O Ladrão de Arte

Em O Ladrão de Arte, três roubos são investigados simultaneamente em três cidades, mas estes crimes aparentemente isolados têm muito mais em comum do que se possa imaginar.
Roma: Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma peça de altar desaparece sem deixar rasto a meio da noite.
Paris: Na cave da Society Malevich, a conservadora Geneviéve Delacloche fica chocada ao reparar que o grande tesouro da Sociedade desapareceu, Branco Sobre Branco do Suprematista Kasimir Malevich.
Londres: Na National Gallery of Modern Art, a última aquisição é roubada apenas algumas horas depois de ter sido comprada por mais de seis milhões de libras. Repleto de detalhes históricos fascinantes, diálogos intrigantes, e um enredo de puxar pela cabeça, este primeiro romance de Noah Charney é sofisticado, elegante, e tão irresistível e multifacetado como uma obra de arte.

ISBN: 9789722626484 – Civilização Editora / 2008


Nunca antes tinha ouvido falar sobre esta obra, até há bem pouco tempo, quando foi escolhido para um grupo de leitura conjunta em que costumo participar. Então, na Feira do Livro de Lisboa, andando em busca do livro, o rumor era que o livro estava esgotado em todo o lado. “O livro deve ser mesmo bom, uma obra de arte literalmente. ” – pensei eu, já entusiasmada com aquela que haveria de ser a minha próxima leitura. Noah Charney estreia-se com este mistério/suspense policial que mistura arte com crime e esta pareceu-me uma conjunção deveras interessante. As opiniões que li dividiam-se muito e por isso mesmo tentei não criar demasiadas expectativas. Assim foi a estreia com este autor:

Três cidades, todas elas conhecidas mundialmente, não só por serem cidades que têm um peso enorme na cultura mundial, mas cidades em que a arte tem uma importância crucial na estrutura de cada uma delas. A arte no seu sentido mais abstracto revela-se de formas diferentes em cada cidade e é de importância fulcral para o ambiente e para a aura destas grandes cidades. Todos nós já ouvimos descrições que fazem com que fiquemos com água na boca. Aqueles que visitaram podem concordar e matar algumas saudades, pensando nessas visitas com extremo carinho e aqueles que ainda não visitaram, mantêm o desejo de visitar  e imaginam, cada um à sua maneira, estas metrópoles que não deixam ninguém indiferente.
São elas: Londres, Roma e Paris. Em cada uma destas cidades ocorreu um crime. Aparentemente, são apenas 3 crimes isolados, nestas 3 cidades diferentes. Foram roubadas três peças de arte de grande importância e os três crimes estão a ser, simultaneamente, investigados. No entanto, estas três ocorrências, que são acreditadas como isoladas, têm mais em comum do que aquilo que se vê à superfície.
Em O Ladrão de Arte, vamos acompanhar uma verdadeira caça às obras de arte e vamos aprender de que maneira e em que circunstâncias é que estes três crimes poderão estar ligados. E mais importante, porquê.

Como referi anteriormente, tentei não criar demasiadas expectativas para esta leitura, não só pelas opiniões que li bem como por este ser um novo autor e que portanto me poderia conquistar ou aborrecer. Confesso que apesar de tudo, esperava muito melhor desta obra do que aquilo que veio a acontecer. Acho que o autor anda ali num misto de conquista e aborrecimento. 
Quando li a sinopse, achei que estaria frente a frente a um policial com um ritmo frenético e cativante, com um mistério que mantém o leitor cativo, sem querer largar o livro até que possa ter a revelação à frente dos seus olhos. No entanto, acabei por encontrar um livro que em vez de habituar o leitor ao seu ambiente de escrita, bombardeia invés, com factos históricos, e também com história de arte. 
Eu adoro História, bem como arte embora nesta última possa ser considerada leiga. Contudo, gosto que os autores me envolvam com os seus relatos e que vão revelando os factos de uma forma gradual e lógica. Como é óbvio, ninguém tem uma capacidade de absorção de conhecimento sobre-naturalmente rápida e ser constantemente bombardeado com informações históricas acaba por chatear bem como aborrecer. Foi exactamente isso que me aconteceu.
Com isto, acabei também por não apreciar muito a escrita do autor, até que a leitura de forma geral, acabou por ficar prejudicada. Até ter ido pesquisar os dados biográficos do autor. Aí, percebi o porquê desta obra ter sido escrita da maneira como foi.
É que o autor é fundador da primeira organização mundial de crimes contra a arte. E tem também dois mestrados que misturam arte, crime e história. Ao acabar o livro, apercebi-me que este livro parecia um exame universitário, onde se debita o conhecimento todo, para depois libertarmos o cérebro para absorver o conhecimento para o exame seguinte. Esta obra pareceu-me uma maneira de o autor mostrar que é um especialista na sua área de interesse e até aí, tudo bem.
O que não está bem é a maneira como o autor demonstra este orgulho. Parece aqueles professores que vão para a aula escrever no quadro até nunca mais acabar e sem terem qualquer contacto real com os alunos. Essa não é a melhor forma de fazer passar tanto interesse como conhecimento. 

Com isto tudo, fiquei bastante desiludida com esta obra e acho que o autor tem que melhorar esta ânsia de passar o seu conhecimento, bem como melhorar a sua escrita para fazer com que o leitor não se aborreça logo nas primeiras páginas.
Para mim, foi uma leitura muito pouco proveitosa e muito difícil. Isto implica que há sempre espaço para melhorar e quem sabe se o seu próximo livro não sairá melhor. 
Não é mesmo uma obra de arte, mas talvez haja por aí a quem este livro agrade. 






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3 thoughts on “O Ladrão de Arte

  1. Para mim, foi. E também gosto de arte, embora acho que o autor apenas se preocupou em debitar conhecimento e podia ter lidado melhor com isso. No entanto, pode ser que a Helena aprecie mais o livro que eu. 😀

  2. Octávio Carvalho says:

    Discordo completamente com o comentário acima descrito! O livro de Noah Charney é um completo poço de informação, prodigiosamente bem escrito e estruturado. A narração é intrincada e envolta numa rede de mistério e suspense que prende o leitor até ao final. Os pormenores históricos, ligados à arte, são expostos com mestria, revelando que o autor é um sábio experiente nesta área. O fim é completamente arrebatador. Noah faz-nos distrair do foco principal da obra (o autor dos roubos), entretendo-nos com muita informação sobre arte, até que no final mostra inopinadamente o resultado. Fantástico!

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