A Canção de Kali

Opinião:

Apesar de ter mais 2 livros deste autor por ler, decidi que era com esta “A Canção de Kali” que queria fazer a minha estreia, visto que é um livro bastante pequeno (tem apenas 235 páginas). 
Assim, parti com algumas expectativas para a leitura deste livro. Este livro é considerado por muitos, um livro fantástico e aterrador. Com este tipo de elogio, era de facto impossível não gerar algum nível de expectativas. 

A Canção de Kali relata-nos a missiva de Robert Luckzak, em busca de um manuscrito muito aclamado. Este manuscrito foi escrito por um poeta indiano chamado Das, que desapareceu misteriosamente há alguns anos atrás. Mas, existem várias pessoas que podem afirmar de que este poeta não se encontra de forma alguma desaparecido ou mesmo morto, mas sim vivo. 
Robert é então enviado a Calcutá com o objectivo de adquirir os direitos deste manuscrito e entrevistar o poeta indiano. Consigo leva a sua mulher Amrita – para servir de intérprete – e também a sua filha de sete meses, Victoria. 
No entanto, nem tudo se revela fácil e Robert vê-se como um peão num jogo que não consegue compreender. Isto porque, este manuscrito, intitulado como A Canção de Kali revela-se muito menos inocente do que uma suposta colectânea de poemas.

Como estreia, este livro revelou-se aquém das expectativas. Se pudesse dar um adjectivo a este livro, o escolhido seria morno. 
É um livro que se lê rapidamente, muito devido ao seu tamanho, mas também devido à escrita do autor, que é agradável e fluída  As suas descrições levam o leitor para as ruas populosas de Calcutá, onde podemos mesmo vibrar com a vida que aí se desenrola. Foi o que mais gostei no livro. O autor conseguiu levar-me a Calcutá enquanto lia a sua obra. 

No entanto, não foi um livro que me fascinasse de outra maneira. A primeira coisa que esperava deste livro é que fosse mais aterrador, visto pertencer ao género literário de horror. Contrariamente às minhas esperanças, não achei que este livro fizesse jus à divisão de género onde ele se encontra. Não achei o livro de nenhuma forma assustador e embora possam ter existido algumas descrições macabras, em nenhum momento me senti assustada. Certamente que já livros que me fizessem olhar sobre o ombro e inclusive que fizessem arrepiar-me. Foi com alguma desilusão que neste aspecto, achei o livro banal.
Depois, achei que o enredo foi pouco desenvolvido. Acabei o livro com mais dúvidas e questões do que respostas e esclarecimentos. Nem tudo foi explicado de maneira satisfatória e o mistério que pairou no início do livro foi perdendo o brilho até ao final.

Quanto aos personagens, houve apenas um que me ficou na memória, porque foi o único personagem que me suscitou interesse verdadeiro e esse foi o Sanjay. Tenho pena que o autor não tenha revelado mais sobre ele. Ficaram muitas pontas soltas.
Quanto aos restantes, especialmente o protagonista, não senti empatia por ele. Não achei que Robert fizesse jus à situação que se vivia em Calcutá. No início, ele pareceu-me uma pessoa determinada. Com o decorrer da acção, deparei-me com uma pessoa que parecia ter receio da própria sombra. Achei as tentativas de humor dele muito fracas e sem consenso nenhum e passou a acção a arrepender-se de cada uma das acções que tomava. Já a Amrita, também foi uma personagem muito pouco influente e das quais esperava muito melhor. Teve alguns diálogos que não fizeram sentido, nem foram explicados pelo autor, pelo que me deu a sensação de que ficaram a destoar da restante narrativa e dos restantes acontecimentos.

Em suma, foi um livro que li com uma curiosidade saudável, mas que não me satisfez plenamente. Reservo a minha esperança para os dois volumes do livro “O Terror”, que tenho em lista de espera para ler e que parecem ser de facto, muito mais promissores.
Recomendo a leitura do livro, mas ressalvo que poderá não corresponder totalmente às vossas expectativas.

     

 

4 thoughts on “A Canção de Kali

  1. Olá Guilherme. Sabes que um bom artista nunca revela os seus segredos eh eh 😛
    Mas, todas as montagens do meu blogue são feitas no Power Point. Espero ter-te saciado a curiosidade!
    Mais alguma pergunta, dispõe. 🙂

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