A Mulher Certa




Em Budapeste uma mulher conta a uma amiga como descobriu o adultério do seu marido. Por outro lado, um homem confessa a um amigo como abandonou a sua mulher por outra, e uma terceira mulher revela ao seu amante como se casou com um homem endinheirado para sair da pobreza. Três vozes, três pontos de vista, três sensibilidades diferentes desvendam uma história de paixão, mentiras e crueldade.




ISBN: 9789722031042 – D. Quixote (Leya) / 2007


O que fazer quando descobrimos que o nosso marido nunca nos pertenceu totalmente e ao invés se encontra há longos anos apaixonado por outra mulher? O que fazer quando sabemos que o nosso casamento está completamente arruinado mas não temos coragem para abdicar dos votos que fizemos neste dia tão sagrado?
O que fazer quando sabemos que apesar de não odiarmos a mulher com quem casámos há tanto tempo, pertencemos corpo e alma a outra mulher que espera por nós em silêncio, sem nenhuma palavra ou sentimento, proferir? Como é que podemos decidir acabar um casamento com tantos anos ou dar preferência à mulher que povoa os nossos sonhos há igualmente tanto tempo?
O que fazer quando vemos o homem por quem estamos apaixonadas casar com outra mulher e seguir a sua vida, enquanto esperamos para que ele se aperceba de que não é feliz e que apenas o pode ser connosco ao seu lado? O que fazer quando esse sentimento acaba por passar e nos realizamos de que só casámos com esse homem para sair da pobreza e para provar a boa vida que o ricos têm? Para saber o que é ter dinheiro sem nunca nos faltar nada? 
E o que fazer quando andamos à procura de uma coisa que não conseguimos encontrar?

A Mulher Certa é um livro que nos conta três histórias diferentes, cada uma delas, da perspectiva de uma personagem diferente mas interligadas entre si. A mulher, o marido e a “outra”. São três pessoas que nos falam sobre os meandros das relações humanas e sobre os relacionamentos em si, de forma que até eles próprios consigam perceber o que leva o ser-humano a amar, a trair, a conquistar, a desistir, etc.

Eu já conhecia o trabalho do escritor Sándor Márai, através da obra intitulada, As Velas Ardem Até ao Fim, que me conquistou completa e irremediavelmente. A escrita do autor, com grande ênfase nos monólogos, é de uma genialidade nunca antes vista para mim e a percepção que o autor tem não só das relações humanas mas também do mundo em geral e a forma como nos relacionamos todos é de uma brutalidade muito refrescante. 
Não só acabamos por concordar com alguns dos raciocínios de Sándor como também acabamos por reflectir seriamente na questão que perduram, quando a leitura chega ao fim – no que é que se baseia realmente as relações humanas?

Confesso que o me faz adorar este escritor é exactamente a forma como ele fala sobre os sentimentos e a forma como ele apresenta ao leitor a realidade da condição humana. No decurso da nossa vida, conhecemos muitas pessoas, mais do que imaginamos e mais do que as podemos contar. Contudo, nem todas são fundamentais no nosso percurso. Umas tornam-se importantes e acabam por se tornar uma parte imprescindível, outras nem por isso (vêm e voltam). 
Essas pessoas que passam por nós e que deixam marca, muitas vezes chegam a magoar-nos de alguma forma e acabamos por sofrer. No entanto, esta é apenas uma ligação temporária, mesmo que se tenha mantido na nossa vida por mais tempo do que qualquer outra pessoa. 
E acabamos por nos aperceber que apesar de todos nós precisarmos de afecto e sermos todos seres emocionais, as ligações são temporárias e não nos cabe só a nos tentarmos fazer com que essas ligações durem o mais tempo possível. 
No fundo, Sándor Márai é um filósofo. O seu tema favorito é exactamente o que já referi – os meandros das relações humanas e os sentimentos que se geram entre duas pessoas, tal como amizade, amor, ódio. E eu não consigo deixar de me «apaixonar» pela forma como ele pega numa situação altamente usual, como é o casamento entre duas personalidades e acaba por levar o leitor numa viagem sentimental, para conseguirmos perceber em conjunto com o autor de que forma é que duas pessoas que estão casadas por largos anos, acabam por dissolver essa união e de que forma é que essas duas pessoas lidam com isso e o que sentem.
Estas questões e outras mais genéricas são analisadas pelo autor de uma forma apaixonante e algo negativista por vezes, mas que geralmente se coadunam com a verdade. 

Porque na verdade, o que é o sentimento? Porque é que o raciocínio não funciona sem ter a seu lado, a emoção? Que espécie de equilíbrio existe entre estes dois conceitos?

A Mulher Certa é uma obra, que à semelhança da anterior, me fez repensar e reflectir muito sobre as relações que uma pessoa faz e estabelece durante toda a sua vida e dá que pensar. É uma obra muito estimulante e que vai permanecer na minha cabeça durante muito tempo.
Com isto tudo, Sándor Márai acaba de ganhar uma nova fã. Um escritor que pela segunda vez consecutiva me conseguiu envolver de uma forma completamente inédita. 



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