A Rainha da Chuva

Páscoa, 1974. Numa remota localidade na Tanzânia, o Dr. Michael Carrington e a sua esposa Sarah são brutalmente assassinados. Uma mulher branca de visita ao casal sobrevive inexplicavelmente ao ataque, e um adorno manchado de sangue é encontrado junto aos corpos com madeixas do seu longo cabelo ruivo.

A misteriosa mulher é Annah Manson. Outrora uma enfermeira missionária idealista, é agora uma marginal. Os europeus tratam-na com suspeita mas os africanos conhecem-na como uma curandeira dotada, amiga de feiticeiros e o grande amor de Mtemi, chefe do povo Waganga. Chamam-na de Rainha da Chuva.

Vinte anos depois, a filha de Sarah e Michael vive em Melbourne. Enterrou o luto da infância e já não se interessa em descobrir a verdade sobre a morte dos pais. Mas depois conhece a sua nova vizinha – uma idosa excêntrica que também partilha com ela um passado em África. Uma idosa a quem já chamaram Rainha da Chuva… e que tem uma história para a libertar.


ISBN: 9789897100147 – Saída de Emergência / 2011


A Rainha da Chuva é o segundo livro de Katherine Scholes publicado em Portugal, pela editora Saída de Emergência. O livro anterior intitulado, O Anjo de Pedra, foi uma leitura emocionalmente pesada, mas nem por isso menos valiosa. Quando recebi a notícia que outro livro da autora seria publicado, esperava um drama construído em moldes similares à obra anterior. As expectativas apesar de não muito elevadas, eram algumas. E a esperança que este livro me emocionasse tanto quanto o outro, era grande. 
No entanto e sendo a lista de espera muito grande, só agora é que se deu a oportunidade de ler esta obra.

Desta feita, Katherine Scholes conta-nos uma história com contornos tanto dramáticos quanto misteriosos, com África Oriental (mais especificamente, Tanzânia) como pano de fundo. O cenário não é o mais pacífico de todos, pois encontramo-nos em 1962 e os conflitos na fronteira entre Congo e Ruanda insistem em proliferar, depois de Ruanda ganhar independência e ser separada de Burundi. 
Annah Manson sempre sonhou em construir uma vida em África, depois de descobrir umas cartas da sua tia, que descreviam em pormenor as suas funções de uma enfermeira, trabalhando como missionária. 
Annah decide seguir as pegadas da tia e todos os seus esforços e estudos  vão exactamente nesse sentido. Sente-se extasiada com a primeira paisagem de África e sente também que finalmente vai poder concretizar os seus sonhos e deixar a sua marca naquele espaço do mundo. 
Mas os seus planos mudam, quando em vez de ficar a trabalhar no hospital que a sua tia ajudou a construir, é mandada para uma localidade na fronteira conflituosa de Ruanda e Congo, para trabalhar com um casal de missionários australianos: Michael e Sarah.
Tudo corre às mil maravilhas: Sarah e Annah tornaram-se melhores amigas e Annah torna-se posteriormente a madrinha da filha do casal, Kate. O trabalho que os três missionários desenvolvem na localidade faz uma diferença notável e a vida que ali estão a construir é uma das mais felizes. Até ao momento em que Michael e Annah se começam a sentir atraídos um pelo outro e a dinâmica entre os três acaba por se modificar de uma forma sem igual. 

Annah acaba por ser afastada da Missão e acaba por mudar o rumo da sua vida, ao apaixonar-se por Mtemi que é o Chefe do povo Waganga. Mais uma vez, Annah sente que finalmente a sua vida está a correr como desejava e não sabia que poderia ser tão feliz nos braços de Mtemi. O povo aceita-a como um deles e Annah até acaba por ser intitulada como sendo A Rainha da Chuva, devido às suas qualidades de curandeira. Anos depois, os seus amigos e companheiros Michael e Sarah são brutalmente assassinados e Annah é a única que consegue sobreviver, o que lança muitas suspeitas sobre a sua personalidade. A sua filha, Kate, fica assim totalmente sozinha no mundo. Mas será que a história dos jornais é um relato verdadeiro?
20 anos depois do massacre, Annah vai à procura de Kate para lhe contar a história da vida dos seus pais e do seu desfecho fatal.

Confesso que estava à espera de um livro totalmente diferente. Achei que ao percorrer as páginas deste livro encontraria um mistério com alguns contornos de drama e além disso, pensei que a história se iria debruçar sobre a Kate e sobre os seus pais. O que acabei por encontrar foi um relato pormenorizado da história de vida de Annah, muitas descrições sobre a política e comportamento de uma tribo africana e algum contexto religioso. Não posso dizer que estas temáticas não sejam do meu agrado, até porque são, mas a autora escolheu mostrá-las de uma forma por vezes aborrecida e muito extensiva. Acabei por sentir que as minhas expectativas foram de alguma forma, defraudadas. 
Além do mais, a autora inseriu de uma forma muito suave e ao de leve, a temática da poligamia que não me agradou de forma nenhuma. Não consigo aceitar essa escolha, nem esse comportamento e quando, no livro, vi que esta mesma hipótese estava no ar, rapidamente comecei a ver que o livro poderia ir contra os meus próprios princípios e a forma como vejo a vida. Compreendo que a autora tenha querido passar muito da cultura africana, mas para mim acabou por se revelar um ponto negativo.
No geral, achei um livro muito cansativo, com uma sinopse que ilude o leitor ao fazê-lo pensar que o livro irá ser sobre o mistério do assassinato de duas personagens e não foi um livro que me agradasse, de todo.

Apesar de ter adorado a leitura anterior, não creio que possa dar outra hipótese a esta autora. Revelou-se ao meus olhos, muito imprevisível e nem sempre esta característica se revela positiva. Como foi este o caso, para mim. 


        

Opiniões da mesma autora:



4 thoughts on “A Rainha da Chuva

  1. Realmente é verdade nunca se sabe, mas não me parece mesmo que vá gostar :S

    Bem tenho muitos livros para ler que tenho a certeza que são bons 🙂

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