O Fim Chega Numa Manhã de Nevoeiro

Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, de uma nova e talentosa voz do fantástico nacional 

Quando um grupo de feiticeiros renegados decide despertar uma personagem maldita da história portuguesa para cumprir uma profecia de séculos, Baltazar Mendes (investigador policial a quem acusaram de loucura!) vê-se envolvido contra sua vontade num conflito mortal em que nem todos os oponentes são humanos. Tudo dependerá de si porque, se a profecia se cumprir e o desejado regressar, o fim chegará numa manhã de nevoeiro. Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, que apresenta uma nova e talentosa voz do fantástico nacional. Acontecem coisas sinistras pelas ruas de Lisboa. Coisas que nos escapam ou que preferimos ignorar por falta de explicação. Também Baltazar Mendes as ignoraria, se pudesse, e talvez assim não se visse tristemente reduzido de inspector policial a sujeito compulsivo de uma avaliação psiquiátrica para determinar se é ou não um louco assolado por delírios mirabolantes e um perigo para a sociedade. Mas sabe bem que não são delírios. A culpa é do Sr. Salcedo, um investigador paranormal que insiste em arrastá-lo para um submundo de que não quer fazer parte. E tudo porque Baltazar tem um dom. Ou uma maldição…


ISBN: 9789896373726 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2011

Baltazar Mendes, é afastado da força policial sob a acusação de ser maluco, uma mente alucinada. De maluco, é que ele não tem nada, embora isso seja uma afirmação algo relativa, mas como estava a dizer, talvez o único problema de Baltazar seja o facto de ser ele ser um sujeito invulgarmente imune a tudo o que é sobrenatural. Por causa disso, Baltazar acaba por se ver numa situação onde não quer participar, tudo por causa de não se poder transformar no fantoche de uma qualquer  criatura sobrenatural. 
Existe uma personalidade da nossa história que se encontra intimamente ligada ao nevoeiro e essa mesma personalidade encontra-se à espera que o despertem do seu adormecimento, para que ele possa tomar conta do mundo e realizar uma profecia.
Assim, pelas ruas de Lisboa, Baltazar é arrastado contra vontade, para um duelo entre forças sobrenaturais das mais variadas espécies, numa aventura repleta de acção e mistério, misturando o fantástico com a história do nosso país. Uma mescla de humor sarcástico, de suspense e de imaginário e criatividade que culmina na realização, ou não, de uma profecia algo mirabolante. 

O Fim Chega numa Manhã de Nevoeiro é uma aposta da Colecção Bang! e que nos traz uma mistura entre fantástico e a fantasia urbana. A perfeita aposta para esta colecção da Saída de Emergência, diria eu. Desde o lançamento deste livro que estava curiosa sobre o mesmo, não devido à sinopse, que não me inspirou particularmente, mas devido ao trabalho estético do livro. 
Para já, é um título muito bem escolhido, misterioso e sonante. E a capa está muito bem conseguida, com os elementos fundamentais desta obra representados de uma maneira brilhante. Confesso que adoro o pormenor do táxi Mercedes. Bem, esta conjugação de factores (para não falar das opiniões que vi) foi aquilo que me impeliu a ler este livro e a oportunidade apresentou-se agora para o fazer. 
Eu gosto bastante do género fantasia urbana. O mesmo não se pode dizer do fantástico, género onde sou muito picuinhas e onde as obras tem de ser escolhidas a dedo. Mas, para contrabalançar isto tudo, sou igualmente fã de policiais e de thrillers e sendo este, um livro que pretende juntar de certa forma, estas áreas, fiquei com algumas expectativas. 
Posto isto, tenho que dizer que o livro não correspondeu às minhas expectativas, nem me encheu as medidas. 
Este é um livro repleto de momentos de acção frenética, com muito movimento e muito activo, tal como dinâmico. O enredo tinha muito potencial e a história foi interessante de acompanhar, que prima pela originalidade. Contudo, na minha opinião, o enredo apesar de valorizar a criatividade está a meu ver, pouco desenvolvido e explorado. Acho que para o livro que é, está pouco extenso e isso acaba por se reflectir na maneira como o enredo se desenvolve. As coisas acabaram por ser todas muito rápidas e toda a história acabou por me saber a pouco. 
Toda a obra, é na sua essência, virada para o novo, para o criativo, para as ideias diferentes. O autor tem realmente uma mente cheia de inspiração e ideias interessantes para explorar e por isso mesmo acabei por ficar desiludida com o pouco aprofundamento que houve na obra em geral, como aconteceu com os personagens e especialmente, o Baltazar. 
Foi tudo muito falado na superfície, embora não sei se isto é de certa forma, propositado. 
A personagem principal é também pouco explorada e desenvolvida e como leitora, gostaria de ter visto este personagem a ser melhor trabalhado. Não criei uma ligação com ele, porque sinto que após ter acabado o livro, não o conhecia mais do que no início do livro. E não é isso que gosto de sentir no final de uma leitura. 
No entanto, adorei as ideias para os outros personagens, no que toca principalmente, a personagens com grande relevância para a história de Portugal. 

Gostei da escrita do autor, exceptuando aqueles momentos de humor sarcástico e a falta de uma vertente mais pessoal no livro. Na minha mente, imagino o Baltazar como sendo um bom retrato do autor, pelo menos no que toca aos acessos de humor, que para mim não consistem em verdadeiramente humor, porque não me fizeram rir (nem sorrir) – público díficil este, hã? – e vendo o espaço virtual do autor, vê-se perfeitamente onde é que o Baltazar foi buscar o carácter dele. O final do livro foi um pouco previsível, mas foi para mim o adequado devido às circunstâncias.  
Na minha opinião, o livro peca por estar pouco desenvolvido e explorado, porque esta seria uma ideia muito interessante para o autor continuar uma série de aventuras com Baltazar. 


4 thoughts on “O Fim Chega Numa Manhã de Nevoeiro

  1. Coitado porquê? Visto que a sua escrita tem muito potencial, não percebo onde está o coitado. Quanto ao comentário de “pessoas sem sentido de humor” não percebi o objectivo… sentido de humor é um conceito muito relativo. Não é por eu não ter achado particular piada ao humor negro do autor que sou uma pessoa sem sentido de humor. =)
    O que devia reter desta obra, mais que o dito humor, talvez seria o escrever bom português.

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