family
| daqui
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2 thoughts on “Estados de Espírito #23

  1. Não costumo ler os teus comentários sobre livros mas já li alguns e serviu-me para ver que escreves bem, com alma. Decidi ler este e hoje, num dia algo complicado para mim, quase que a lágrima que tento manter escondida se escapou. Hoje é o primeiro aniversário do meu pai em que ele já não está cá e do qual sinto muito a falta e procuro que os que estão à minha volta não sintam, em especial a minha filha.
    Eu que já conheço os dois lados, de mãe e filha, espero um dia ler um texto assim da minha filha. É porque a minha missão foi bem sucedida.
    Tudo de bom para ti. Beijinhos

  2. Obrigada Nataxxa! Lamento a perda do teu pai e espero que de alguma forma, aquilo que aqui escrevi te tenha também feito sorrir com as memórias do teu pai..
    A minha mãe ainda não leu isto que escrevi, mas espero que um dia ela “tropece” nas minhas palavras! 🙂
    Beijinhos, tudo de bom igualmente!

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