A Rosa Rebelde



Numa época em que a guerra civil dividia a nação, Anne acreditou que podia bater-se com os melhores guerreiros. Pela espada. Por convicção. Por paixão. A Rosa Rebelde conta-nos a fascinante e turbulenta história de uma notável figura histórica, Lady MacIntosh, que ficou conhecida como coronela Anne. Foi uma heroína das Terras Altas da Escócia, uma encantadora rebelde, uma Braveheart que arriscou tudo, incluindo a sua vida, por amor ao seu país e ao seu rei. Fruto de uma cuidada investigação histórica, e com notável mestria, Janet Paisley criou uma extraordinária história de amor, conflito, lealdade e traição que se lê compulsivamente. Uma sensual aventura histórica, repleta de emoção, protagonizada por uma heroína apaixonada e irresistível.

ISBN: 9789725304211 – Bizâncio / 2009

A Rosa Rebelde é um romance histórico que se baseia em informações e personagens verídicas e que povoaram a nossa terra há séculos atrás. É um relato que agrega o melhor dos dois mundos – a veracidade histórica e o romance intenso. Lady Anne Farquharson foi uma individualidade muito importante para a história da Escócia. Pertencente ao clã MacIntosh devido ao seu casamento com o chefe deste clã, Lady Anne foi uma rebelde na guerra civil que perturbava a união da nação. Esta era jacobita e lutava em nome do seu rei, por paixão ao seu país e à sua nacionalidade e a favor da preservação da individualidade da sua terra. 
Cedo esta jovem se tornou uma das mulheres mais conhecidas das Highlands e foi uma autêntica inspiração para as gerações vindouras. Um trabalho que denota uma pesquisa imensa e cuidada, A Rosa Rebelde, tem tudo para se destacar de qualquer outro romance histórico.

Durante vários anos que esta obra me passou despercebida, por várias razões. A primeira é ter a perfeita noção de que não é um livro que faça parte dos tops de vendas e portanto a sua visibilidade torna-se proporcionalmente menor. A segunda é o facto de eu não me aventurar muito neste género, a não ser mais recentemente, obrigando-me a sair fora da minha zona de conforto e a ser várias vezes surpreendida. Aquando comecei a fazer uma pesquisa mais aprofundada de romances históricos, descobri a autora Janet Paisley que além de ter escrito A Rosa Rebelde tem outro livro que me interessa bastante, intitulado Warrior Daughter. No entanto, como apenas o primeiro se encontra publicado em Portugal, a minha hipótese para experimentar a autora foi decidida automaticamente. Dentro da pesquisa que fiz, também me apercebi que esta obra tinha várias opiniões muito positivas e portanto o meu entusiasmo acabou por crescer. 
Acabei por criar algumas expectativas para este livro, devido aos elogios fantásticos que descobri sobre a obra. Tanto pode ser uma influência boa quanto má, todos nós sabemos isso, por isso é que não gosto muito de ler opiniões antes de ler um livro, porque acabo inadvertidamente por ser influenciada nalguns casos. Mas, a curiosidade matou o gato e por isso mesmo, posso dizer que ainda não aprendi a minha lição.

Verdade seja dita, nunca esperei que este livro me pudesse vir alguma vez a decepcionar, isto porque eu gosto particularmente de romances históricos com grande ênfase nos factos históricos e para mim é fundamental que o autor faça uma pesquisa abrangente e cuidada, mesmo que depois acabe por ficcionar vários elementos na confecção da sua obra. E A Rosa Rebelde acabaria por me surpreender exactamente por isso. 

A autora tem uma escrita muito fácil de acompanhar e este foi um dos factores que mais me admirou nesta leitura. Mal comecei a ler, senti uma fluidez muito dinâmica na sua narrativa e facilmente li metade do livro em apenas um fôlego. Considero isto um ponto muito positivo, porque demonstra que a autora sabe apresentar factos históricos e uma grande quantidade de informações sem se tornar de alguma forma aborrecida. 
Além da sua escrita fabulosa, temos a questão da pesquisa que foi necessária para criar este enredo e as características deste romance histórico e nisto, também a autora se demonstra incansável. Nota-se perfeitamente, em todo o decorrer da obra que a autora fez uma pesquisa cuidada e soube seleccionar os elementos que quis incluir no seu livro de forma acertada.

Contudo, o enredo em si não me entusiasmou sobremaneira. Creio que a autora lhe deu pouco movimento, até mesmo nas cenas de batalha. As descrições dos cenários e das batalhas pareceram-me pouco dinâmicas, pouco intensas. Afinal é suposto imprimir intensidade pois a guerra é sempre um misto grande de sensações e emoções fortes. No entanto, não senti nada disso nesta situação e acabei por perder um pouco o entusiasmo. Além disso, senti que grande parte do livro se destina a descrever o quotidiano do clã e de estratégia de guerra, mas pouco mais avança. Tem um enredo muito estático e acabei por não perceber qual seria o objectivo concreto da autora – se explicar o quotidiano dos clãs que lutaram contra a união da nação ou mostrar o ambiente da época, com as suas batalhas mas igualmente demonstrar a vida da nossa protagonista, especialmente o seu casamento com o chefe do clã MacIntosh. Acabei por ficar bastante desiluda com a vertente romântica deste romance, acho que a autora não conseguiu misturar bem os dois elementos e querendo manter-se o mais factual possível não conseguiu trazer intensidade nem beleza ao romance entre os dois protagonistas. Infelizmente, a forma como a autora me apresentou esta Lady Anne não teve sucesso algum. Não gostei da heroína, nem do seu carácter rebelde. Pareceu-me sempre demasiado inconsequente e precipitada para quem é supostamente famosa por ser uma grande estrategista de guerra sem contar com o seu mau-feitio e não saber pensar pela própria cabeça e ter os seus próprios pensamentos. 
Não confiar no próprio marido e tirar conclusões precipitadas não são características positivas em qualquer circunstâncias, mas para uma mulher que era supostamente rebelde e corajosa e um exemplo para o público feminino das Highlands, bem… deixa grandemente a desejar.

Contudo, tenho que confessar que nas últimas 20 páginas a autora me deu uma razão para sorrir e por isso mesmo, naquela altura não fiquei tão mal impressionada como parecia até ali. Os pontos positivos vão para a escrita, narrativa e descrições do cenário bem como a pesquisa efectuada. Os negativos vão para a construção de personagens e para a falta de dinamismo do enredo, bem como a construção do romance. 
No final, o que fica é uma imagem positiva mas manterei um pé atrás, sem inspirar demasiada confiança. 
        




5 thoughts on “A Rosa Rebelde

  1. Olá 🙂

    Gostei da tua opinião, mas tenho de confessar que não concordo com a parte que dizes das personagens e do romance.

    Eu acho que está bem construído e para mim fez todo o sentido o rumo que este seguiu, mas ainda bem que temos todos visões diferentes dos livros!

    Beijocas e boas leituras!

  2. Pois, eu não gostei da caracterização da Anne, acho que não demonstra qualidades de guerreira e de rebelde, mas todos vemos as coisas por perspectivas diferentes. 🙂
    Sobre o romance, realmente gostaria de o ter visto retratado de outra forma, mas ainda bem que gostaste mais que eu! 😛
    Boas leituras igualmente para ti.

  3. A autora descreve muito bem o cenário, eu adoro o Reino Unido no geral, portanto também gostei de todas as descrições das Highlands que a autora fez. Nesse ponto, esteve muito bem. Se gostas de romances históricos, creio que até pudesses gostar bastante deste livro. 🙂

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