A Irmandade do Anel – Senhor dos Anéis, Vol.1

Em apreciação crítica à obra de Tolkien cuja edição portuguesa apresentamos, o Sunday Times escrevia que o mundo da língua inglesa se encontra dividido em duas partes: a daqueles que já leram O Senhor dos Anéis e a daqueles que o vão ler. 

Não se enganava o crítico ao indicar assim que estamos perante uma obra de leitura obrigatória, que, sem qualquer sombra de exagero, se insere entre as mais notáveis criações literárias do nosso século. Situando-se na linha da criação fantástica em que a literatura inglesa é fértil (lembremos Lewis carrol com a sua Alice no País das Maravilhas), Tolkien oferece-nos uma obra verdadeiramente monumental, onde todo o mundo é criado de raíz, uma nova cosmogonia arquitectada por inteiro, uma irrupção de maravilhoso que é admirável jogo de criação pura. O sopro genial que perpassa na elaboração deste maravilhoso, traduzido sobretudo no realismo da narração, deixa no leitor o desejo irresistível de conhecer «esse» mundo que, como crianças, chegamos a acreditar que existe. 

A Irmandade do Anel é o primeiro volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também As Duas Torres e O Regresso do rei.

ISBN: 9789721041028 – Europa América /2002




John Ronald Reuel Tolkien foi um escritor britânico. Não apenas escritor, era também professor universitário e um estudioso de línguas e literatura. 
É também considerado por muitos o pai da literatura fantástica, ou pelo menos, a personalidade que veio revolucionar não só a literatura britânica, mas sim a mundial. 
As obras de Tolkien que falam sobre a Terra Média são as mais conhecidas de todo o mundo e são também um marco na cultura universal. 
Não sendo fã entusiasta de fantasia, como um género literário, nunca dei um segundo olhar a estes livros, apesar da fama que as precede. Mesmo depois de ter visto todos os filmes, mais que uma vez, ainda estava adormecida para estas obras que nada me diziam.
No entanto, desenganem-se aqueles que acham que a opinião é unânime quando se fala em Tolkien. Como em todas as outras coisas da vida, houve a quem estas obras não agradaram. Assim o refere também o autor, nas notas introdutórias.
Com tudo isto, quero dizer que embora esta trilogia seja amada por muitos, não conquista toda a gente e receava acontecer-me o mesmo, pelas razões que enunciei. No entanto, o ano de 2011 foi complementado com leituras a virar para este campo. Desde más experiências que jurei para nunca mais, a leituras que conseguiram retirar-me alguma emoção, foi com um misto de indiferença e curiosidade que peguei n’ A Irmandade do Anel

De facto, Tolkien haveria de me confirmar que as grandes mentes literárias estiveram no seu auge no século XX. O livro começa como uma história de encantar e o leitor rapidamente sente os tentáculos “tolkianos” a abraçarem-no e a envolverem-no nestas palavras e na narrativa rica em pormenores. Este, prepara-nos para nos contar uma história que irá perseguir os nossos sonhos, onde queremos saber o que futuro traz, antes do tempo da sua descoberta chegar. Deixamo-nos ficar confortáveis, enquanto a nossa mente imagina as belas casinhas debaixo do chão que os simpáticos Hobbits constroem.
Tememos pelo destino dos personagens com quem criámos uma empatia como até agora nunca tínhamos criado e queremos saltar para as páginas, para ajudarmos Aragorn, Frodo, Sam e Co., a ultrapassarem os seus obstáculos. 
Rimo-nos com Merry e Pippin. Admiramo-nos com a sensatez e a inteligência de Gandalf e ficamos boquiabertos nos damos conta de que o pior ainda está para vir.

Lendo este livro e comparando-o com a fantasia actual que li até agora, de facto, todos os outros me parecem pálidos. 
A paixão com que o autor escreveu a sua narrativa e as aventuras de Frodo Baggins é exímia e incansável e perdura em cada página do livro. 
E é fantástico notar a importância que o autor dá à amizade. Se não fosse pela amizade, este livro e esta aventura não teria sido possível ser escrita da maneira como foi. Admiro Sam, Merry e Pippin, por isso mesmo. Admiro ainda mais o autor e a sua personalidade, porque deixou a sua marca indelével e poderá continuar a fazer novos leitores sonhar e inspirar muitas mais mentes.

O universo que Tolkien criou serviu de inspiração para jovens escritores de várias gerações que quiseram apostar no fantástico. Alguns conseguiram atingir o sucesso, outros para lá tentam caminhar. Tolkien tornou-se um patamar de estatuto quase divinal que as almas criativas tentam alcançar.  De facto, pergunto-me como é que uma narrativa e ideias tão ricas poderão alguma vez ter saído para a luz. Nas minhas reflexões, creio que o tempo negro e de dificuldades que se viveu no século XX é mais que motivo para que estas personalidades tentem encontrar um escape. O trabalho do autor foi recompensado largamente e para nós leitores, é um motivo de regozijo.

Nem tudo o que luz é ouro,
Nem todos os caminhantes estão perdidos;
O velho que é forte não mirra
E a geada não chega às raízes fundas.
Das cinzas pode reacender-se o lume,
Das sombras pode irromper uma luz;
Renovada será a lâmina quebrada:
O destronado será de novo o rei.
– J.R.R. Tolkien



   

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