O Segredo da Casa de Riverton

Como sobrevivem os que presenciam a tragédia?

Verão de 1924 

Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar. 


Inverno de 1999 

Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta. 

Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente. 

Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor.


ISBN: 9789720041609 – Porto Editora / 2008



O Segredo da Casa de Riverton foi a primeira obra que Kate Morton apresentou ao público. Foi com este livro que o sucesso da autora se fez sentir pela primeira vez e até hoje, todas as suas obras têm tido muito sucesso por esse mundo fora. Apesar de não ter sido o primeiro livro da autora que li, não podia deixar de ler as restantes obras que a autora tem no mercado e por isso dentro dos dois livros que me faltavam ler, escolhi este para primeiro, por razões muito simples: foi o primeiro a ser publicado.
Confesso que tinha algum receio que as minhas expectativas estivessem demasiado elevadas, depois da leitura da obra As Horas Distantes, porque a verdade é que nem todos os autores mostram o seu potencial na primeira obra que escrevem. Por muita qualidade que os seus livros possam ter, existem por aí primeiras obras que são algo desafortunadas. E receei que O Segredo da Casa de Riverton pudesse ser um desses exemplos. Apesar dos mais variados comentários positivos que vi serem feitos ao livro, a possibilidade de chegar ao fim da leitura com um sentimento de desilusão era provável. No entanto, lá mergulhei nesta leitura e acabei por não me arrepender de maneira nenhuma.

Esta história começa quando Grace Bradley recebe uma carta de uma realizadora de cinema, que pretende desenterrar e trazer a público a história da casa e da família que morava em tempos na mansão de Riverton. Grace, única sobrevivente e testemunha dos segredos desta casa e respectiva família decide aceitar a viagem até tempos idos, certa de que o verdadeiro segredo Riverton que se encontra adormecido há muitos anos, continua escondido. Mas estamos em 1999 e Grace, com 98 anos sente cada vez mais o peso que este segredo transporta e assim, aquilo que Grace achava que seria apenas uma viagem inocente às memórias da família Hatford, acaba por se revelar muito mais…. e o segredo que ela guardou durante tantos anos está em risco de finalmente vir a ser descoberto.
O mistério assenta nas duas irmãs Hatford: Hannah e Emmeline e num terceiro elemento que é comum às duas: o poeta e amigo de família, Robert Hunter. Estamos nos anos 20 e o mundo ainda está a recuperar do choque a Grande Guerra causou. Inglaterra, destroçada e sem forças, tenta manter-se em pé. 
Decorre o ano 1924 e na mansão Riverton, Robbie acaba por perder a sua vida, junto do lago da propriedade, durante um evento social que aí decorre. As únicas testemunhas desta ocorrência são as duas irmãs, Emmeline e Hannah, que após este acontecimento nunca mais haverão de dirigir uma palavra que seja à outra. 
Este acontecimento, que pelas suas circunstâncias mal explicadas, incertas e todo o mistério que o envolve, acaba por se tornar algo afamado e acaba por se tornar uma espécie de lenda da povoação, uma história que até nos dias de hoje prospera e que é motivo para fascinação e interesse de terceiros. 
Grace, outrora uma empregada doméstica que viu as irmãs crescerem de perto, é a única que sabe o que realmente aconteceu e o que as irmãs esconderam nesse dia fatídico… 


Depois de uma estreia completamente alucinante, estava ansiosa para poder começar a ler este livro. 
Mais uma vez, Kate Morton transporta o leitor para um cenário de guerra, amor, traição e segredos – camadas e camadas de segredos que no início parecem inofensivos, mas que depois se revelam ser um ponto central em todo o enredo e pontos de viragem cruciais na história. 
Desta vez, acompanhamos de perto o período conturbado da primeira Guerra Mundial, altura em que os soldados britânicos eram mandados para solo francês e não voltavam iguais, de nenhuma forma. Foram períodos de difícil adaptação para o mundo em geral e aquele que ficaria conhecido como o primeiro marco histórico de grande violência mundial.   


Confesso que adorei esta obra do início ao fim. Gostei do enredo, adorei o contexto histórico bem explorado, as personagens foram todas bem construídas e estruturadas. Como um todo, no conjunto significa que este é um romance histórico fantástico. 
Esta obra, à semelhança da outra que li, foca-se em dois períodos temporais diferentes: 1914-1924 (acção passada) e o presente, no ano de 1999. Esta opção estrutural do livro, já é para mim uma imagem de marca de Kate Morton. A maneira como ela conjuga ambos os tempos de acção é exímia e é de tal forma organizada que não há maneira de o leitor se sentir de alguma forma confundido ou perdido no tempo da história. 
A narrativa da autora e a forma como ela envolve essa narrativa com descrições deliciosas é maravilhosa, de tal forma, que foi muito difícil largar o livro até o acabar. Li-o sofregamente, como se não existisse um amanhã.
Por vezes, sinto que não tenho palavras para descrever o que este livro me fez sentir. Mas foi uma leitura que me fez reflectir sobre o tempo: sobre o passado, presente e futuro. Sobre o que as nossas acções (mesmo que bem intencionadas e mesmo que não tenhamos consciências delas) podem mudar o rumo da vida das pessoas que nos são próximas. 


Em suma, é um livro que recomendaria a pessoas que gostam de romances históricos, dramas familiares, mistérios e acima de tudo, que gostem de segredos. Pois é, o ingrediente preferido da autora são os segredos. Sejam eles pequenos ou grandes, inofensivos ou nocivos. O que interessa é que as suas obras venham recheadas dos mesmos. 
Finalmente, espero com ansiedade a leitura do último livro publicado: O Jardim dos Segredos.  

Opiniões da mesma autora:






12 thoughts on “O Segredo da Casa de Riverton

  1. Nunca li nada desta autora, mas estou tentada em começar a ler. A história fascinou-me e a tua crítica foi positiva, talvez este seja o próximo livro que leio.

  2. Neste momento, já não sou totalmente imparcial. Só posso incentivar a tua decisão e dizer-te que, se gostas de romances históricos com segredos, vai gostar do livro! 🙂

  3. Oh, um pouco de provocação não faz mal a ninguém 😛

    Gostaste do segredo da Grace? Curioso como as pequenas coisas que fazemos por vezes trazem têm um impacto tão grande na vida dos outros…

  4. Gostei sim! E não estava nada à espera… coitada, percebo o porquê de ela se sentir culpada. E tudo porque a Grace nunca teve coragem de dizer a verdade à Hannah. Embora a obra me tenha feito reflectir, como disse na opinião, por causa das atitudes que temos, deixou-me triste… saber que uma atitude tão inofensiva posso fazer tanto estrago. 😦

  5. Já tinha dito que adoro esta escritora?:p Este livro é fabuloso e só consegui largá-lo quando cheguei ao fim. Filipa tens de ler o Jardim:)

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