Aposta Indecente

É sempre com alguma expectativa que leio os chamados romances de época. É um estilo que aprecio muito, para quando a minha disposição assim o pede. Este livro, publicado recentemente, faz parte de uma colecção chamada Tiara da Editora Livros D’Hoje. 
Esta colecção visa a publicação destes romances, virados para o público feminino. Autoras como Laura Lee Ghurke e Nicole Jordan – nomes já conhecidos nestas andanças – são alguns dos que estrearam esta nova colecção. 

Confesso que quando o livro saiu, não fiquei muito entusiasmada com a sua premissa, porque esta me fazia lembrar um livro que já tinha lido (até bastante recentemente). Aliás, não é preciso ir muito longe para que as parecenças saltem à vista: O título, a premissa e o estilo de romance que é. Falo, claro, do livro Uma Aposta Perversa de Emma Wildes, do qual gostei muito.
No entanto e depois de ver algumas opiniões positivas, foi com sentimentos algo ambíguos que iniciei esta leitura. 

E de facto, esta sensação de dejá-vu verificou-se muitas mais vezes durante toda a leitura. O facto de a personagem principal feminina ser viúva e de estar no enredo, envolvida uma aposta, também não ajudou a esta particularidade. De tal modo que logo desde início, este livro se ofereceu como um fraco “sósio” do seu conterrâneo. 
Louis de Villeclaire é um marquês muito falado na sociedade parisiense do século XIX. Sempre foi um libertino despreocupado, com dinheiro para sustentar todos os seus caprichos. No decurso de uma aposta, Louis fica um pouco mais rico e é aí que conhece Catherine Duvernois, uma viúva de 22 anos, por quem toma como uma impostora. No entanto, Louis é o responsável pelo futuro desta viúva, na qual não confia, e vê-se obrigado a mandá-la para a sua casa de campo no Vale do Loire, para ela aí viver. Só que as coisas não se sucedem exactamente como Louis esperava e este vê-se apanhado numa cilada, uma em que Blanche Belfort detêm o papel principal. 

Toda a história base da cilada que apanhou Louis foi interessante e bastante bem estruturada (mas, mais uma vez me fez lembrar o livro da Emma). No entanto, o libertino Louis não me conseguiu convencer e foi uma personagem que a meu ver, deixou muito a desejar. Catherine, igualmente, foi uma protagonista muito mortiça e sem vivalma. 
A autora, que no início começou muito bem (apesar da sensação de reconhecimento anterior), saltou muito rapidamente entre duas situações que mereciam ter tido uma evolução mais ponderada. Louis e Catherine odeiam-se mutuamente no início, mas de repente “tudo está bem quando acaba bem”. Além disso, confesso que este livro me parece uma quase imitação pálida da outra obra referida. (Digo este comentário sem querer incorrer em acusações algumas quanto à autora desta obra e ao seu trabalho, é simplesmente o que sinto).

Tenho que dar a mão à palmatória e referir que esta é a primeira obra publicada da autora, pelo que nem sempre se pode esperar um livro fantástico. Há algumas arestas que precisam desesperadamente de um retoque e acredito que isso virá com experiência futura.
De qualquer forma, esperava mais.  




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