As Horas Distantes

Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino…

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.

Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.

No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada…


ISBN: 9789720043559 – Porto Editora / 2012


Todos os leitores têm as suas pequenas manias, por muito estranhas que sejam. Eu, tenho várias, sendo que uma delas consiste em ler, por ordem de publicação, as obras de um autor/a – nos casos, em que as mesmas são individuais, claro. Por isso mesmo, parece estranho e altamente contraditório eu dizer que a minha estreia com esta autora se fez de uma maneira completamente oposta. Infelizmente, não tive mesmo opção (por este livro me ter sido emprestado pelo blogue My Imaginarium) e tive de lhe dar prioridade especial. Assim, vejo-me a fazer a minha estreia com Kate Morton com o livro que mais recentemente foi publicado em terras lusas. 
Já muito ouvi falar sobre a autora e o entusiasmo para a conhecer era elevado. Agarrei-me sofregamente à obra, que com 500 e poucas páginas, me deixava com água na boca. E assim, parti à descoberta.

Milderhurst é uma povoação muito curiosa, especialmente porque o castelo residente da terra tem uma história familiar complexa e envolta em mistério. As suas paredes respiram segredos e não permitem que estes sejam libertados para o mundo exterior. A propriedade, herança e lar de inúmeras gerações da família Blythe tem-se mantido vivo, alimentado por todos estes mistérios, apesar da sua aparência exterior já denotar cansaço. 
Mas, este reinado secretivo está prestes a chegar a um fim, na sequência de uma carta que suscita uma cadeia de acontecimentos que irão acabar por pôr em acção uma queda sucessiva em padrão dominó. 
O mistério prende-se com as três irmãs Blythe e uma jovem que albergaram na sua casa, no início da Segunda Guerra Mundial. Meredith Burchill, descobre em Milderhurst um mundo completamente à parte da guerra: descobre o mundo admirável e repleto de possibilidades da literatura e a convivência com as irmãs Blythe é uma experiência única na sua vida, até agora. Meredith acaba até por criar uma amizade muito íntima com a mais nova das irmãs Blythe: Juniper. No entanto, algo acontece e as duas acabam por viver vidas completamente à parte uma da outra e a amizade acaba por se deteriorar de uma maneira sem igual. Os destinos destas quatro pessoas poderiam ter sido muito diferentes, apenas se….

Até que, 50 anos depois, Edie – filha de Meredith – decide desenterrar este mistério e descobrir como foi a vida da mãe nos anos em que viveu com as irmãs Blythe. No entanto, aquilo que acaba por ser uma viagem ao passado para saciar a curiosidade de uma filha acaba por se revelar no desenterrar de muitos outros segredos que o Castelo de Milderhurst há muito escondia…e que finalmente, virão à superfície.

Não é segredo nenhum que costumo interessar-me em livros que tenham como foco a Segunda Guerra Mundial. No entanto, raros foram os livros que encontrei que explorassem uma perspectiva diferente daquela que é normalmente explorada: o relato de acontecimentos pelo lado dos alemães. Portanto, foi com entusiasmo que vi a perspectiva britânica a ser aprofundada. Contudo, esta é uma temática que irá interessar-me sempre, seja de que perspectiva for. 
O livro foca-se em dois períodos temporais: 1939-1941 (passado) e os acontecimentos presentes que tomam lugar no ano de 1992.
A autora construiu aqui um mistério muito interessante e a sua estrutura está muito bem pensada e executada. A sua escrita é agradável e igualmente bem estruturada. Não é uma escrita simplória, mas também não é pesada. Apesar de o livro se focar em períodos temporais distintos, a autora organizou o enredo de uma forma muito simples, em que o leitor facilmente consegue acompanhar o fio condutor dos acontecimentos sem ficar perdido no tempo. 
No entanto, é preciso referir que a autora se perde um pouco nas descrições, o que acabou por me cansar algumas vezes. Existe especialmente uma parte da obra onde a falta de acção é notória e que me desalentou um pouco, embora no final tenha percebido que as descrições foram importantes para o contexto histórico das personagens e do próprio enredo e mal essa parte passou, a leitura fez-se de uma forma voraz. 

Com tudo isto, confesso que a obra no geral está muito bem pensada e senti um prazer imenso em chegar ao final e poder deslindar o grande mistério que circundava o castelo de Milderhurst. Por isso mesmo, acabei por gostar mais deste livro do que estava à espera. A autora acabou por se revelar uma contadora de histórias viciante e que conseguiu captar o meu interesse. 

Se recomendo a leitura? Recomendo, se bem que com algumas reservas, mas quem gosta de uma narrativa vagarosa, que misture segredos do passado com os problemas do presente, tem aqui uma leitura prazenteira. 
Se pretendo ler os outros livros da autora? Pretendo, sem dúvida. É uma autora que merece toda a atenção, porque acredito no seu potencial. Com isto, a minha próxima leitura será “O Segredo da Casa de Riverton” e no próximo mês, conto ler a restante obra publicada: “O Jardim dos Segredos“. 





9 thoughts on “As Horas Distantes

  1. Adoro esta autora! Ela gosta de muito de contar a história entre o presente e o passado e fá-lo muito bem! Apetece ler o livro de uma assentada só. Só me falta ler este dela. O Segredo de Riverton e o Jardim dos Segredos também estão muito bons. O Jardim é belíssimo!
    Obrigada pela tua opinião, Filipa!:)

  2. Concordo contigo, quando dizes que é uma escritora que consegue descrever bem diversos períodos temporais. Nunca me senti confundida com a mudança de cronologia e achei que ela o fez de uma maneira que capta o leitor.
    Estou ansiosa para ler as restantes obra da senhora. 🙂

  3. Ahhh, tenho de ir ler a tua opinião! 😛
    Eu acho que dei a classificação mais alta ao segundo (O Jardim dos Segredos), se não estou em erro… Ou melhor, foi mesmo ao A Casa de Riverton que foi o primeiro que li e que eu absolutamente adorei… 😀
    Foi aquela coisa do amor à primeira vista. 😛

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s