Pássaros Feridos

Pássaros Feridos é a saga vigorosa e romântica de uma família singular, os Clearys. Começa no princípio do século XX, quando Paddy Cleary leva a mulher, Fiona e os sete filhos do casal para Drogheda, vasta fazenda de criação de carneiros, propriedade da irmã mais velha, viúva autoritária e sem filhos; e termina mais de meio século depois, quando a única sobrevivente da terceira geração, a brilhante actriz Justine O’ Neill, muitos meridianos longe das suas raízes, começa a viver o seu grande amor.

Personagens maravilhosas povoam este livro: o forte e delicado Paddy, que esconde uma recordação muito íntima; a zelosa Fiona, que se recusa a dar amor porque este, um dia, a traiu; o violento e atormentado Frank e os outros filhos do casal Cleary, que trabalham de sol a sol e dedicam a Drogheda a energia e devoção que a maioria dos homens destina às mulheres; Meggie, Ralph e os filhos de Meggie, Justine e Dane. E a própria terra: nua, inflexível nas suas florações, presa de ciclos gigantescos de secas e cheias, rica quando a natureza é generosa, imprevisível como nenhum outro sítio na terra.


ISBN: 9789722907439 – Biblioteca Sábado / 2008

Pássaros Feridos é um livro muito aclamado um pouco por toda a gente – imprensa, leitores, outros escritores e por aí além. Por todas essas opiniões que li e pela imagem que esta obra tem lá fora, esta suscitou em mim, alguma curiosidade e aproveitei a oportunidade para a ler. 
A obra fala-nos sobre a numerosa família Cleary – Paddy, Fee e os sete filhos do casal, que por dificuldades financeiras decidem sair da Nova Zelândia e emigrar para a Austrália, após a irmã de Paddy lhes ter feito uma proposta muito convincente e deveras compensadora financeiramente para esta família. Esta irmã mais velha de Paddy, que teve muito pouco contacto com ele, está no fim da sua vida e deseja passar os seus últimos tempos de existência perto dos seus parentes, sangue do seu sangue. 
A família fica contente com a prospecção de poderem vir a herdar tal riqueza e decidem então começar um novo ciclo da sua vida. Contudo, nem tudo corre às mil maravilhas e logo estes sete filhos acabam por passar por várias fases da vida, umas boas outras más, mas que acabam por mudar não só a dinâmica familiar, mas também se acabam por reflectir na vida de todos os personagens que entram nesta obra. 
Certo é que o leitor poderá acompanhar a vida desta família muito interessante, entre o ano de 1915 e 1969. Isto significa que o leitor será o receptor do relato em primeira mão do quotidiano e das aventuras desta família durante 54 anos e pode acompanhar o crescimento integral de duas gerações desta família, na povoação de Drogheda, numa fazenda de carneiros (e não só, mas este é o local central de toda a trama). 
Como se pode imaginar, as personagens são muitas e o catálogo de personalidades, muito grande. A diversidade de caracteres diferentes é muito estimulante e acabamos por nos sentir, realmente, parte daquela família. 

Eu já conhecia esta autora através da obra Tim, da qual gostei muito. Já sabia mais ou menos o que esperar desta obra e da sua escrita, mas as expectativas para esta obra em particular eram bastante altas e acontece que a obra acabou por não corresponder às expectativas que tinha para ela. 
Isto deve-se só e particularmente à maneira como a autora escolher relatar a história, mas vamos por partes.

O livro encontra-se divido em sete grandes capítulos, cada um dedicado a uma personagem em especial e a um período temporal específico, o que torna a leitura mais fácil e mais organizada, não só por estar ordenada de acordo com o passar dos anos, mas também porque podemos ver a história de perspectivas diferentes e dando mais atenção a uma personagem em especial (visto que elas são mesmo muitas). Os meus capítulos preferidos foram o da Meggie, o do Ralph e o do Paddy – entre os anos de 1915 e 1932 – não só por serem os capítulos iniciais e a trama aqui foi mais simples e mais interessante, mas também porque este foi o meu lote de personagens favoritas em toda a obra. Gostaria que o Frank tivesse tido um capítulo exclusivo a ele também, porque faz parte do meu conjunto de personagens favoritas, igualmente. E gostaria, igualmente, que o desgraçado não tivesse sido tão mal tratado e com tanto insucesso, porque ele merecia realmente ter tido uma vida diferente. 

O que quero dizer com isto tudo é que as primeiras 200 páginas (representa mais ou menos metade do livro) foi bastante interessante e a leitura fluiu de uma maneira rápida e agradável – mesmo com as letras pequenas, sim. 
Contudo, a partir da primeira metade do livro, a leitura tornou-se muito cansativa, a narrativa tornou-se mais densa e mais desinteressante e comecei a desinteressar-me muito pela trama e pelos personagens. A história evoluiu de uma maneira que não esperava e tudo aquilo que desejei para as personagens, não aconteceu, sendo que esperava outra coisa relativamente a Ralph, a Frank (como já tinha referido), mas sobretudo, esperava que Meggie tivesse uma história que me conseguisse cativar de uma maneira mais eficiente e isso não aconteceu quando Luke O’Neill entrou na sua vida. 
Estes dois factores, a leitura acabou por se revelar muito penosa até ao final. Embora tenha apreciado acompanhar a perspectiva de Luke, Fee, Dane e Justine (estes últimos, filhos de Meggie) não consegui criar nenhuma empatia com os mesmos e a história acabou por se tornar aborrecida. 

Contudo, tenho que dar a mão à palmatória e referir o quão interessante é o facto de podermos neste livro acompanhar a vida de uma família inteira e não apenas dois ou três personagens. A verdade é que o livro ganha exactamente por isso. Esta é uma saga familiar que mostra o crescimento de algumas gerações, o envelhecimento de outras e esse é um fenómeno muitíssimo interessante. 
No entanto e sendo já conhecedora da escrita da autora, esperava que ela conseguisse manter o relato dinâmico e interessante. Quando isso não aconteceu, acabei por ficar desiludida. Gostei da obra, mas creio que a experiência poderia ter sido muito melhor. 

Por isso mesmo, não posso recomendar esta obra com tanto entusiasmo como outros leitores o fizeram, mas posso dizer que vale a pena a leitura, nem que seja para aprender mais sobre a Austrália do século XX.


5 thoughts on “Pássaros Feridos

  1. Filipa, eu adorei este livro! Cada cabeça, cada sentença… Mas percebo o teu ponto de vista. às vezes não simpatizamos as personagens ou os rumos que elas tomam. Acho que devia apostar noutro livro da Colleen como O Toque de Midas porque se cinge a um período específico e não se alarga em demasia.

  2. Já fui pesquisar sobre o livro e pareceu-me interessante. Vou ver se o encontro! Obrigada pela recomendação.

    Quanto a este livro, fiquei desiludida sim…especialmente com a história do Ralph e da Meggie. Ai que o Cardeal de Bricassart tinha tanto potencial. Não desgostei das personagens em si, tirando aqueles que referi, mas mais o caminho que eles percorreram…

  3. De facto Coollen Mcculough é uma eximia contadora de histórias.
    Gostei da tua opinião. Recomendo-te a leitura de “O Toque de Midas” da mesma autora, sem dúvida um dos melhores romances dos ultimos anos.
    Eu adorei.
    Boas Leituras, excelentes livros.

  4. Já coloquei esse livro na lista de recomendações para não me esquecer, visto que a Jojo também já me tinha dito que esse valia a pena! 🙂
    Basta-me ver se na biblioteca a que eu vou existe ou se o consigo arranjar!

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