A Biblioteca das Sombras

No coração de Copenhaga, a livraria Libri di Luca é mais do que uma simples loja de livros velhos e usados. Quando o proprietário Luca Campelli morre de forma inesperada, o seu filho Jon, um proeminente advogado, ver-se-á envolvido num mistério inquietante. 
Jon não planeia trocar a sua carreira pela livraria, mas, após uma tentativa de fogo posto à Libri di Luca, descobre que o pai era o líder de uma sociedade secreta de leitores e amantes de livros, os Lectores, criada para preservar uma tradição oculta que remontava à época do esplendor da Biblioteca de Alexandria. Os Lectores eram pessoas dotadas de um misterioso poder, tão fantástico quanto perigoso, que lhes permitia seduzir o leitor com histórias extraordinárias, evocar mundos imaginados, mas também manipulá-lo e levá-lo a pensar exatamente aquilo que queriam. Quanto mais Jon descobre, mais fica com a certeza de que a morte do pai nada teve de natural. Haverá uma conspiração no seio dos Lectores? Após inúmeras questões que escapam à sua compreensão, o jovem advogado ver-se-á obrigado a investigar as suas raízes para salvar a própria vida.


ISBN: 9789720045522 – Porto Editora / 2011


A Biblioteca das Sombras sempre foi um livro, que desde o seu lançamento, me suscitou muito interesse. Como uma verdadeira bibliófila, um livro que fale sobre livros exerce um grande fascínio sobre mim. Embora sejam poucas as obras com esta temática, que já tenha lido, é certo também que nunca consigo resistir aos mesmos. 
Por isso mesmo, quando vi A Biblioteca das Sombras no mercado pensei que não poderia haver melhor aposta para mim: policial sobre livros. Com certeza foi uma obra pensada especialmente para mim, pensei. 
Assim, abri uma excepção à minha política de descoberta de novos autores e decidi arriscar a minha sorte. 

Mikkel Birkegaard traz-nos a Copenhaga, onde Libri di Luca – uma livraria no centro da cidade que é mais do que parece. Luca, o dono deste espaço está mais que orgulhoso da sua herança familiar e é com satisfação que “cumprimenta” todos os seus tesouros após voltar de uma viagem de negócios. Até que pega num livro que lhe é desconhecido e algo sem uma explicação natural acontece. Brincando com a situação, lembrei-me logo de chamar Sam e Dean Winchester da série Sobrenatural – decerto que eles resolveriam o mistério num instante.  Tudo o que sabemos é que Luca é encontrado pelo seu colega de trabalho, morto na sua livraria. Aparentemente, toda a gente acredita que Luca pereceu devido à sua idade avançada, mas quando Jon – o seu filho e herdeiro – é avisado e decide visitar a livraria, entra num mundo novo. E estranho. E a morte “natural” de Luca afinal não é bem o que parece, mas sim um mistério que precisa de ser resolvido o quanto antes. 
Aqui, Jon, conhece e percebe o significado de ser um Lector. Conhece este grupo de pessoas que são dotadas de um poder brilhante. E aterrador. E finalmente, vai poder descobrir a verdade da morte do seu pai. Vai entrar num mundo de sociedades secretas que zelam pelo mundo dos livros das formas mais estranhas, dedicadas e assustadoras. 

Este livro acabou por se revelar muito diferente daquilo que eu esperava. No início referi logo que esperava um policial. E este livro é tudo menos isso, sendo que para mim, um policial é um livro em que se investiga um crime (ou mais). Mas um crime como, infelizmente, acontecem todos os dias na nossa sociedade, ou seja, um crime com uma explicação natural. Este livro é mais um mistério paranormal do que outra coisa. O crime a que os leitores assistem não é o mote principal da história, mas é mais um acessório que permite ao autor expor o verdadeiro assunto do seu livro, que neste caso é a sociedade secreta dos Lectors. 

Tenho que dar pontos ao autor pela construção da ideia original que ele teve, mas a maneira como a desenvolveu não me encheu as medidas e o mistério por resolver acabou por ser de segunda importância, exactamente como eu não gosto. 
No entanto, a escrita do autor surpreendeu-me. É muito fluída e agradável, o que fez com que a leitura decorresse com naturalidade e não como forma de obrigação. Foi um ponto muito positivo e acabou por atenuar o choque inicial. As personagens mereciam ter sido melhor desenvolvidas; achei que o autor deu pouca importância à dimensão humana do seu livro e nenhuma personagem ficou marcada. 
Com variadas descrições de Copenhaga, é uma delícia para quem gosta de conhecer/ imaginar novas cidades e novos cenários.
Creio que existem várias passagens e certas situações que foram desnecessariamente extensas, mas mesmo assim, foi um livro que até se leu bem.

Quem está à espera de um policial “tradicional”, não se deixe enganar. Mas quem gosta de explorar realidade alternativas, porque não experimentar este livro? Poderá ser aquilo de que andam à procura. 





         
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